Lizzy
Puta m***a.
E agora?
Esfrego os olhos achando que eu posso estar vendo coisas, mas não é nada disso. O que eu vi é a realidade pura e simples.
O bonitão de ontem a noite é o meu vizinho.
Fico imaginando o que eu posso fazer para que ele não me reconheça, mas eu acho difícil conseguir esse feito. Apesar de estar fantasiada, eu não estava com o rosto escondido ou coisa do tipo, apenas usava uma maquiagem mais pesada do que eu costumo usar e vestia uma fantasia. Tenho certeza que ele vai me reconhecer assim que me ver e aí eu vou ter que suportar o peso esmagador da vergonha pelo que eu fiz.
Apesar de estar bêbada a ponto de tropeçar nos próprios pés, eu lembro de cada parte do que aconteceu, até aquele diálogo lamentável que eu tive com ele. Quando eu lembro dessa parte fico realmente embaraçada.
Alguém me leve para longe desse belo homem, por favor.
Eu queria derreter em uma poça no chão.
Infelizmente, isso não ia acontecer, então eu só tinha uma opção, e não era a de encontrá-lo e pedir desculpas pelo meu comportamento lamentável ontem. Eu só podia fazer uma coisa agora.
Eu tinha que ir ao salão de beleza.
Assim que o homem sumiu da minha vista, peguei um óculos e um casaco com capuz, cobri meu rosto o máximo que pude e apanhei minhas chaves e arranquei para fora dali, fui até o salão onde eu costumo ir e mandei que tingissem meu cabelo e cortassem em um corte curto. Acabei saindo de lá loira platinada e com um corte Chanel. Agora era torcer para que ele não me reconhecesse nunca.
Me sentindo renovada, vi a necessidade de ver a minha irmã e conversar com ela sobre a minha recente descoberta e sobre sua maldita boca. Assim que cheguei no apartamento, percebi que o odioso Jason estava com cara de poucos amigos, mas ele está assim na maioria do tempo, então eu não liguei muito para isso.
– Lara! – gritei quando Jason abriu a porta.
– Você precisa gritar a essa hora? – Jason rosna.
– Não. Mas isso não quer dizer que eu não vou. – respondi petulante.
– v*******a barulhenta. – murmura tão baixo que eu quase não ouço.
– Porco. – devolvo no mesmo tom murmurado.
Ele parece ter ouvido o que eu disse, ficou me encarando por alguns segundos e depois deu as costas e saiu da minha frente.
Ótimo.
Mas se tivesse vindo para cima, ele ia ter um inferno de uma mulher louca aqui.
– Lizzy, o que faz aqui a essa hora? – pergunta com uma caneca de café na mão.
Arranquei a caneca de café e dei um gole bem generoso.
– Ah, você não sabe o que aconteceu. – começo.
– Não. Mas, você vai me contar, obviamente. – Puxa uma cadeira e oferece ao lado dela para que eu me sente.
Suspiro audivelmente. – Sabe o cara bonitão de ontem? – pergunto.
– O que tem ele? – pergunta confusa.
– É meu vizinho. – solto uma respiração alta.
– Ah! Eu te avisei. – levanta e começa a rir de mim. – Eu disse pra você que isso poderia acontecer. – aponta o óbvio.
– Parabéns pela sua boca de profeta! – devolvo cheia de sarcasmo.
Quando Lara para finalmente de rir de mim, ela volta a se sentar e pega seu café e volta a bebê-lo totalmente imperturbável.
– Então, o que você vai fazer agora? – pergunta curiosa.
– Não é óbvio? Eu já fiz. Corri no salão e mudei meu cabelo. – aponto minha cabeça. – Eu não admito nem morta que sou aquela rainha de copas bêbada e de atitude vergonhosa. – respondo com convicção.
Eu nunca admitirei que eu era aquela pessoa.
NUNCA!
Ouviu bem, universo.
– Certo. – responde cética. – Eu não sei se isso vai mesmo funcionar, mas pode adiar o inevitável por algum tempo. – termina.
– Oh, pare com isso. – bato em seu ombro.
Ouço a porta bater com força, o que sinaliza que o odioso Jason saiu.
– O que diabos ele tem hoje? Parece estar pior que o normal. – pergunto.
Lara suspira cansada. – Nós tivemos uma briga ontem a noite.
– E porque? – pergunto pegando mais café.
– Por sua causa. – responde.
Minha causa? E o que diabos eu fiz pra ele ficar tão bravo? Eu nem gosto daquele i****a.
– Seja específica. – peço.
– Ele ficou furioso com o seu comportamento de ontem e agora quer que eu decida entre ele ou você. – responde exasperada.
O que?
– Ele ficou louco? Eu já não gosto do cara, e agora eu tenho um caso eterno de raiva por ele. Esse i****a não sabe que somos família? Enquanto ele não passa de um p*u, literalmente. – levanto. – Se eu pudesse, tirava a cabeça dele da própria b***a, mas o i****a já está além do conserto. b****a. – termino andando de um lado para o outro.
– Eu também acho que é extremo demais. Eu nunca vou me separar de você, mas dele, já é outro assunto que eu não quero pensar hoje. – responde cansada.
