Olho em volta adorando o fato da casa de Pandora ser afastada de tudo, porém é muito próxima da floresta proibida e isso atiça ainda mais a minha curiosidade sobre a floresta, caminho entre Petra e Calvin olhando em volta ainda desconfiada e paranóica com o homem que vi mais cedo antes de Calvin insistir por quase meia hora que deveríamos aproveitar a oportunidade única de conhecer a casa de Pandora, pois ela não parece ser do tipo que convida qualquer um para sua casa, então aqui estamos após comprar um monte de besteiras.
- Eu não sei se é uma boa idéia aparecer a essa hora sem ela estar em casa, mesmo que ela tenha garantido que sua mãe vai adorar ter companhia. - digo olhando de um para o outro os vendo revirar os olhos.
- Para de ser chata abelhinha, se ela disse que tá tudo bem e que a mãe vai gostar, então relaxa. - diz Petra e eu a olho de canto.
- Ela tem razão, você tem que relaxar, além do mais trouxemos comida, então ela vai nos adorar. - diz Calvin e eu reviro os olhos parando próximo a porta pronta para desistir.
- Eu acho melhor a gente esperar a Pandora chegar para depois vim. - digo me virando e então ouço a porta da casa ser aberta.
Me viro novamente e então vejo uma mulher ruiva de aparência impecável, olhos tão azuis quanto os de Pandora, pele clara, sardinhas nas bochechas, lábios avermelhados, ela está coberta por um roupão e os cabelos ondulados soltos a faz parecer uma modelo pronta para filmar um comerciais de roupões ou algo do tipo.
- Eu estava esperando vocês, entrem por favor, está frio essa madrugada e eu não quero que fiquem resfriados. - diz sorrindo abertamente dando espaço para que possamos entrar em sua casa.
Este é um momento em que o ditado " filho de peixe, peixinho é."
Faz todo o sentido para mim.
A beleza é algo de família.
Passo pela porta sendo puxada por Petra e a ruiva sorrir de canto para mim com uma expressão de diversão como se soubesse de algo engraçado ou suspeito ao meu respeito e isso me deixa sem jeito, desvio o olhar e então foco minha atenção no interior da casa me surpreendendo com o fato da casa ter uma decoração tão moderna, pelo pouco que ela disse de sua mãe eu imaginei que haveria livros espalhados por todo o lugar, mas tudo é tão organizado com móveis de cores neutras e a pintura da mesma cor, havia alguns ítens decorativos que deixava a casa com um ar aconchegante e vibrante como quadros com pinturas modernas, apesar de haver réplicas de grandes clássicos.
- Bom, deixa eu me apresentar, sou Mikhaela McCracken, mãe da Pandora. - diz a mulher chamando nossa atenção.
- Eu sou Calvin Miller, o nerd. - diz o loiro apertando a mão da mulher que sorrir.
- Petra Wheeler, a v***a má do grupo. - diz sorrindo para a mulher que ri e em seguida me olha ainda com aquela expressão.
- Você deve ser a Luna Blackwood, ouvi falar muito de você. - diz a mulher estendendo a mão para mim.
- Espero que não tenha sido coisas ruins ou pelo menos não tão ruins. - digo nervosa apertando sua mão e ela sorrir de canto.
- Todas as coisas ruins um dia já foram boas ou ainda serão boas. - diz divertida e em seguida coloca a mão sobre a boca. - Apesar que dizem por aí que há sempre uma maçã podre que vem para infectar todos os frutos do pé, essas não tem jeito pois o m*l já está impregnado na raíz. - completa sussurrando como se estivesse me contando um segredo e eu faço uma careta.
- Existem maus que são irremediaveis. - digo me lembrando do jantar.
Aquilo é coisa de algum ser c***l.
Provavelmente " o verdadeiro m*l irremediável. "
- Sentem-se por favor, não fiquem com vergonha, mi casa es su casa. - diz Mikhaela animada e eu olho para Petra que retribui o olhar.
- É muito gentil da sua parte senhora. - diz Calvin sorrindo.
- Querem alguma coisa para beber ou comer, posso preparar algo para vocês se quiserem. - diz e eu n**o.
- Não queremos incomodar. - digo e ela me olha.
- Não incomodam, a presença de vocês aqui é bem vinda, então vou preparar um lanche para vocês, fiquem a vontade para explorar a casa, mas não desçam para o porão pois tem ítens caros e frágeis lá esperando para ganhar um lugar na decoração. - diz divertido e isso me deixa curiosa.
Eu adoraria ver esses ítens.
Adoraria mesmo.
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Caminho pelo corredor do andar de cima em busca do banheiro, estar na casa de Pandora é um pouco engraçado, ainda mais sem ela, não que sua mãe não seja agradável, ela está sendo muito legal e comunicativa, também é engraçada, apesar de me olhar de uma maneira estranha vez ou outra.
As vezes parece estar me analisando.
É um pouco desconfortável, mas eu acho que entendo.
