Dirigir com uma mão não deveria ser algo difícil, mas e que com ela segurando minha mão eu tenho que me esforçar para não desviar minha atenção para ela ao invés de focar na estrada. Acho que ainda estou presa no momento em que a beijei, porque finalmente me senti viva, senti algo mais intenso que qualquer outra coisa que eu já tenha sentido antes, maior até que minha vontade de m***r e a sensação de estar viva foi ainda melhor.
E eu quero essa garota.
Ela é minha maldição.
Sinto vontade de rir com esse pensamento porque seria bem engraçado se gostar de Luna fosse minha maldição e eu até não descarto essa hipótese, afinal temos uma ligação, uma ligação única é aparentemente inexplicável, então todas as possibilidades são válidas quando se trata de nós duas. Me pergunto o que a garota vai achar quando souber de toda a história por trás de tudo isso, me pergunto se ela entenderia ou se surtaria e fugiria para bem longe, também não posso me esquecer que matei alguém de sua família o que para mim não faz diferença, um morto a mais, um morto a menos para mim tanto faz.
Mais e pra ela ?
Fará diferença ?
- Sua mãe não vai se importar com a minha presença em excesso ? - pergunta Luna chamando minha atenção e eu a olho rapidamente.
- Não se preocupe, ela gosta de casa cheia. - respondo divertida e ela sorrir negando com a cabeça. - É sério, não precisa se preocupar, eu não sou um poço de atitudes sociáveis, então você, James, Petra, Calvin e Kai frequentarem nossa casa para ela é um alívio, saber que tenho amigos e quase como ganhar na loteria para ela. - digo fazendo uma careta porque isso soou um pouco estranho para mim.
- Ela te ama. - diz sorrindo e eu assinto. - Ela até questionou meus sentimentos por você. - completa e eu não posso conter o riso.
- Eu já imaginava que ela tivesse feito algo assim, afinal ela nunca deixa uma oportunidade passar e você em nossa casa foi a chance de ouro dela. - digo me divertindo com a situação e ela sorrir apertando minha mão e em seguida entrelaça nossos dedos.
- Eu adorei as suas pinturas e estou ansiosa para te ver tocar piano. - diz e eu a olho de canto arqueando uma sobrancelha e sorrio. - Eu gosto quando faz isso. - diz e eu solto sua mão por um momento para fazer a curva e em seguida volto a juntar nossas mãos.
- Isso o que ? - pergunto divertida e ela revira os olhos.
- Isso aqui. - responde me olhando de canto sorrindo com uma sobrancelha arqueada e em seguida as mexe freneticamente me fazendo rir diante da sua imitação boba de mim.
Ela é boba.
Muito boba.
- Sabia que eu posso te morder né ? - questiono e ela se vira um pouco me olhando com uma expressão de diversão.
- Se for de um jeito bom, talvez eu até permita. - responde e eu a olho por um instante.
- O carro tem piloto automático, então não ouse me desafiar lobinha. - digo e ela rir.
- E se eu desafiar, o que você vai fazer ? - pergunta parecendo se divertir.
Sem aviso prévio tiro meu cinto de segurança e em seguida aperto o botão do piloto automático e então me viro ficando de frente para ela e inclino meu corpo para frente aproximando meu rosto do seu a vendo sorrir com uma sobrancelha arqueada. Paro meu rosto próximo ao seu olhando em seus olhos verdes admirando cada detalhe deles e apreciando a beleza dessa garota e então toco seu rosto a vendo passar a ponta da língua no lábio inferior na tentativa de hidrata-lo, mas para isso é mais um convite e então junto nossos lábios sentindo aquela sensação boa em meu peito enquanto acontece uma revolução em meu estômago que me faz pensar por um momento que vou vomitar enquanto anseio por mais contato. Nossos lábios se movendo em sincronia, se provando, se testando, se conhecendo, sinto seu toque em minha nuca e em seguida crava suas unhas na pele exposta com um pouco de força me fazendo agarrar e apertar sua cintura em resposta.
Eu não quero parar.
Eu não pretendo parar.
Eu quero mais.
Eu quero Luna Blackwood.
