Cheguei na sede da máfia transtornado e cego pela raiva que estava sentindo. O cara que roubou o contêiner de cocaína não terá tanta sorte de me ver bonzinho, porque vou usá-lo como saco de pancadas até descontar toda a minha raiva. Já no caminho da sala de torturas, sou parado por Sergei.
— Senhor Lankaster, seu pai ligou para cá e disse que quer muito falar com o senhor, ligou para o seu celular e não obteve retorno. — Sergei diz, vindo em meu encalço.
— Não quero falar sobre esse homem, mesmo que ele seja o dono dessa p***a toda. E quer saber? Solta o miserável do ladrão, eu não vou matá-lo. — digo voltando do caminho.
— Senhor, mas... — Sergei ia falar, mas o interrompi.
— Chega, p***a! Aquele miserável do Damon que se vire com essa merda dele. Não sou filho dele, então que se f**a. — aviso passando por ele.
Entro em meu carro pensando seriamente no que vou fazer da minha vida daqui para frente. O bom disso tudo é que tudo o que tenho, o império que construí, foi com meu esforço e dedicação, não construí nada com o dinheiro do Damon. No caminho, coloco uma música para espairecer a mente, e tive uma ideia. Pego meu celular no bolso da calça e disquei o número da empresa, a sala na qual Sara trabalha.
— Alô? — escuto a voz dela, tão calma.
— Sara, estou indo embora para a Rússia, e quero que você arrume suas malas e vá comigo. — sou direto e objetivo.
— Ficou louco!? Não vou com você para lugar nenhum. — Grita e bate o telefone na minha cara.
— Ela desligou? Desligou na minha cara? Tá bom, Sarinha, você vai comigo por bem ou por m*l. — digo para mim mesmo, ainda com o celular em mãos, disquei o número de Sergei e ele atendeu no segundo toque.
— Sim, senhor.
— Quero que você organize dois dos seguranças e sequestre para mim Sara Huston, quero hoje à noite assim que ela sair da empresa, mandarei a foto dela para você! — Digo com raiva.
— Sim, senhor. — concorda.
— Sergei, não quero falhas, e dê ordens aos garotos para que não a machuquem, levem ela para minha chácara e fiquem de olho até eu chegar lá. — falei encerrando a ligação.
Parei o meu carro na frente de casa, meus seguranças abriram o portão assim que me viram.
— Boa tarde, senhor. — me cumprimentaram, eu apenas buzinhei com o carro e segui adiante. Desci na porta de casa e entrei pra dentro.
— Senhor vai querer jantar? — Amélia pergunta me olhando.
— Não, Amélia, obrigado. Vou viajar por alguns tempos, eu peço que cuide da casa como sempre faz, e se precisar de ajuda me avise que eu arrumo outra pessoa pra te auxiliar na cozinha. — falei beijando o topo da cabeça dela.
— Se o senhor preferir, posso ir arrumando suas malas enquanto janta, mas pelo menos coma alguma coisa, querido. — insistiu
— Tudo bem, Amélia, só vou comer porque você me pediu, mas sinceramente não estou com muita fome. — falei soltando um suspiro pesado.
— Não sei qual é o problema que o senhor está passando, mas recordo-me que a última vez que ficou assim foi por causa da senhorita Sara, e você me falou que ela tinha viajado. — Amélia me lembra quando eu era adolescente e que eu contava tudo pra ela, enchia a cabeça dela com meus problemas amorosos e o quanto Sara me fazia falta.
— Ah, Amélia — falei cansado. — Sara está de volta, lutei tanto por ela, mas a única coisa que ela sabe fazer e me mandar pro espaço. — falei pensativo.
— Sinto muito, querido, mas não se preocupe, dê tempo ao tempo que ela vai sentir algo por você, tenho certeza. Você é um homem maravilhoso e ela vai conhecer esse lado, você vai ver. — falou passando a mão em meu rosto.
Amélia sempre foi como uma segunda mãe pra mim, claro que minha mãe também é tudo, que me aconselha e está ao meu lado quando mais preciso, porém Amélia também tem aquele lugarzinho no meu coração, e como dizem por aí "Coração de mãe é grande e cabe todos", o meu não é diferente, cabe todo mundo, a diferença é que não sou mãe!
Eu pegava todos os conselhos de Amélia, e o que ela me falava sempre era o correto e no final dava certo, assim como ela me falava. Porém, sobre o sequestro de Sara, eu não falaria nada, embora eu nunca esconda nada dela, sei que se eu contar, ela vai me dar um sermão daqueles e vai fazer com que eu desista da ideia, e claro eu não quero desapontá-la, eu vou levar Sara comigo. Eu a convidei e não quis ir comigo de livre e espontânea vontade, então apelei para o lado mais difícil.
Amélia colocava minha janta calmamente enquanto cantarolava pela cozinha, eu admirava essa alegria e força de vontade que ela tem.
Minha mansão é enorme, não digo pelo tamanho dela, mas porque só havia apenas eu e Amélia dentro, a mansão é enorme somente para duas pessoas, eu queria muito que Sara me visse com outros olhos, que aceitasse casar comigo, e sem exagero pensei na possibilidade de ter filhos com ela, e vê-los correndo por esse casarão, eles trariam alegria pra todos nós.
Fico comendo enquanto vejo Amélia entrar na cozinha me mostrando um sorriso maravilhoso.
— Então? Gostou da comida. — pergunta animada.
— Por que não? Você cozinha perfeitamente bem, não faço diferença entre sua comida e a da minha mãe. — falei sorrindo, mostrando um sorriso a ela.
Estive ali conversando por mais algumas horas com Amélia até que meu celular toca anunciando uma mensagem. Sergei estava na frente da empresa, esperando Sara sair. Me apressei e fui pro quarto tomar banho e pegar o avião.