– Pois no seu lugar, eu pensaria nisso agora mesmo, e de preferência enquanto arrumava minhas coisas e ia embora daqui. – sugiro.
– Não é tão fácil assim. – suspira.
– Mas para ele foi fácil sugerir um disparate desses. – rebato.
– Você tem um ponto. – admite.
– Eu tenho que ir agora. – olho o relógio. – Mas me prometa que você vai pensar cuidadosamente nesse assunto. De preferência favorecendo a ideia de deixar aquele b****a. Ele não te merece. – peço seriamente.
– Tudo bem, eu pensarei no assunto. – responde do seu lugar.
Dou-lhe um beijo e um abraço e me retiro apressadamente dali. Eu tenho algumas coisas a resolver e não posso ficar muito tempo, mesmo querendo ficar e influenciar a minha irmã a deixar aquele cara.
Passei o dia inteiro fora. Saí de um lugar para outro evitando diligentemente ir para casa, mas quando estava quase anoitecendo, eu já estava cansada demais para me importar com qualquer coisa que não fosse um banho quente e uma pizza. Meus pés doíam e eu tinha os olhos vermelhos, meu cabelo estava bagunçado e as minhas roupas não eram exatamente as melhores. Eu estava cansada e só queria voltar para casa e ficar confortável na minha cama. Eu nem sequer pensava no que aconteceria se eu encontrasse meu vizinho gostoso ou coisa do tipo, ele provavelmente estava fora fazendo alguma coisa e eu não o veria pela próxima semana.
Eu pensava assim.
Estava secando o meu cabelo depois de aproveitar um banho bem demorado e uma batida na porta me surpreendeu.
Quem poderia ser a essa hora?
Talvez fosse a minha irmã que resolveu finalmente largar aquele porco e voltar para casa. Fui até a porta apressadamente, e feliz imaginando que a minha irmã estava do outro lado e poderíamos finalmente ter uma noite das meninas. Onde comíamos sorvete direto do pote e falávamos m*l do ex miserável dela.
Mas não era Lara.
Era o novo vizinho bonitão.
Ele estava sorrindo para mim, mas se eu não fechasse essa porta logo ele poderia me reconhecer e começar a rir de mim por ser uma bêbada desengonçada e desavergonhada que vomita nas pessoas e depois flerta com elas. Antes que o coitado tenha tido a chance de abrir a boca e dizer o que estava acontecendo, bati a porta na cara dele e fiquei ali, encostada na porta e paralisada ao perceber o que eu fiz. Eu estava além de mortificada e já colecionava vergonhas e mais vergonhas com aquele desconhecido diretamente envolvido. Agora ele vai pensar que eu sou louca ou m*l educada. Agarrei a toalha que estava usando para enxugar meu cabelo e cobri meu rosto deixando apenas os olhos de fora e voltei a abrir a porta, ele estava saindo e parecia um pouco pensativo.
– Hey! – gritei.
Ele levantou a cabeça e ficou me observando do final da calçada, fiz sinal para que ele voltasse. Depois de olhar atrás dele para ter certeza que eu falava com ele mesmo, ele acabou voltando até a porta.
– Desculpe, eu meio que me assustei quando abri a porta. Eu pensei que era a minha irmã e quando vi você agi por impulso. – menti.
Era isso ou dizer: Ei cara, eu sou a garota que vomitou em você ontem e também flertou com você depois daquilo, eu sei que foi nojento, mas somos vizinhos e podemos começar outra vez?
DEFINITIVAMENTE NÃO.
– Certo. Mas porque você está cobrindo o seu cabelo? – pergunta curioso.
– Oh, isso não é nada demais. Eu acabei de sair do banho e meu cabelo está parecendo um ninho de pássaros. – brinco. – Mas, porque você bateu aqui? – vou direto ao ponto. Por mais bonito que ele seja, eu preciso que ele vá embora logo ou eu vou morrer de vergonha na porta da minha casa.
– Ah, é verdade. Eu sou seu novo vizinho e ainda estou desempacotando e queria saber se você tem um pouco de açúcar para me emprestar? – pergunta com uma xícara na mão que eu ainda não tinha visto.
Quão clichê essa situação pode ser?
Meu deus, eu estava prestes a negar uma xícara de açúcar a alguém quando bati a porta momentos antes.
– Claro, claro. Só um instante. – agarro a xícara e corro até a cozinha, encho até derramar e volto rapidamente até onde ele me espera do lado de fora.
– Aqui. – ofereço.
– Obrigado. – sorri o sorriso mais lindo que eu já vi. Mas não posso cair nesse feitiço, se fizer isso, posso colocar tudo a perder.
– Por nada, tchau. – fecho a porta rapidamente.
Ele vai me achar rude e talvez louca, mas eu não posso mais fazer isso, não quando eu me lembro de ontem.
Prevejo muitos problemas para driblar meu vizinho gostoso, mas eu pretendo fazer isso por tempo o suficiente para que ele esqueça aquele infeliz episódio e não veja nenhuma semelhança entre mim e a mulher daquela noite e quando eu tiver certeza que eu não vou surtar ou morrer de vergonha na frente dele, nesse momento eu vou me aproximar e fazer a minha jogada com o cara, até lá, é melhor observá-lo de longe.