Limpar toda aquela bagunça foi fácil, difícil foi tentar não pensar nas coisas que ouvi, mas o que mais tem me incomodado é a possibilidade de minha mãe está me escondendo algo, pelo menos foi o que aquela criatura irritante deu a entender, porém não posso confiar nas palavras de alguém que também mente, afinal ela se passou pelo demônio de Jersey só para me irritar, sem contar que fica falando de maneira enigmática, o que é bem irritante, ela também pareceu me conhecer de algum lugar, o que não faz sentido pra mim, pois eu nunca esqueço o rosto de alguém que cruza meu caminho.
Então só há duas possibilidades nessa história.
Qual das duas está mentindo ?
Minha mãe ou a tal Kora ?
Eu odiaria descobrir que é a primeira opção, minha mãe mentir para mim seria algo inaceitável, pois ela não tem motivos para isso, sempre fomos sinceras uma com a outra, ela mesma me ensinou a ser assim, a agir assim, então se ela estiver mentindo pra mim, o que ela me ensinou não significa nada.
Não terá mais sentido algum ?
Se estiver mentindo pra mim, então ela também será só mais uma mentirosa como tantos por aí.
A única diferença e que eu não sei o porquê disso.
Não sei o porquê ela escolheu mentir.
Merda !
Eu já estou aceitando que ela mentiu pra mim sem sequer ter falado com ela sobre isso, eu só posso estar realmente fora de mim. Respiro fundo terminando de colocar a parede de volta no lugar quando ouço um carro se aproximar, não preciso nem sequer me preocupar com quem poderia ser, pois o perfume amadeirado de James invade minhas narinas e em seguida ouço seu coração bater apressado. Deixo os concertos finais dentro do cômodo para depois e em seguida me dirijo até a sala para esperar por ele, sigo até o bar e me sirvo com uma garrafa de whisky e minutos depois ouço a porta ser aberta pelo garoto.
- Você demorou a aparecer aqui. - digo brincando com a garrafa de whisky encima do balcão e em seguida ouço ele suspirar.
- Eu esperei uma resposta sua, mas como ela não veio eu decidi vim até aqui. - diz e em seguida o ouço se aproximar lentamente. - Podemos conversar agora ? - pergunta e em seguida se senta no banco vazio ao meu lado e eu assinto.
- Vá em frente e me conte o que está te deixando aflito. - respondo olhando para ele e sinto vontade de rir de sua expressão realmente aflita e o curativo em seu nariz, mas me contenho.
Analiso brevemente o quanto seu nariz está inchado e a região envolta dele está roxa e só consigo pensar que Petra fez um belo estrago no nariz do garoto.
- Eu vou embora da cidade. - diz de maneira direta me olhando nos olhos e eu retribuo o olhar voltando a focar em nossa conversa. - Minha mãe recebeu uma proposta de emprego em Chicago e por mais que eu queira ficar, eu não posso deixá-la sozinha, porque ela só tem a mim. - completa e eu sorrio de canto.
- Claro que não pode, você é um bom filho. - digo séria e ele assente. - Porque queria ficar ? - pergunto e ele suspira.
- Porque aqui eu tenho o que eu sempre quis, minha mãe está bem de verdade depois de anos, eu tenho amigos bacanas e uma melhor amiga com quem posso contar a qualquer momento e para qualquer coisa, então não queria perder isso. - responde e eu me estico sobre o balcão e pego um copo e em seguida o encho de whisky e o empurro em direção ao garoto.
- Um brinde à isso então. - digo e ele fica confuso. - Um brinde aos amigos que você não irá perder só porque não vai mais estar aqui, afinal amigos de verdade resistem ao tempo e se mantém leais até o seu último suspiro não é ? - questiono e ele assente. - Por isso te prometo que nossa amizade não acabará nem mesmo após o último suspiro de um de nós, seremos eternos e em outro momento mais oportuno nós encontraremos e deixaremos Chicago de cabeça para baixo. - completo divertida e ele sorrir assentindo e em seguida pega o copo de whisky.
- Um brinde à nossa amizade. - diz e então brindamos e enquanto eu bebo ele me olha por alguns segundos sorrindo de maneira contida. - Eu te amo Pandora, obrigada por ter me permitido entrar na sua vida e ser seu melhor amigo. - completa e eu quase me engasgo com a bebida.
Diabos !
Como assim ele me ama ?