Fico surpresa ao senti-la morder e em seguida c****r meu lábio inferior suspirando, mas sorrio gostando muito de sua atitude, na verdade tô começando a achar que é quase impossível não gostar dela, essa garota esbanja charme.
- Vou te desafiar mais vezes, eu juro. - diz em tom de diversão sorrindo e eu beijo sua bochecha.
- E eu juro te punir assim todas as vezes. - digo no mesmo tom voltando a minha posição anterior, mas não coloco o cinto de segurança pois já estamos chegando.
- Estou um pouco nervosa. - diz e eu a olho de canto.
- Com a minha mãe ? - pergunto em tom de diversão e sinto seu olhar sobre mim.
- Com ela e tantas outras coisas que eu acho que você não entenderia se eu te falasse. - responde e eu sorrio vendo minha casa mais a frente.
- Tenta, eu sou bem evoluída para a minha idade e pode acreditar, nada me surpreende mais nessa vida. - digo e ela me olha um pouco relutante em falar.
Se ela soubesse que já sei de tudo.
Se ela pudesse imaginar que eu sei até mais do que ela sonha e que eu tenho todas as respostas para as suas perguntas.
- Não faz muito tempo, mas eu já estive em uma situação complicada onde eu fiquei um pouco fora de mim por um bom tempo e fiz coisas das quais eu não me arrependo, mas eu sei que decepcionei a minha mãe. - digo chamando sua atenção enquanto paro o carro em frente de casa. - Eu ainda me lembro de como ela me olhou e de como aquilo me afetou de uma maneira que eu não consigo explicar até hoje, mas desde então eu tento me manter no controle de tudo para que eu não volte a vê-la me olhar daquela maneira. - continuo e ela me olha em silêncio. - E a primeira vez que digo isso para alguém e que falo sobre algo que me afetou de uma maneira negativa. - completo um pouco confusa e a ouço suspirar.
- Fico feliz de ser a primeira pessoa a ter tido o privilégio de saber tudo isso. - diz tirando o cinto de segurança e em seguida alcança minha mão enquanto eu acompanho cada movimento seu em silêncio.
- Primeira e única. - digo olhando em seus olhos. - Eu não sou do tipo que desabafa, que se arrepende das coisas ou que sai por aí chorando, não que eu ache que quem o faz seja fraco, eu só não sou assim e talvez eu seja um pouco ou talvez muito insensível. - completo e ela sorrir.
- Eu não te acho insensível só porque não lida com seus sentimentos da mesma maneira que a maioria lida. - diz e eu sorrio de canto gostando desse momento a sós com ela. - Eu não posso mais voltar para casa. - confessa e eu a olho ansiosa por suas próximas palavras. - Eu meio que fiz algo grave, algo provavelmente imperdoável e não posso mais voltar, também não sei o que fazer a partir de agora. - diz e em seguida respira fundo enquanto eu entrelaço nossos dedos mantendo meu olhar no seu. - Eu descobri coisas que depois que eu conseguir dormir um pouco eu sei que vão me afetar de uma maneira irreversível, eu acho que estou mudando e tudo a minha volta está mudando em uma intensidade maior e o pior e que pode acontecer coisas ruins com pessoas que eu gosto por culpa minha. - completa abaixando o olhar.
- Luna, talvez você não tenha entendido o que eu te disse mais cedo, então vou repetir de uma maneira mais clara. - digo chamando sua atenção vendo seus olhos verdes me fitarem com atenção. - Não importa o que aconteça ou o que você faça, você sempre terá a mim e com isso eu espero que você entenda que isso significa que você sempre terá um lugar ao meu lado se isso for da sua vontade e não importa o que aconteça eu estarei ao seu lado, eu faço e farei tudo o que for preciso pra que você fique bem. - completo e ela sorrir, mas a expressão de dor em seu rosto me faz entender que ela está se segurando, ela está tentando se manter firme quando ela só precisa deixar que tudo saia para fora.
Solto sua mão e saio do carro, em seguida dou a volta no veículo e abro a porta para que ela também saia e quando ela o faz eu a abraço sem aviso prévio, apenas a puxo contra mim a apertando com um pouco de força.
