Maria Renata

1531 Words
Bonita e determinada, Renata é uma mulher caprichosa e acostumada a ter tudo o que deseja. Conquistou Otávio usando o seu jeito alegre e extrovertido, mas por trás dessa fachada havia uma mulher ciumenta e obsecada que nunca aceitou um não como resposta. Filha de um importante empresário e de uma ex diva da moda, cresceu cercada de luxos e cuidados. Apesar disso, havia um grande vazio em seu coração, pois os seus pais(Pai e madrasta) sempre viajavam deixando - a aos cuidados de babás ou de sua Avó Paterna. Foi por isso que se apaixonou por Otávio. Ele também tinha um pai ausente e os dois se entenderam bem, até Renata começar a demonstrar que era muito ciumenta e obcecada por ele. Depois de um último acesso de ciúmes, Otávio terminou a relação, o que fez Renata prometer a si mesma que não o deixaria ficar com mais ninguém, e descobria o segredo de sua identidade que ele não contou nem mesmo para ela. Os seus planos para o reconquistar estavam em risco, pois surgiu alguém na vida de dele que era exactamente o oposto dela, o que fez Renata odiá - lo ainda mais. Com a sua mente perturbada e incapaz de distinguir o certo do errado, ela começou a agir seguindo apenas a raiva que estava a sentir por Otávio ter terminado com ela. Orgulhosa demais para assumir os seus erros, não foi capaz de aceitar o que já estava bastante claro. O pai de Renata era muito apaixonado por sua esposa. A notícia da sua gravidez apenas aumentou a ligação entre o casal. Mas Divina era uma mulher de saúde muito frágil, e durante a gravidez passou por várias complicações. Apesar disso, seguiu lutando até ao fim. Mas após o nascimento da menina, ela teve muita hemorragia e para piorar o seu marido estava fora da cidade. Quando ele conseguiu chegar, era tarde demais. Renata estava bem, mas a mãe tinha acabado por morrer. Arrasado com a perda do seu amor, levou a filha até à sua mãe para ajudar na criação dela, e tornou- se um pai frio e ausente. Apesar de amar muito a sua menina, nunca soube como demonstrar o seu amor. A sua ausência era substituída por bens materiais. Renata cresceu assim. Longe do pai, com uma boa educação e formação. Falava diversas línguas, tornou- se linda, mas tinha um carácter tão negativo que perdeu até as poucas amizades que tinha. Ela tinha uma boa relação com a madrasta a quem chamava de mãe, mas a mesma era igual ao seu pai, e só agora como mãe quando achava conveniente. Otávio a via de forma diferente, mas Lúcia o afastou com o seu comportamento imaturo. Agora novamente sozinha, achava -se com o direito de mandar nele, mas foi posta no seu devido lugar, porque César não tolerava exigências de ninguém. Renata passou a cometer diversos erros por causa da sua obsessão. Será que ainda terá a oportunidade de ser salva? Ou vai continuar desta forma para ocultar o seu verdadeiro problema? Para não deixar Otávio ser feliz Renata estava disposta a fazer qualquer coisa. Ela só não esperava passar por um terrível teste do destino e aprender com ele uma lição da qual jamais esqueceria. Capítulo 5 - Recomeçar Mariana decidiu pôr de parte os seus problemas e aproveitar o seu último ano. Ela também conseguiu terminar a sua tese e só tinha que esperar a avaliação para que fosse marcada a data para a defesa. O seu Tio Juliano gostou bastante de a encontrar na sua casa, e tratou dos documentos que ela precisaria para usar apenas o segundo nome e o sobrenome Moretti. A sua amizade com Otávio também estava a evoluir bastante. Apesar de continuar a ser cuidadosa, ela dava a ele mais espaço e as conversas eram mais fluídas e leves. Num dia após a saída do seu estágio, Rafael não aguentou a curiosidade e decidiu perguntar: - Isabel! Você está com algum problema na sua Cidade? - Claro que não Rafa. Porque perguntas? - Eu percebi que és bem cuidadosa quando falas de ti. Mas também notei que estás sempre a olhar para trás e o lados como se tivesses receio de estar a ser vigiada. O Otávio também percebeu. - Nossa! Vocês são mesmo bem perspicazes. A verdade é que não gosto de falar sobre isso. É uma questão de família e envolve os meus pais. Mas eu juro que nenhum crime foi cometido. - Eu acredito em ti. E