- O que você disse ? - pergunto e ele rir após tomar um gole da bebida em seu copo.
- Eu disse que te amo. - responde com uma expressão de diversão. - Ninguém nunca te disse isso por acaso ? - pergunta e eu assinto.
- Apenas minha mãe, mas ela é minha mãe, então faz sentido. - respondo e ele ri negando com a cabeça.
- Amigos também se amam, principalmente melhores amigos como nós, porque nos tornamos famílias e criamos um laço forte e totalmente inquebrável. - diz e eu arqueio uma sobrancelha achando isso engraçado. - Você não faria qualquer coisa para me proteger de algo r**m ? - pergunta e eu só consigo pensar que já o fiz.
- Sim. - respondo simples e ele sorrir.
- Eu também faria o mesmo por você, e a gente faria isso um pelo outro, porque a gente se ama, e quando a gente ama faz de tudo para proteger e ficar ao lado de quem amamos e quando não podemos ficar ao lado da pessoa, então tentamos cuidar delas de longe, mesmo que essa opção seja a mais dolorosa. - diz e eu tento processar suas palavras. - Existem vários tipos de amor, o nosso e de irmãos, o que a gente tem um pelo outro se chama irmandade, parceria, lealdade, amizade, carinho e compreensão. - continua e eu assinto aos poucos entendendo o que ele quer dizer. - É um sentimento totalmente diferente do que você sente pela Luna. - completa e eu o olho com uma sobrancelha arqueada e ele ri.
- E o que é que eu sinto por ela ? - pergunto e ele ri ainda mais negando com a cabeça.
- Acho que você sabe o que sente por ela. - responde divertido e eu n**o com a cabeça. - Eu sei que você é diferente, sei que você sente as coisas de maneira diferente e que tem prioridades diferentes, mas isso não significa que você não saiba identificar alguns sentimentos como o fato de estar apaixonada pela Luna. - diz me olhando nos olhos. - Você a quer, você a protege, você está sempre lá por ela e faria qualquer coisa para mantê-la bem, quando ela está por perto você fica diferente, você se sente diferente, uma sensação nova e estranha, mas boa. - faz uma pausa e em seguida sorrir de canto. - Estou errado em algum dos meus argumentos ? - questiona e eu n**o. - Então você já sabe lá no fundo que não se trata de um sentimento ou desejo qualquer. - completa e eu suspiro.
- Não estamos muito bem agora, na verdade não estamos conseguindo nem dialogar, temos um impasse e esse impasse tem sido maior do que tudo. - digo e ele faz uma careta.
- E o que você pretende fazer ? - pergunta e eu tomo um gole da bebida direto da garrafa antes de respondê-lo.
- Eu já tentei falar com ela, mas ela sempre recua, somos diferentes e as nossas diferenças estão se sobressaindo acima de qualquer coisa e então ela me afasta, mas eu não fico totalmente longe. - respondo e ele assente indicando entender.
Será que ele entende mesmo ?
" Somos melhores amigos ".
" Eu te amo Pandora ".
Claro, somos melhores amigos.
Sorrio de canto olhando para ele que parecia pensar em algo enquanto girava o copo agora vazio sobre o balcão e minutos depois de um silêncio breve e confortável ele me olha com uma expressão engraçada.
- Então talvez esse seja o problema. - diz de repente como se tivesse encontrado um baú cheio de ouro e eu arqueio uma sobrancelha confusa. - Você não ficar longe de verdade é o problema, porque ela precisa de espaço para pensar, mas como pensar se ela te ver o tempo todo e se você está sempre aqui quando ela precisa. - continua e eu faço uma careta ainda sem entender sua lógica. - Ela precisa ficar longe de você para poder entender se as diferenças são maiores do que o que ela sente por você, e ela só vai descobrir isso se te perder momentaneamente, porque com você aqui e fazendo de tudo por ela, ela está bem confortável para levar o tempo que quiser para se decidir e se surgirem outras situações que ela precise digerir, ela vai empurrar a situação entre vocês para a última opção de coisas na lista a se resolver, porque você tá aqui a deixando bem confortável para isso, enquanto você não está bem com isso. - completa e por mais louco que seja ouvi-lo falar dessa maneira, como se soubesse o que está acontecendo, eu sorrio, sorrio porque ele é um bom ouvinte e pensou bastante para não responder de qualquer maneira.
- Faz sentido. - digo e ele assente.