- Não precisa se conter, coloca pra fora lobinha e deixa que eu cuido de você. - sussurro sentindo seus braços rodearem minha cintura.
E então sinto as lágrimas quando ela esconde seu rosto na curva do meu pescoço, suspiro odiando vê-la assim e então prometo a mim mesma que não haverá mais um dia de paz na vida de Cerberus Blackwood, não enquanto eu viver.
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Após chegarem em casa com uma pilha de livros, algumas respostas e mil perguntas rondando suas mentes, Calvin e Mikhaela se jogam no sofá da sala, porém a bruxa nota algo estranho, ela olha em volta e ao ver Kimora se aproximando ela relaxa.
- Acharam o híbrido ? - pergunta Mikhaela fechando os olhos.
- Porque não vai no porão checar ? - questiona divertida e a bruxa mais velha sorrir.
- Acorrentado em um círculo mágico no porão, típico da minha filha. - responde ainda sorrindo enquanto Calvin observa as duas em silêncio.
- Descobriram alguma coisa ? - pergunta Kimora e Calvin levanta o polegar.
- Sim, mas vamos esperar a Pandora para falar, assim não precisaremos repetir tudo outra vez. - responde e Kimora sorrir.
- Acho que ela vai demorar, pois está bem ocupada lá encima. - diz a bruxa e Mikhaela e Calvin trocam olhares.
- Ela trouxe alguém para casa ? - questiona Mikhaela e a bruxa mais nova assente.
- Deixa eu adivinhar, um pouco mais baixa que a Pandora, pele bronzeada, olhos verdes lindos de m***r e cabelos ondulados ? - questiona Calvin e Kimora assente.
- A garota Blackwood. - responde Mikhaela sorrindo de canto totalmente feliz por as coisas entre as duas finalmente chegarem a esse ponto.
A mulher sabia que esse momento chegaria, sabia que as duas não poderiam ficar longe uma da outra por muito tempo, pois a ligação entre elas é forte demais e era apenas questão de tempo para uma ir em busca da outra. Ela sabe disso porque ela tentou a todo custo quebrar a ligação entre elas, afinal ela odiava todos da família Blackwood devido ao seu passado com Kasper Blackwood, o primeiro e único homem que ela amou, o homem que a enganou e depois matou todo o seu clã incluindo a ela, a garota que ele jurou que amava. Naquela época ela não entendia até que ponto ia a maldade no coração de algumas pessoas e lançar aquela maldição sobre a família Blackwood foi a sua maneira de se vingar, romper todos os limites impostos pelo seu clã e usar da magia proibida para amaldiçoar aquela família e alcatéia pareceu ser o seu melhor ato em seus últimos suspiros, mas desde que descobriu a ligação de sua filha com uma Blackwood ela se questiona se foi a melhor decisão, ela não se arrepende, até porque não pode mudar o passado, mas e se de alguma maneira a maldição atrapalhar o que sua filha tem com aquela garota.
Isso a tornaria culpada, certo ?
Mesmo que ela não pudesse prever que isso aconteceria, ainda sim ela se sentiria culpada.
Afinal ela é a mãe de Pandora não importa se elas não compartilham do mesmo sangue e genética, ela a ama e só isso basta para que ela queira fazer sempre o melhor para ela.
E foi com esse pensamento que ela achou que seria melhor buscar uma maneira de quebrar a maldição, mas parou ao entender que a família Blackwood nunca deixaria sua herdeira ficar com a sua filha por livre e espontânea vontade, eles nunca permitiriam que as garotas ficassem juntas, ela sabe disso pois viu com seus próprios olhos o que aconteceu com Cassandra Blackwood e com isso ela deduziu que a melhor maneira de ajudar as garotas seria deixando que tudo ocorra como já foi destinado, afinal a ligação entre elas foi um aviso direto do destino sobre estar a frente de tudo, não importa o que todos queiram, as coisas vão acontecer da maneira que o destino quiser que aconteça.
- Então essa é a garota que você amaldiçoou a linhagem ? - questiona Kimora curiosa com essa situação. - E ela tem uma ligação com a sua filha ? - questiona novamente ao se lembrar do que sua mestra disse sobre as duas garotas.
