Capítulo 3: A Bomba Relógio

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POV: Lorena Na quarta noite na casa da Yasmin, o silêncio dela começou a me incomodar. Enquanto eu chorava e bebia, ela apenas observava. — Você precisa parar, Lorena — Yasmin disse, tirando a garrafa da minha mão com uma frieza que me fez congelar. — O Lucca está sentindo tudo isso. A Sofia está com medo. E a gente tem problemas maiores do que a loucura daquela mulher. — Maiores? — gritei, minha voz rouca. — Ela me jogou na rua, Yasmin! Ela escolheu aquele desgraçado no lugar da própria filha grávida! — Ela fez a escolha dela, agora deixa ela pra lá — Yasmin respondeu com uma voz gélida, cortando o assunto sobre a mãe como se ela fosse irrelevante. — Eu não dou a mínima para o que a Abigail faz ou deixa de fazer com o marido dela. O meu ódio não é desperdiçado com quem não vale nada. Ela se aproximou, e o brilho nos olhos dela me deu um calafrio. Não era tristeza. Era foco. — Mataram o Guel na trairagem, Lorena. Os "amigos" que sentavam aqui em casa armaram para ele por causa de ponto. E o Benjamin... nosso irmão está lá dentro, marcado para morrer pelos mesmos ratos. Você acha que eu estou deprimida? Eu estou contando os dias. Eu travei. Ali eu entendi tudo. A Yasmin não queria vingança contra a mãe; ela não tinha tempo para rancor doméstico. O que estava criando aquela bomba relógio dentro dela era a sede de sangue contra os traidores do primo e a urgência de tirar o Benjamin da linha de tiro. — Você não pode ficar aqui — Yasmin continuou, voltando para o seu tom calculista. — O Gustavo vai usar essa medida protetiva para te prender se você respirar perto dele. Você vai embora. Recomeça em outra cidade, cria essas crianças. — E você? Vai ficar aqui sozinha? — Alguém tem que ser os olhos do Benjamin aqui fora — ela disse, e parecia que a Yasmin que eu conhecia tinha morrido para dar lugar a algo letal. — Alguém tem que descobrir quem deu o sinal verde para o Guel cair. Eu não tenho nada contra a mãe, Lorena... mas eu vou destruir cada um que tocou no sangue do nosso sangue. Arrumei as poucas roupas que ganhei. Dias depois, entrei no ônibus. Pela janela, vi a Yasmin na calçada. Pequena, silenciosa, mas perigosa. O despertar dela tinha começado. E os traidores do Guel não tinham ideia do que estava por vir.
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