Parceiro De Crime.

2471 Words
Ao acordar essa manhã eu pensei que pela primeira vez em meses não seria r**m desistir da corrida matinal quase que sagrada perto da floresta para me arrumar mais cedo e depois descer para tomar café com a minha família, afinal em algum momento terei que parar de evita-los, mas no momento em que coloquei os pés na cozinha e vi todos tomando café em silêncio eu senti que me arrependeria de ter mudado minha rotina. - Bom dia família. - digo e Kai me olha com uma expressão típica de aviso silencioso de que estava acontecendo algo. - Bom dia. - respondem e então meu pai me olha. - Como está querida ? - pergunta e eu junto as sobrancelhas em confusão. Ele está sendo agradável. Isso não é bom. Meu pai nunca é gentil, ainda mais comigo. - Bem, e você ? - pergunto confusa me sentando a mesa sob o olhar atento dele. - Como foi a viagem ? - pergunto novamente e pelo canto de olho vejo Kai levar o copo de suco a boca duas vezes em seguida em sinal claro de que eu não deveria abordar esse assunto. Esse é um código nosso, quando meu pai está abordando algum tema desagradável meu primo leva o copo duas vezes a boca sem pausa para que eu não tente manter um diálogo ou me prepare psicologicamente para ouvir coisas desagradáveis. - Estou bem e a viagem foi ótima, fico feliz que esteja interessada em saber, porque tenho novidades. - diz animado e minha mente grita que eu vou me arrepender de estar sentada a essa mesa nesse momento. - Cerberus, não é o momento. - diz meu tio com uma expressão que faz meu corpo entrar em alerta. - Se me permite dizer, eu acho que seu irmão está certo, não é o melhor momento e as crianças vão se atrasar para a aula. - diz minha mãe com a cabeça baixa e agora sim não resta dúvidas, vou me arrepender amargamente de estar aqui. Minha mãe nunca fala nada na presença do meu pai e o fato dela estar falando agora indica que o assunto com toda certeza não será agradável, suspiro tentando conter meu nervosismo diante dessa situação e então olho para meu pai. - Vá em frente, diga o que tem que dizer, mas seja direto. - digo e meu pai sorrir. - Sabe, apesar das suas atitudes nada convencionais e que me tiram do sério na maioria das vezes, eu devo dizer que de certa forma gosto dessa parte impaciente que você herdou de mim, por isso serei breve. - diz e eu apenas mantenho meu olhar firme no seu enquanto ele ainda sorrir me encarando. - Você vai se casar ano que vem, seu noivo chega em breve para lhe conhecer. - completa e por um momento tudo a minha volta parece girar enquanto meu coração bate apressado e eu engulo seco fechando os olhos e em seguida respiro fundo. Mantenha a calma. Mantenha a calma. Respira. Um noivo ? Me casar ? Então foi por isso que ele viajou. Sorrio tendo noção de que meu pai é um grande b****a, não posso negar isso, não quando ele faz questão de mostrar o tempo todo o quanto ele é desagradável, antiquado, machista, cheio de ideias medievais e.... Calma, respira fundo que não vale apena perder a cabeça por causa dele, olho para meu pai e ao notar sua expressão vitoriosa eu não consigo conter o riso, então me permito rir de maneira frenética e escandalosa sabendo que isso o irritaria, mas eu não me importo, eu simplesmente não dou a mínima para o que ele acha ou quer. - Qual a graça ? - pergunta meu pai agora sério e eu levanto o dedo indicador para ele indicando que ele espere um momento até que minha crise de risos diminua. - Só um momento querido pai, deixa eu rir só mais um pouquinho. - respondo vendo seu nariz inflar enquanto ele cerra a mandíbula tentando conter a irritação evidente e então eu respiro fundo. - A graça é você achar que eu vou me casar com um pretendente escolhido por você só porque você quer. - digo séria olhando em seus olhos azuis notando um tremor em suas pálpebras por provavelmente estar chegando ao seu limite. - Isso não é uma escolha sua, essa família tem uma tradição que deve ser seguida e eu não vou permitir que você manche ainda mais a reputação dessa família, você vai se casar e ponto final. - diz irritado se levantando bruscamente derrubando a cadeira atrás de si. - Na verdade isso não é uma escolha sua e eu não ligo para essa d***a de tradição medieval de familia, eu não sou a d***a de um lobo e definitivamente eu