- Exatamente. - responde Mikhaela encarando a garota. - Vai nos contar o que sua mestra disse sobre isso ou não é o momento certo ? - questiona e Kimora sorrir.
- Acho que você de certa forma já sabe, então vamos esperar mais um pouco. - responde e Mikhaela assente.
- Esperar mais um pouco para que ? - a voz questionadora de Pandora chama a atenção dos três que olham imediatamente para a escada vendo a garota desce-la sozinha.
- Para abrirmos a nossa caixinha de esperança. - responde Mikhaela sorrindo para sua filha que arqueia uma sobrancelha.
- Onde está James ? - pergunta a loira olhando em volta.
- Achei melhor deixarmos ele em sua casa e antes que você resmungue eu coloquei um feitiço de p******o na casa. - responde Mikhaela e Calvin se levanta rapidamente indo até Pandora.
- Vai me deixar ver o híbrido ? - pergunta esperançoso e a loira sorrir.
- Vou fazer melhor que isso. - responde tocando o ombro do garoto. - Vou te levar comigo para uma noite de aventura. - completa divertida e o loiro arregala os olhos.
- Vou te ver em ação ? - questiona incrédulo e a garota assente.
- Sim, então espero que não esteja cansado agora, pois nosso compromisso não pode esperar. - responde Pandora e o garoto olha para Mikhaela que sorrir assentindo.
- Pode ir tranquilo, ela vai cuidar de você. - diz olhando para a filha que sorrir de maneira contida encarando o loiro que incapaz de conter a sua curiosidade faz a pergunta que as duas mulheres estavam tentando não fazer.
- Mais e a Luna ? - questiona e a loira arqueia uma sobrancelha. - Você não deveria ficar com ela ? - pergunta preocupado e a loira sorrir.
- Eu dei a ela um chá que vai fazê-la dormir por algumas horas, ela precisa descansar e eu preciso terminar meu trabalho, então enquanto ela descansa eu faço o que tenho que fazer e quando ela sonhar em acordar eu já estarei aqui ao lado dela. - responde Pandora tranquila apesar de estar um pouco contrariada em ter que ir, mas é necessário que ela vá, só ela pode resolver essa situação. - Te dou cinco minutos para se preparar fofucho. - diz e o garoto assente olhando para Mikhaela.
- Terceira porta a direita. - diz para o garoto e então ele corre em direção as escadas.
- Agora me diga o fato principal da pesquisa de vocês. - pede a loira cruzando os braços sob o olhar atento de Kimora e Mikhaela suspira.
- Acho melhor deixarmos essa conversa para outro momento, foque primeiro em fazer o que tem que fazer, afinal você já tem fardos demais para carregar e esse pode muito bem esperar. - diz Mikhaela séria e a loira revira os olhos.
- Como quiser bruxa velha. - diz Pandora sorrindo para a mulher que retribui.
- Eu também te amo meu pequeno demônio. - diz Mikhaela sorrindo com uma expressão de diversão para a garota enquanto Kimora observa as duas em silêncio achando engraçado a maneira como elas se tratam.
Com toda certeza essa é uma relação única, um laço inquebrável capaz de suportar qualquer adversidade imposta.
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" Luna. "
" Luna. "
" Luna. "
Abro os olhos assustada olhando em volta após ouvir a voz de Petra na minha cabeça, suspiro entendendo que provavelmente foi um sonho, afasto o lençol e me levanto em busca de Pandora, sigo até o banheiro e ela não está lá, em seguida vou até o closet notando o quão enorme ele é, mas ela também não está lá, então volto para o quarto e pego meu celular encima da mesa de canto, noto o que parece ser um bilhete.
* Fui ao mercado, mas não demoro.
Ps : Fique a vontade lobinha, minha casa é sua.
Beijos, Pandora. *
Respiro fundo guardando meu celular no bolso e em seguida saio do quarto, sigo em direção as escadas ouvindo vozes e uma delas eu conheço, trata-se da mãe de Pandora, mas a outra eu não reconheço e isso me faz parar na ponta da escada indecisa sobre seguir adiante ou voltar para o quarto.