- Claro que faz, eu pensei nas diversas possibilidades e essa me pareceu a mais óbvia levando em conta tudo o que eu vi e sei sobre vocês. - diz sorrindo e eu suspiro.
- Vou pensar nisso. - digo e ele comemora. - Acho que talvez eu sinta sua falta, meu melhor amigo. - brinco e ele arqueia uma sobrancelha.
- Acho que você vai me ligar chorando de tanta saudade do seu bff. - brinca e eu soco seu ombro negando com a cabeça.
- Nem ferrando meu menino de ouro. - digo divertida e ele sorrir.
- Tá legal. - diz ainda sorrindo e em seguida suspira. - Me liga quando precisar de conselhos amorosos outra vez. - brinca, mas eu sei que ele está falando sério. - E tenta essa opção que te falei, mas não esquece de comprar o presente de aniversário dela. - completa e eu assinto.
- Pode deixar, vou adorar te ligar e te mandar ir a m***a por ser um boboca sensato. - digo divertida e ele revira os olhos.
- Adoro sua maneira de demonstrar que me ama, me xinga e depois me elogia, isso só pode ser paixão encubada. - brinca e eu soco seu ombro com um pouco de força o vendo fazer uma careta. - Você é bem forte. - diz e eu dou de ombros.
Sorrio enquanto pego a garrafa de whisky, mas antes que eu possa tomar a bebida, eu me lembro de algo, mas específicamente de seu nariz quebrado.
- Então, o que você fez para a noiva do Chucky quebrar seu nariz ? - pergunto divertida e ele rir.
- A assustei e em troca recebi um belo soco no nariz. - responde negando com a cabeça e eu reviro os olhos achando engraçado a situação.
- Então foi só isso mesmo ou você está me escondendo os detalhes mais sórdidos ? - pergunto divertida e ele n**a com a cabeça em resposta.
- O mente maligna, não aconteceu nada desse tipo não, eu só a vi andando e fui até lá, mas minha aproximação repentina a assustou. - responde e eu sorrio de canto tomando um gole de whisky. - Ela me acha bonzinho demais, acredita nisso ? - questiona indignado me fazendo rir.
- Mais você é muito bonzinho. - respondo e ele revira os olhos.
- Ei, eu posso ser malvado se eu quiser. - diz e eu n**o com a cabeça.
- Mesmo que você quisesse ser, você não seria. - digo e ele suspira.
- Que diabos eu tenho que fazer pra vocês acreditarem que eu sou bem mais que o cara bonzinho e sem graça ? - questiona e eu sorrio de canto.
Em silêncio pego seu celular no bolso de sua calça e então desbloqueio o aparelho sobre seu olhar confuso e ao mesmo tempo curioso, dígito um endereço no google maps e em seguida traço a rota mais rápida até o local e então o olho.
- Vai lá encima e pega a aprendiz de serial killer e a leva nesse lugar marcado aí. - digo entregando o celular para ele e em seguida desço do banco e levo a mão ao bolso de trás da calça e pego a chave do meu carro e entrego pra ele. - E para surpreende-la, dê um beijo nela, mas um beijo qualquer, um beijo daqueles que a fará querer outros beijos seus. - completo e ele arregala os olhos.
- Ela vai quebrar meu nariz outra vez. - diz negando com a cabeça.
- Talvez, mas ela também pode não quebrar seu nariz e gostar do beijo, então você não tem nada a perder se tentar, afinal seu nariz já está uma d***a mesmo. - digo divertida e ele revira os olhos.
- Eu tô sentindo que vou me arrepender de te ouvir. - diz se levantando e eu sorrio.
- Acho que logo descobriremos. - digo e ele sorrir.
- Pandorinha, Pandorinha, porque é sempre tão malvadinha ? - cantarola e eu dou de ombros e ele revira os olhos ainda sorrindo e então me abraça. - Me abraça de volta sua chata. - pede e eu o faço.
- Só porque você vai embora boboca. - digo divertida o abraçando de volta e ele ri.
- Obrigada, e eu tenho um desejo de melhor amigo pra você, e meu desejo e que você e Luna se resolvam logo. - diz e eu suspiro.
Obrigado a você por ser meu melhor amigo.
E eu acho que realmente sentirei sua falta boboca.
E espero que você seja feliz em Chicago tendo uma vida humana entediante longe de tudo isso.
Esse é o meu desejo de melhor amiga para você.