não faço parte dessa alcatéia estúpida. - digo irritada me levantando da mesma maneira que ele vendo seus olhos ele mostrar seus olhos de alfa e em seguida rosnar para mim. - Você está me desafiando garota ? - questiona e eu vejo minha mãe, Kai e meu tio se levantaram alarmados para a situação. - Luna, por favor, esqueça isso por enquanto. - pede meu tio e eu n**o me aproximando de meu pai que me acompanha com o olhar e então paro a sua frente, ficando cara a cara com ele. - Eu não sou sua cadelinha, eu não vou me casar com alguém que não quero e nunca vou m***r ninguém para ativar os genes de lobo, porque eu não quero fazer parte dessa alcatéia escrota e muito menos servir a você, então se considere desafiado pela sua própria filha e saiba que eu nunca irei abaixar a cabeça e fazer tudo o que você quer, eu já disse e repito, eu não faço parte dessa alcatéia e se continuar insistindo eu deixarei de fazer parte dessa família. - digo e ele abre a boca incrédulo enquanto me olhando nos olhos parecendo buscar algum sinal de blefe, mas ao entender que não estou brincando ele agarra meu pescoço o apertando. - Só tem uma maneira de você não fazer parte dessa família e alcatéia, se quiser descobrir qual é, então continue me desafiando. - diz apertando meu pescoço me sufocando, mas não deixo transparecer nada para ele. - Solte ela agora, Cerberus. - diz meu tio e vejo Kai dá um passo a frente para intervir, mas o olho de canto e ele para abrindo a boca entendendo que eu não quero que ele se envolva e então sai andando para fora irritado enquanto meu tio se aproxima e em seguida agarra a mão de meu pai a apertando o fazendo diminuir o aperto em meu pescoço e então meu pai o olha e em seguida larga meu pescoço e eu respiro fundo puxando todo o ar de volta. - Venha querida. - diz minha mãe se aproximando de mim. - Me deixa. - digo me afastando dela e em seguida olho uma última vez para meu pai que encarava meu tio, mas ao sentir que está sendo observado ele me olha. - Vá, por favor. - pede meu tio e eu sigo para fora vendo minha mãe me seguir. Ele acha que fazendo isso eu irei mudar de pensamento, mas isso causa um efeito contrário, se antes eu já não queria ter nada haver com essa alcatéia e amava a minha parte e vida humana, agora esse desejo aumentou ainda mais. Eu não serei mais uma das marionetes dele. E se para isso eu tiver que deixar de fazer parte dessa família, então eu deixarei. ____________________________________________ Quando Kai estaciona o carro na sua vaga de costume na escola eu o olho enquanto ele olha para a frente com uma expressão de quem está perdido em seus próprios pensamentos e eu respiro fundo criando coragem para falar com ele. - Você não pode enfrenta-lo, você faz parte da alcatéia como m****o ativo e como alfa ele tem poder sobre você, sem contar que eu odiaria te ver machucado. - digo chamando a atenção dele que n**a com a cabeça. - Assim como eu odiei ver ele te machucando e me chateou você não deixar eu fazer nada, somos primos e melhores amigos, você é minha irmã e que tipo de irmão eu sou se deixar que até mesmo ele te machuque ? - questiona me olhando e vê-lo com seus olhos verdes marejados faz meu peito doer. - Você é um primo incrível, um melhor amigo único e maravilhoso, também é o irmão que nem em meus sonhos eu poderia ter alguém melhor, mas você tem que entender que essa situação está além do seu controle. - respondo e ele n**a com a cabeça tentando conter o choro. - Eu queria máta-lo por te machucar, olha só isso. - diz afastando a gola alta da blusa e em seguida n**a com a cabeça secando as lágrimas. - Eu não me importo que ele seja o alfa, não me importo de seguir as regras idiotas dele, mas eu não posso aceitar que ele te machuque, então que se dane as regras e que se dane a lealdade que ele diz que devemos a ele. - completa e eu n**o com a cabeça. - Para de falar isso, tá querendo se m***r ? - pergunto e ele suspira. - E você tá querendo se m***r ? - questiona de volta e em seguida abre a porta do carro e sai, faço o mesmo e em seguida vou até ele. - Eu não estou querendo me m***r, mas eu não vou me submeter ao que todas as mulheres da nossa família se submetem e você sabe disso melhor do que qualquer outra pessoa. - respondo e ele assente. - Sim, eu sei muito bem