- Pode descer querida, não fique acanhada. - diz Mikhaela e eu engulo seco descendo as escadas a vendo sorrir para mim enquanto uma mulher de cabelos brancos permanece quieta no sofá.
- Me desculpa, eu não queria atrapalhar a conversa de vocês. - digo alternando o olhar dela para a mulher e então a mulher se vira me olhando com uma expressão curiosa.
- Está se referindo a mim ? - pergunta a mulher e eu assinto.
- Não tem mais ninguém aqui além de vocês duas, então acho que sim. - respondo incerta e ela olha para Mikhaela que sorrir e em seguida me olha.
- Sente-se conosco querida, Pandora teve que sair mais deve voltar logo, Calvin foi com ela para ajudá-la. - diz e eu fico confusa.
- Calvin ainda está aqui ? - pergunto curiosa e ela assente.
- Ele passará um tempo conosco até sua mãe voltar de viagem. - responde tranquila e eu sorrio.
- Isso é bom, ele precisa de boas companhias. - digo e ela sorrir.
- Você também está convidada a ficar conosco se for da sua vontade. - diz Mikhaela me olhando com uma expressão de diversão e eu suspiro. - Mais devo avisar que Pandora tende a ser bem chata pela manhã, ela costuma acordar uma hora antes do horário previsto, pois precisa de um momento em silêncio com uma xícara de café como companhia para lidar com a vida sem sair por aí matando geral por nada. - completa divertida e eu sorrio imaginando a cena.
Isso me parece ser a cara dela.
Muito mesmo.
- Eu literalmente imaginei a cena. - digo e ela ri sendo acompanhada pela mulher que nos observa em silêncio. - E sobre o convite, eu vou pensar. - completo e ela assente.
- Tome o tempo que quiser para pensar, mas enquanto pensa pode ficar aqui de qualquer maneira. - diz e eu faço uma careta. - Pandora vai me odiar se eu te deixar ir sem ao menos ela estar aqui para tentar te convencer a ficar. - completa e então eu entendo.
- Entendo e prometo espera-la chegar para decidir alguma coisa, assim ela não irá ficar chateada com você. - digo e ela sorrir e em seguida olha para a mulher.
- Tá vendo, não tem como não gostar dela. - brinca porém a sinceridade em seu tom de voz me deixa sem jeito.
- Estou vendo e entendendo. - diz a mulher se virando para mim. - A propósito eu sou Kimora Vasiliev e você deve ser Luna Blackwood. - se apresenta estendendo sua mão para mim. - É um prazer conhecê-la. - completa e eu aperto sua mão.
- O prazer é meu, Kimora. - digo achando seu nome estranho.
" Luna. "
" Luna "
Olho em volta em busca do dono ou dona da voz bizarra ecoando em minha mente, mas não há ninguém além de nós três aqui, engulo seco pensando que talvez eu esteja ficando louca ou surtando.
" Luna. "
" Me ajuda. "
Me levanto rapidamente ao ouvir a voz de Petra ignorando a confusão das duas mulheres diante de minha reação repentina.
- Algum problema ? - pergunta Mikhaela enquanto eu sinto meu coração bater apressado.
- Eu tenho que ir para casa. - respondo sentindo todos os meus instintos gritarem para que eu retorne para casa enquanto a voz de Petra ecoa em minha mente.
- Pensei que fosse esperar a Pandora antes de decidir qualquer coisa. - diz Mikhaela se levantando e eu a olho.
- Eu ligo para ela depois, mas agora eu tenho que ir. - digo sentindo minhas temporas latejarem.
Sem esperar por uma resposta corro em direção a porta me sentindo estranha, meu corpo parece pesado enquanto minha mente parece querer me torturar ao ficar repassando a voz de Petra chamando por mim como uma espécie de lembrete de que eu não posso esquecer da minha melhor amiga. Eu não sei como vou chegar até a vila a pé, mas eu tenho que ir até lá, tenho que chegar lá o mais rápido que eu puder, algo dentro de mim me diz que devo estar lá e eu não consigo ir contra isso.
Não posso ir contra meus instintos.
Eu tenho que ir até lá.
________________ Continua _________________