Balanço a perna impaciente enquanto Petra dirige em silêncio, desde que saímos da casa de Pandora não dissemos nada e isso tá um pouco desconfortável pois eu sei bem o que iria acontecer e ela também sabe, eu queria muito que Petra tivesse chegado depois, queria ter sido beijada por Pandora.
Ah, como eu queria.
Eu poderia m***r Petra por atrapalhar esse momento.
- Sei que atrapalhei um momento importante, mas quero que saiba que não foi de propósito. - diz chamando minha atenção e eu a olho.
- Ela ia me beijar e eu queria ser beijada por ela. - digo e ela sorrir de canto.
- Eu sei que queria, mas terão outros momentos para isso, afinal o crush é claramente mútuo, mas o que não pode esperar e a minha avó. - diz e eu fico confusa.
- O que tem a Petrova ? - pergunto confusa e preocupada.
- Seu pai descobriu a nossa fuga nortuna, mas especificamente ele sabe que te ajudei, então foi até a minha avó. - responde e então eu entendo tudo. - Se eu não te levar de volta e me apresentar a ele para dar explicações sobre essa minha atitude, ele vai descontar na minha avó. - continua acelerando o carro. - Seu pai é maluco. - completa e eu suspiro.
- Eu sei, infelizmente eu sei que ele é escroto pra c*****o. - digo irritada e ela me olha.
- Nossa, quanta raiva, respira fundo antes que você faça um estrago do mesmo nível do banheiro da escola. - diz divertida e eu respiro fundo.
- Eu odeio as coisas que ele faz, isso já me irritava antes, mas agora parece que toda a raiva foi multiplicada. - digo e ela me olha de canto.
- É o seu lobo interior intensificando as suas emoções, o fato de você ter visto seu lobo interior indica que você é poderosa, muito poderosa. - diz e eu a olho. - Eu também vi meu lobo interior uma semana antes da minha primeira transformação. - completa e eu me lembro que na última vez que conversamos ela me disse ter visto um grande lobo branco de olhos esverdeados.
- Você é uma Beta, uma das únicas três mulheres Betas da alcatéia. - digo e ela assente.
- Eu venho de uma linhagem antiga de Betas, por isso seu pai me recrutou. - diz e eu noto que já estamos chegando a entrada da vila.
- Porque ele te recrutou ? - pergunto a olhando e ela permanece focada na estrada.
Seu silêncio indica que ela não vai responder, talvez tenha algo haver com a lealdade ao Alfa, ou sei lá, ela não é mais a mesma de antes, acho que eu fiz bem quando deixei ela ir.
" Mais não precisa continuar sendo assim certo ? "
" Não é porque ela tornou tudo dessa maneira que você tenha que aceitar numa boa, a questione, afinal você tem o direito de saber o porquê de tudo isso, só não a deixe ir mesmo que ela ache que assim vai ser melhor. "
Sim, Pandora tem razão, eu mereço saber o porquê dela bancar a b****a por meses fora o tempo em que sumiu e depois voltar como espiã do meu pai, mas depois me ajudar usando uma desculpinha i****a de " estou sendo caridosa. "
Como eu a disse antes, ela não é do tipo caridosa e também não estaria aqui agora comigo se realmente me odiasse, eu não me dei conta antes, porque eu estava chateada demais para pensar com calma em suas ações, eu estava pensando somente em como era r**m para mim e no quanto ela agir dessa maneira me machucava, mas eu não pensei que poderia haver um motivo bom para isso e eu deveria ter pensado, afinal eu a conheço melhor do que qualquer outra pessoa, eu sei exatamente quem é Petra Wheeler.
- Eu quero saber a verdade. - digo e ela me olha de canto. - Quero saber o porquê disso tudo, porque fingiu me odiar e foi uma b****a comigo, quero saber porque está sendo legal agora, eu quero a verdade, toda a verdade Petra, porque eu não vou mais aceitar suas desculpas esfarrapadas e te deixar bancar a vilã, porque você não nasceu para fazer esse papel, não quando se trata de mim. - completo enquanto ela faz a curva e em seguida para em frente a placa da entrada da vila.
- Porque simplesmente não aceita que eu mudei e que não quero mais ser parte da sua vida ? - questiona séria me encarando e eu reviro os olhos.