____________________________________________
" Sua linhagem maldita está sempre no meu caminho. "
" Viu como você a torna fraca ? "
Pandora.
Abro os olhos sentindo minha cabeça latejar, m***a, os abri rápido demais, fecho os olhos e respiro fundo sentindo algo acima de meu peito, o tipo de tecido indica ser um curativo, entender isso trás a tona toda a conversa com Pandora, o momento em que abri a caixa e depois... E depois ele.
O demônio de Jersey.
Ele me marcou.
Abro os olhos me sentando rapidamente e ao ver Pandora passar pela porta noto que não estou mais naquela floresta, estou no quarto dela, em sua casa.
- Ei, você finalmente acordou. - diz se aproximando.
- O que aconteceu ? - pergunto passando a mão sobre o curativo.
- Tanta coisa que nem sei por onde começar, mas vou começar dizendo o quanto você me assustou hoje. - responde se sentando na ponta da cama e em seguida toca meu rosto. - Não faça mais isso lobinha. - diz séria me olhando nos olhos.
- Me desculpa, eu não devia ter aberto aquela caixa. - peço e ela suspira.
- Está tudo bem agora, você tá aqui e isso é tudo que importa. - diz sorrindo de maneira contida. - Mais me lembre de nunca mais te deixar abrir outra caixa tá bom. - completa divertida e eu sorrio assentindo.
- Eu prometo me lembrar e te lembrar que não sou a melhor opção para abrir caixas do m*l. - digo no mesmo tom e ela sorrir de canto.
- A partir de hoje não será nem mais a última opção, te quero longe de todas as caixas enfeitiçadas desse mundo. - brinca e eu presto continência para ela indicando entender.
Então ficamos em silêncio por um momento, apenas nos encarando até que ela se levanta de repente e olha em volta do quarto.
- Bom, acho que devo deixar você descansar, fez uma tatuagem muito irada hoje contra a sua vontade, então vou indo, mas eu volto daqui a pouco com um lanche pra você. - diz e eu fico confusa.
- Tá bom. - digo a vendo se virar e seguir até a porta.
Porque ela está indo embora ?
Será que fiz algo errado ?
Me pergunto o que eu poderia ter feito em menos de quinze minutos de diálogo que a fizesse desejar ir embora, me questionar trás de volta a minha mente as palavras de Petra.
" Uma hora você terá que decidir o que quer abelhinha rainha. "
" Eu sei que esse lado dela é bem assustador, eu sei disso porque quando o vi pela primeira vez eu literalmente sai correndo, mas quem ela é não se resume só à isso, aquela garota te quer e fez tanto por você, ainda faz e faria muito mais se necessário. "
" Então não leve tempo demais para agir, porque você não imagina a quantidade que tem de pessoas esperando que você abra mão do que vocês tem para poderem ficar com ela. "
- Na verdade não tá bom não. - digo vendo-a parar entre a porta e em seguida se virar e me olhar.
- Está sentindo algo ? - pergunta preocupada fechando a porta em seguida.
- Sim. - respondo afastando o cobertor e ela suspira.
- Para, você tem que descansar. - diz e eu assinto.
- E eu vou, mas só depois que te fizer deitar aqui comigo. - digo e ela junta as sobrancelhas me olhando confusa.
- O que ? - questiona e eu me levanto da cama e em seguida vou até ela.
- Só vou conseguir descansar se estiver comigo, então você não precisa ir. - respondo séria parando em frente a ela e em seguida seguro sua mão. - Na verdade, eu não quero que você vá. - digo olhando em seus olhos azuis. - Porque só apreciar a minha prévia particular do mar de Tenerife pode me ajudar a relaxar e dormir. - completo e ela apenas olha em meus olhos por alguns segundos.
Penso que ela irá embora assim mesmo, porém ela apenas suspira e em seguida desfaz o contato entre nossas mãos, sinto seu toque sútil em meus quadris me empurrando de maneira gentil de volta para a cama, ela afasta o cobertor e eu me deito na cama sendo coberta por ela, em seguida ela dá a volta e se deita do outro lado se cobrindo logo depois. Ela se deita de lado olhando para mim e eu faço o mesmo olhando para ela achando estranho a expressão séria em seu rosto, estico meu braço para que eu possa tocar seu rosto e então início um carinho em sua bochecha, ela suspira sem desviar sua atenção de mim por um segundo sequer e permanece assim por um tempo até finalmente dizer algo.