claro respeito a tua decisão de não falar sobre o assunto. Mas saiba que quando precisares podes confiar em mim. - Obrigada meu amigo. Saber que posso contar com você é muito importante para mim. - Eu particularmente dou muito valor á amizade. O Otávio quando chegou aqui também parecia perdido e não confiava em ninguém. Mas aos poucos ele se soltou e hoje somos melhores amigos. Ele é um verdadeiro mestre da arte da fotografia, e eu adoro o Designer Gráfico. Vou me formar nesta área e temos planos para trabalharmos juntos. - Isto é ótimo. Eu pretendo ter a minha própria Clínica. Trabalhar em Pediatria é um sonho que carrego desde a adolescência. Eles ainda conversavam quando encontraram Otávio. - Bom dia Isabel. - Bom dia Otávio. - Eu deixarei vocês. Prometi á minha mãe que a ajudava com algumas coisas. Até logo amigo. - Até logo Rafa. Eu estava indo comer alguma coisa. Aceitas ir comigo Isabel? - Sim claro. Obrigada. Eles foram até uma lanchonete que aquela hora estava com pouco movimento. O cheiro no interior era muito bom e Mariana gostou daquele ambiente calmo e acolhedor. - Uau! Aqui cheira tão bem. - É verdade. Este é um dos meus lugares favoritos da Cidade. - Consigo entender o motivo. Vamos pedir? - Claro. Eu sou cliente habitual. Deixas - me fazer os pedidos? - Sim por favor. Me surpreenda. - Assim será. Otávio fez os pedidos das sandes e sucos naturais de frutas vermelhas com hortelã. Estava tudo tão bom que Mariana repetiu e ainda pediu para viagem. - Há muito tempo que eu não comia tanto. Estava tudo perfeito. - Este lugar é incrível. Se eu não me cuidasse, a esta hora estaria literalmente redondo. - Eu também faço exercício. Desde pequena sempre gostei de caminhar com o meu pai. E também andávamos juntos de bicicleta. - Você sente a falta deles? Digo, dos teus pais? - Sim. Especialmente da minha mãe. Eu vim para aqui e m*l tive tempo para me despedir dela. Na verdade, eles nem sabem que estou aqui. - É sério?! - Sim eu...Posso confiar em você Otávio? - Claro. Eu jamais trairia a confiança que estás a depositar em mim. - Obrigada. Não vou entrar em muitos detalhes, mas eu fugi de casa por causa de uma situação que não pretendo aceitar. - Ainda não entendi. - O meu pai sempre foi o meu herói. Eu sempre confiei nele como o meu melhor amigo. Mas, ele acabou por criar um vício pelas apostas e contraiu dívidas com um homem muito poderoso. - E como isto te afetou? - Este homem exigiu que eu me casasse com ele em troca do perdão da dívida. E disse que o meu pai assinou um documento onde eu me tornava "noiva" deste Senhor. - O Quê?! Isto é sério? - Sim. Eu não aguentei a pressão e saí de lá no mesmo dia. - Que coisa horrível. Não podem forçar você a nada. És adulta. - Verdade. Mas o meu pai esqueceu disso. E agora estou aqui escondida e nem com a minha mãe posso falar. - Eu lamento imenso Isabel. O tal homem devia ter vergonha do pedido que fez. Não és propriedade de ninguém. - Por isso decidi sair de lá. Estou muito magoada com o meu pai. Mas, eu temo pela saúde dele e isso me faz sentir culpada de alguma forma. - Não. Tu não tens culpa de absolutamente nada. - Sim eu sei. Mas não é assim que eu me sinto. Vais contar - me também a razão de não teres aqui os teus pais? - Sim. A minha mãe era o amor da vida do meu pai. Ela morreu logo após o meu nascimento, e como consequência ele me afastou. Fui cuidado por outras pessoas que me deram muito amor, mas não preencheram o espaço vazio que ambos me deixaram. - Eu sinto muito. - Obrigado. O meu pai tem todo o tempo para estar nas suas reuniões de trabalho, mas nunca teve tempo para mim. Eu recebi um e-mail do assistente dele. - E-mail? Ele não liga? - Não. Mandou me dizer que vai se casar, e que eu devo estar presente. - O que vais fazer? - Sinceramente não sei. Mas não pretendo ir conhecer esta mulher. Que sejam felizes. A conversa seguiu. Agora Mariana e Otávio tinham ainda mais razões para confiar um no outro. Mas, nenhum deles imaginava a ligação que havia entre o que tinham acabado de partilhar um com o outro. E foi desta partilha sincera que começou a surgir o brilho de um sentimento bonito e forte.
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