- Porque você está aqui agora, porque você cumpriu com a promessa que fizemos quando ainda eramos crianças, eu estive lá para você e agora você está aqui para mim, então isso significa que você não me odeia como tenta demostrar todos os dias. - respondo olhando em seus olhos. - Eu não pude perceber antes, porque a sua falsa mudança repentina me pegou de surpresa e me deixou em pedaços, eu fiquei em pedaços Petra por achar que tinha perdido a minha melhor amiga para sempre. - digo e ela desvia o olhar do meu. - Olha pra mim p***a. - peço e ela o faz rapidamente fazendo uma careta em seguida. - Para de mentir pra mim, eu quero a verdade não importa qual seja. - completo e ela engole seco.
- Abelhinha. - diz sorrindo fraco e em seguida n**a com a cabeça. - Não podemos ser amigas, você tem que esquecer tudo isso, ficou no passado e isso incluí essa noite. - completa fazendo uma careta.
- Nem fodendo, para de ser filha da p**a e me conta logo. - digo irritada e ela se contorce fazendo uma careta expondo seus olhos de lobo.
- m***a ! - exclama me olhando. - Você quer a verdade, mas você não está pronta para a verdade. - diz respirando fundo e fecha os olhos parecendo tentar se conter enquanto eu fico confusa ao notar seus caninos ficando a mostra.
- O que tá acontecendo ? - pergunto e ela soca a janela do carro quebrando o vidro do carro.
- É a maldita lealdade. - responde e então eu entendo que tem algo haver com o Alfa.
Tem algo haver com meu pai.
Parece que tudo envolve ele.
Antes que eu possa dizer para ela deixar para lá, eu a vejo ser puxada para fora do carro pela janela quebrada, abro a porta do carro e saio em seguida vendo seis dos brutamontes que andam com meu pai para todo lado imobilizando e acorrentado Petra como se ela fosse uma prisioneira.
- Larguem ela. - digo irritada indo até eles e antes que possa chegar perto o suficiente sou imobilizada por um dos babacas.
- Quietinha garota problema, seu pai está ansioso para te ver. - diz e eu piso em seu pé, mas ele não me solta o que me deixa irritada.
- Solta ela ! - digo tentando me soltar de seu aperto em meus braços, mas ele apenas rir.
- Não se preocupe comigo, cuide da minha avó, eu vou ficar bem. - diz Petra chamando minha atenção e um dos idiotas chuta sua perna esquerda e em seguida a direita a fazendo ficar de joelhos.
- Calada. - diz passando uma corrente em volta do corpo dela e ao vê-la gritar noto que tem alguma coisa diferente nessa corrente.
- Para. - peço pisando outra vez no pé do i****a e em seguida jogo a cabeça para trás sentindo o golpe doer provavelmente mais em mim do que nele.
Merda !
Eu sou um caso perdido.
Sinto minha cabeça latejar, olho para Petra a vendo me olhar preocupada enquanto é levantada por dois homens, ela sorrir com uma expressão de diversão negando com a cabeça antes de ser levada por eles enquanto eu sou arrastada de volta para o carro.
Isso não vai ficar assim.
Eu não vou te perdoar se a machucar Cerberus Blackwood.
____________________________________________
Vejo Calvin andar de um lado para o outro após eu contar tudo sobre minha vinda para Mount Holly e sobre a verdadeira história dessa cidade enquanto James dormia em um dos quartos de hóspedes após minha mãe colocar algumas ervas que do sono no suco dele, assim ele não atrapalharia os assuntos a serem tratados.
- Então você é f**a pra c*****o, a sua mãe também é f**a pra c*****o, a Luna, a Petra e o Kai ? - questiona e eu assinto.
- Ele até que tá reagindo bem. - diz Mikhaela e eu dou de ombros.
- Qualquer coisa a gente mata ele. - brinco e ela sorrir.
- Seria uma pena, porque ele é muito fofinho. - diz divertida e eu sorrio de canto. - Também se parece com você, eu até diria que são irmãos, podemos até adota-lo. - completa e eu vejo Calvin parar de andar de um lado para o outro e alternar seu olhar de mim para Mikhaela.
- Sua mãe amaldiçoou a família da sua crush. - diz Calvin como se tivesse descoberto algo incrível. - p**a m***a, a Luna faz parte de uma maldição jogada pela sua mãe e ela tem uma ligação com você, isso é surreal demais. - completa se sentando no sofá com uma expressão de quem está pensando em algo.