- Eu não consigo entender. - diz depois de um tempo em silêncio apenas me encarando.
- O que você não entende ? - pergunto curiosa e ela suspira outra vez.
- Você e eu. - responde direta sem desviar seu olhar do meu. - Isso que temos, você pediu espaço e agora me quer aqui, o que isso quer dizer ? - questiona fazendo uma careta. - Melhor, o que você quer me dizer com isso ? - questiona e em seguida se senta na cama e eu faço o mesmo. - Não temos mais um impasse ? - pergunta com seus olhos azuis transbordando confusão. - Eu não gosto disso Luna, não gosto de me sentir da maneira como estou me sentindo agora. - completa séria e eu posso notar que ela está irritada apesar de seu tom de voz soar calmo e controlado.
- Ainda temos um impasse, mas eu não quero trazer ele a tona agora. - digo e ela suspira abaixando o olhar o fixando em um ponto qualquer parecendo pensar sobre algo. - Eu não fui até lá te ver só porque queria saber se você estava bem, porque você é você, então eu tinha certeza de que estava bem. - digo tentando chamar sua atenção de volta para mim, mas ela permanece focada em seus próprios pensamentos. - Eu fui te ver porque preciso de você e sinto sua falta. - completo e então ela finalmente me olha.
- Pode ser verdade, mas você nunca mais vai me ver da mesma maneira que via antes e isso é claramente um problema para nós. - diz séria passando a mão em seus cabelos. - Se não podemos conversar sobre isso, se não pode me ouvir dizer que de todas as coisas que eu fiz não há nenhuma que eu me arrependa, então como podemos resolver essa situação ? - questiona e agora a irritação está nítida em sua expressão. - Me pedir pra ficar aqui e fingir que tá tudo bem para depois voltarmos a estaca zero não é o que eu quero, também não me parece ser a melhor opção de escolha a seguir. - completa e em seguida se levanta.
- Pandora. - chamo a vendo caminhar em direção a porta.
- Não lobinha, não mesmo. - diz parando em frente a porta. - Eu não quero isso, não quero meias verdades, não quero meios momentos, não quero esses sentimentos confusos e não quero toda essa bagunça na minha cabeça, porque eu odeio não ter o controle disso e você não me dá escolha. - continua e em seguida se vira e me olha de uma maneira tão intensa que me sinto incapaz de dizer algo. - " c***l, sádica e psicótica ". - diz negando com a cabeça sorrindo de canto. - É somente assim que você me vê agora e tá tudo bem, porque eu sou basicamente isso mesmo, mas aí eu me pergunto porque diabos me incomodou tanto ser definida dessa maneira por você. - completa deixando toda a sua irritação finalmente transparecer.
- Eu não te defini dessa maneira, eu nem sequer disse que você era assim. - digo e ela rir.
- Nem precisou dizer diretamente, a maneira como me olhou e prática cuspiu as palavras foi o suficiente, afinal para um bom entendedor meia palavra basta. - diz de maneira sarcástica e eu me levanto da cama negando com a cabeça.
- Não joga isso tudo pra cima de mim, eu não tenho culpa se você sempre agiu diferente comigo e então um tempo depois eu descubro esse seu outro lado maníaco, não dá pra simplesmente ignorar isso Pandora. - digo e ela sorrir.
- Outro elogio, estamos evoluindo muito aqui. - diz de maneira sarcástica enquanto eu me aproximo dela.
Idiota.
Esse sarcasmo não vai te levar a nada.
Na verdade essa conversa estúpida não está nos levando a lugar nenhum.
- Essa conversa não está sendo produtiva, não estamos conseguindo nada com isso além de ficarmos ainda mais distantes da solução para essa questão. - digo tentando ser o mais coerente possível.
- Sim, e é por isso que eu vou te dar boa noite agora e ir embora. - diz séria e em seguida abre a porta. - Eu não quero ir, mas eu vou porque eu prefiro ir do que ficar aqui e fingir que tá tudo bem por uma noite e amanhã me sentir i****a quando você voltar a me ver como um monstro, então boa noite, Blackwood. - completa passando pela porta e em seguida a fecha na minha cara.
Inferno !
Porque diabos eu não consigo lidar com ela ?
Porque não posso lidar numa boa com tudo da mesma maneira que todos ?
Porque eu tenho que estragar tudo ?
Eu sou uma i****a mesmo.
________________ Continua ________________