Respiro fundo abrindo uma das portas e então sorrio ao ver uma sala de leitura com várias estantes de livros, aposto que Pandora passa muito tempo aqui se levar em conta que sempre a vejo carregando um livro, contenho a vontade de entrar e olhar tudo de perto, fecho a porta e então sigo para a próxima a abrindo vendo que se trata de um quarto comum, provavelmente deve ser de hóspedes, fecho a porta e sigo para a próxima porta a abrindo e encontrando outro quarto de hóspedes, mas a frente tinha uma sacada, vejo algumas poltronas e uma mesinha de centro através da porta de vidro.
Sigo para as últimas portas ignorando as outras, afinal o banheiro só poderia estar entre uma delas, olho para as quatro portas, duas a esquerda e duas a direita, sigo para a penúltima da esquerda e a abro vendo outro quarto, mas dessa vez não é um quarto de hóspedes pois tinha uma decoração diferente, penso em fechar a porta e seguir para a próxima, mas a curiosidade fala mais alto então entro no quarto. Não fecho a porta, apenas entro no quarto vendo alguns quadros no canto e em um deles estava eu sendo abraçada por James, Calvin e Kai enquanto Petra estava sentada sorrindo em nossa direção, a pista de boliche ao fundo me faz entender que a pintura é uma representação do momento em que fiz o strike, mas Pandora não estava na pintura. Sigo até o quadro o olhando melhor tendo a certeza de que realmente é uma pintura sobre aquele momento, me pergunto se ela poderia ter pintado isso, afasto o quadro vendo outro e sorrio ao ver que era uma pintura de Mikhaela.
- Ela gosta de pintar e tocar piano nas horas vagas. - a voz de Mikhaela me faz pular de susto.
- p**a m***a ! - exclamo levando a mão ao peito e ouço sua risada.
- Me desculpa, mas eu não pude perder a oportunidade de te assustar. - diz e eu olho para ela nervosa e totalmente sem jeito.
- Eu que deveria pedir desculpas por invadir o quarto dela. - digo evitando a a olhar e ouço sua risada.
- Não se preocupe, algo me diz que você ela não vai querer m***r por invadir seu espaço. - diz divertida entrando no quarto e em seguida vai até o closet da garota me deixando sozinha por alguns segundos. - Acho que desse você vai gostar ainda mais. - diz voltando com um quadro na mão e em seguida o vira me permitindo ver a mim mesma na tela.
Me aproximo dela pegando a tela de suas mãos surpresa por saber que Pandora tem um talento desse e que ela pintou a mim, observo cada detalhe impecável da pintura e o destaque em meus olhos, sorrio pensando seriamente em roubar essa pintura para mim.
- Você tem um efeito interessante sobre ela. - diz Mikhaela sorrindo de canto enquanto me olha. - E acho que ela tem o mesmo efeito sobre você. - completa e eu a olho.
- Que tipo de efeito eu tenho sobre ela ? - pergunto incapaz de conter a minha curiosidade.
- Acho que isso você tem que perguntar a ela. - responde divertida e eu sorrio. - Mais como mãe meu dever e perguntar a você que tipo de efeito ela tem sobre você. - diz e eu suspiro fazendo uma careta.
- Eu não sei. - digo e ela arqueia uma sobrancelha da mesma maneira que Pandora faz e isso me faz querer rir. - Eu realmente não sei, acho que ainda estou no caminho para encontrar a definição. - completo e ela sorrir de canto.
- Entendo. - diz e eu volto minha atenção para a pintura. - Você me lembra a sua avó, Cassandra, são bem parecidas. - completa e eu fico confusa.
- Conheceu a minha avó ? - pergunto surpresa e ela assente.
- Claro, ela foi um dos últimos rostos que vi antes de me mudar após adotar Pandora. - responde e isso atiça a minha curiosidade.
- Como ela era ? - pergunto e ela sorrir.
- Se você se olhar no espelho saberá como ela era, não só na aparência, mas também na personalidade. - responde e eu sorrio. - Apesar que você tem um certo brilho diferente. - completa tranquila se sentando na ponta da cama.
- Eu não a conheci, ela morreu depois que eu nasci. - digo colocando a pintura encima da cama.
- Eu fiquei sabendo, na verdade ouvi dizer que foi um trágico acidente de carro em que ela estava sozinha. - diz e eu a olho. - O que é bem estranho, pois sua vó não sabia dirigir, pelo pouco que sei, o seu avô não permitia que ela andasse sozinha, então ela tinha um motorista particular e segurança. - completa e isso me deixa ainda mais desconfiada sobre a causa da morte da minha vó.
O fato dela não saber dirigir não bate com as histórias que ouvi.
Segundo meu pai minha vó estava dirigindo, ou seja, ele mentiu.
Todos na verdade, até mesmo meu tio e minha mãe.
Todos mentiram para mim e Kai todo esse tempo, nossa avó não morreu em um acidente, algo aconteceu e eles esconderam os fatos por alguma razão, aquela marca do conselho em seu túmulo me faz levantar a hipótese de que talvez ela tenha feito algo proibido e se isso for verdade, então ela não morreu.
Ela foi morta pelo conselho.
Agora mais do que nunca eu tenho que achar aqueles papéis.
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