- Isso é demais pra você ? - pergunto achando engraçado essa reação maluca dele.
- Não, eu só tô tentando entender uma coisa. - responde e eu olho para Mikhaela.
- O que você não está entendendo querido ? - pergunta Mikhaela.
- O que a Pandora é. - responde apontando para mim e eu sorrio. - Também não entendo o porque ela é chamada de " demônio de Jersey. " - continua me olhando e eu dou de ombros. - É uma comparação com o demônio da lenda urbana ? - questiona e eu dou de ombros novamente.
- Provavelmente, afinal eu costumo fazer algumas coisas bizarras. - respondo tranquila e Mikhaela revira os olhos.
- Só bizarras ? - questiona de maneira sarcástica e eu assinto.
- Esqueça os pequenos detalhes, temos assuntos a tratar. - respondo e sinto uma sensação estranha e uma energia vindo do meu colar. - Tem alguma coisa errada. - digo tocando o colar.
- Está recebendo um chamado do nosso contato ? - pergunta e eu assinto.
- Faça uma chamada de bruxa me usando como canal. - digo e ela assente se aproximando e eu olho para Calvin. - Vem cá, deixa ela te canalizar. - digo divertida e ele arregala os olhos.
- Isso é mesmo real ? - pergunta e eu assinto.
- Esse meu colar esconde a minha presença para seres sobrenaturais tornando impossível me achar, mas ele também tem outra função adicionada por Mikhaela. - respondo e ele se aproxima estendendo a mão para Mikhaela. - Esse colar também está ligado a algumas jóias e funciona como um meio de comunicação entre seres de espécies diferentes. - digo e ele sorrir.
- Tipo um rádio comunicador ? - questiona divertido e eu assinto.
- Sem limite de alcance. - respondo no mesmo tom e ele rir. - Tudo isso está ligado a mim, então quando algo está errado e a minha presença for necessária, basta se concentrar e chamar por mim, parece simples mais não é. - completo e ele assente.
- O colar dela canaliza vibrações e energias, pensamentos são energia, então é meio que uma ligação de certa forma, mas não de maneira natural como a que ela tem com Luna Blackwood. - diz Mikhaela e o loiro assente. - Está pronto para seu primeiro teste ? - pergunta para o garoto que me olha.
- Você tem sangue de bruxa em suas véias, não te dei todos aqueles livros em vão, eu estava te preparando e ao mesmo tempo testando. - digo e em seguida pego uma caixinha em meu bolso. - Isso é pra você, eu sei que pode fazer uma chamada de bruxa comigo depois que passar por um treinamento, mas eu quis te dar isso mesmo assim, é um presente. - completo e ele pega a caixinha com sua mão livre e sorrir.
- Obrigada, sei que vou adorar. - diz e eu sorrio.
- Okay, vamos lá crianças. - diz Mikhaela estendendo sua mão para mim e em seguida eu estendendo a minha para Calvin.
- Winx, quando damos nossas mãos, nos tornamos poderosas, porque juntas somos invencíveis. - cantarola e eu lhe dou um t**a na cabeça rindo e ele me acompanha.
Palhaço.
Muito engraçadinho.
____________________________________________
Entro na casa de Petrova vendo a mulher sentada no sofá ao lado de minha mãe, Kai estava em pé ao lado de meu tio enquanto meu pai estava sentado em uma cadeira com dois brutamontes ao seu lado, ao me ver ele sorrir de maneira sarcástica e eu vou caminho até ele irritada.
- Que correntes são aquelas e para onde a levaram ? - questiono vendo os dois brutamontes tomar a frente dele e rosnarem pra mim. - Cachorro com sarna rosnando não me assusta. - digo cruzando os braços encarando os dois idiotas.
- Podem deixar ela se aproximar, ela não representa perigo algum com esses genes defeituosos dela. - diz debochado e os dois homens se afastam sorrindo e então ele se levanta me encarando. - Os assuntos da alcatéia não te dizem respeito, afinal você não faz parte dela lembra ? - questiona sarcástico.
- A Petra é minha melhor amiga e eu a quero de volta e quero agora. - digo séria e ele sorrir presunçoso.