disso, então quando eu quiser te ajudar a fazer uma revolução ou uma grande m***a, por favor não me manda parar, não me deixa de fora. - diz sério me olhando nos olhos. - Eu sou seu beta não importa se você tem genes de lobo ativos ou não, você sempre vai ser minha alfa. - completa e eu sorrio o abraçando em seguida. - Tá bom, não vou te deixar de fora, eu prometo. - digo e ele suspira me apertando contra ele. - Você é maluca, mas eu te amo. - diz divertido me fazendo rir. - Te amo chorão. - digo e ele ri se afastando e em seguida levanta a cabeça olhando algo atrás de mim, então eu me viro e ao ver James se aproximando ao lado de Calvin eu sorrio. Alguém vai ter seu humor melhorado por um par de olhos azuis brilhantes. Kai é muito sortudo. - Bom dia Lunita e Kaizinho. - diz Calvin sorrindo e eu olho para meu primo o vendo sorrir largo para o loiro. - Bom dia fofucho e Jay. - diz Kai e James o olha. Bom dia, vocês viram se a Pandora já chegou ? - pergunta e eu n**o. - Já olhou se o carro dela tá no lugar de sempre ? - pergunto e ele assente. - Sim, tem outro carro e eu dei uma olhada ao redor e nada também. - responde pegando seu celular. - Ela não tá respondendo minhas mensagens desde que me deixou em casa. - diz e eu faço uma careta. - Você fez alguma coisa que irritou ela ? - pergunta Kai e ele n**a. - Não, mas ela tava meio estranha depois que voltou do estacionamento e eu queria saber se tá tudo bem. - responde digitando em seu celular e eu acho isso fofo. - Eu acho que ele tá paranóico, pra mim ela pareceu normal, apenas um pouco animada o que é um sinal claro de que nossa saída em grupo fez bem a ela. - diz Calvin comemorando e eu sorrio. Espero que sim. Queria ter visto ela animada. Deve ter sido engraçado. - James ? - chamo a atenção dele que me olha confuso. - Sou eu. - diz divertido guardando o celular. - Posso falar com você em particular ? - pergunto e ele junta as sobrancelhas em confusão, mas assente. - Claro, vamos até meu Batmóvel. - brinca me estendendo seu braço e eu sorrio olhando para Kai que me olhava com uma expressão de diversão e em seguida pisca um olho. Nego com a cabeça entrelaçando meu braço ao de James e em seguida caminho com ele até o outro lado do estacionamento onde fica seu carro. - Então, em que posso lhe ser útil ? - pergunta e eu suspiro. - Seu pai era legista daqui antes de se mudar para Chicago ? - pergunto e ele assente. - Sim, ele trabalhou aqui como legista até meus doze anos, ele até me contou algumas histórias bizarras sobre o trabalho dele. - responde sorrindo de canto com uma expressão de diversão e eu sorrio. - Você sabe se ele guardava registros de perícias que ele fez ? - pergunto e ele para de andar me olhando confuso. - Não me diga que você quer ser legista ? - pergunta incrédulo e eu n**o rapidamente fazendo uma careta. - Ufa, você me assustou. - diz divertido e em seguida sorrir. - Bom, ele costumava guardar alguns papéis no antigo escritório dele no quintal de casa, alguns ele guardava em um cofre. - completa e eu sorrio. - Olha, eu vou ser direta tá bom ? - pergunto e ele assente. - Seu pai foi legista no ano em que a minha vó morreu e eu quero muito descobrir como ela morreu, então eu te chamei aqui pra pedir a sua ajuda. - digo e ele faz uma careta. Ele passa a mão em seus cabelos fazendo uma careta pensativa e em seguida suspira me olhando com uma expressão de quem está pensando sobre o assunto. - Quando você quer começar a revirar o escritório dele comigo ? - pergunta e eu sorrio. - Tá falando sério ? - pergunto e ele assente sorrindo de maneira contida com suas bochechas coradas. - Basta me dizer quando quer começar e minha casa e eu serviremos a você. - responde divertido e eu o abraço. - Obrigada, James. - agradeço e ele fica tão surpreso que leva um tempo para retribuir. - Isso significa muito pra mim, então obrigada de verdade. - agradeço novamente e ele encosta seu queixo no topo da minha cabeça. - Somos amigos, sempre que precisar de mim, eu estarei aqui para você, serei até seu parceiro de crime. - diz e eu sorrio tendo ainda mais certeza de que estava sendo boba o evitando. James é um cara legal. Eu deveria ter sido mais amigável com ele. ________________ Continua _________________
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