- E o que eu vou ganhar com isso ? - questiona e eu dou um passo a frente ficando cara a cara com ele.
- Paz momentânea, isso é tudo que eu posso oferecer a alguém como você. - respondo e ele suspira.
- Sinto muito, mas não posso fazer nada em relação a isso, a garota Wheeler agora está sob supervisão do conselho e eu autorizei o pedido de expulsão dela da minha alcatéia. - diz e eu olho para meu tio em busca de uma confirmação e ele acena positivamente indicando que meu pai está falando a verdade.
- Você não pode fazer isso. - digo e ele sorrir.
- Eu sou o Alfa, eu posso tudo meu amor. - diz debochado se inclinando deixando seu rosto próximo ao meu exibindo seus olhos dourados. - A família Wheeler está expulsa dessa vila e alcatéia para sempre, com isso terão que deixar a minha cidade também. - completa e eu sorrio.
- Essa cidade não é sua, então elas não vão a lugar nenhum e não fazer mais parte dessa alcatéia é melhor privilégio que elas poderiam ter. - digo me sentindo irritada de uma maneira que sinto minhas mãos trêmulas e meu coração batendo forte. - Eu só vou repetir mais uma vez, eu quero a Petra de volta. - completo me sentindo sufocada com a maneira apressada que meu coração está batendo.
- Você tá cada dia mais insolente e se tem uma coisa que eu posso te aconselhar é, não vá por esse caminho. - diz tentando conter a irritação.
- E se eu for, o que você vai fazer ? - pergunto sarcástica e ele sorrir.
- Está vendo querido irmão, ela não tá me dando escolha. - diz olhando de canto para meu tio.
- Ela só quer a melhor amiga de volta, você exagerou ao mandar acorrentar a garota, então seja sensato e solte a garota, não há necessidade de expulsão, elas só saíram para espairecer após um incidente desagradável. - diz meu tio enquanto eu permaneço encarando meu pai.
- Como eu disse, ela está sob supervisão do conselho, eu não posso fazer mais nada, agora eles decidem o futuro dela. - diz meu pai e eu sorrio me afastando dele batendo palmas.
- O grande Cerberus Blackwood, você merece palmas porque a sua arrogância é a corda que vai te enforcar. - digo e ele arqueia uma sobrancelha cruzando os braços. - Você acha que ser o Alfa significa que todos devem ceder as suas vontades, mas eu te garanto que não se pode ter tudo o que se quer nessa vida, então quando as coisas chegarem em um ponto que não dê mais pra voltar atrás, lembre-se que foi você quem me fez ir por esse caminho sem volta. - continuo e ele me encara sem expressão. - Sem arrependimentos quando navegar em águas turbulentas, o rio que mata a sua sede e o mesmo que reflete a lua que te fortalece. - cito o lema da família usado somente em momentos pré-guerra.
- Luna, o que você tá fazendo ? - pergunta minha mãe preocupada se levantando enquanto meu pai me encara incrédulo.
- Quando a lua alcançar o ponto mais alto essa noite, deixe que seu lobo interior seja seu guia. - cito o segundo trecho e meu pai dá um passo a frente.
- Luna, pare ! - exclama meu tio tomando a frente.
- E com suas garras e dentes afiados destrua seus inimigos o levando a glória, pois o que não te mata te fortalece. - digo vendo meu tio me olhar incrédulo assim como o restante na sala.
- Você entende o que citar esse lema significa, você entende o que acabou de fazer ? - questiona meu tio e eu sorrio.
- O pior inimigo é aquele que te conhece, então sim, eu sei o que isso significa e eu espero que o grande Cerberus Blackwood tenha entendido o recado, pois eu não vou repetir. - respondo me virando pronta para sair dali, mas paro por um momento ao ver Petrova me olhando preocupada. - Ela vai ficar bem, eu prometo. - digo e em seguida sigo para fora pensando no que fazer.
Eu meio que acabei de declarar guerra ao meu pai e com toda certeza ele não vai deixar isso pra lá, mas ele não me deixou escolha, entregar a Petra ao conselho só por ter me ajudado a fugir no meio da noite e expulsar ela e a Petrova da alcatéia, eu não posso aceitar isso assim.
Não posso permitir que ele siga adiante com isso.
Se ele quer mais um inimigo, então terá.
________________ Continua _________________