Lobisomem ?
Essa forma havia sido extinta pela primeira bruxa branca.
Como isso é possível ?
Olho para Mikhaela que me olha com uma expressão curiosa, mas a confusão em seus olhos é clara, ela também não está entendendo essa segunda transformação diante da lua de sangue e nem como a garota é capaz disso.
- Caramba, afinal ela é uma lobisomem ou um lobo ? - questiona Calvin confuso tirando seus óculos do rosto e em seguida limpa as lentes com a barra de sua camiseta.
- Aparentemente os dois. - respondo e ele me olha. - Ela é mais poderosa do que poderiamos imaginar. - completo olhando para a garota naquela forma primitiva.
- Isso é bom ou r**m ? - pergunta preocupado e eu sorrio.
- Isso é ótimo. - respondo ainda olhando para a garota agora uivando enquanto rasga sua pele com suas garras outra vez aparentemente tentando acelerar o processo da transformação.
Desvio minha atenção dela para a lua de sangue e esse ato me causa uma sensação estranha no peito seguida de uma formigação em minha marca, coloco a mão sobre a marca e a sinto queimar, afasto a jaqueta e a blusa sentindo o local doer, fico confusa por estar sentindo dor, ainda mais por algo tão simples e de certa forma bobo pra mim, mas ao ouvir aquele grito familiar eu sinto que tem algo errado e isso se confirma no momento seguinte em que me vejo cair da árvore indo de encontro ao chão sem conseguir me mover.
O que diabos tá acontecendo ?
Porque não consigo me mexer ?
Ao sentir meu corpo colidir com o chão e meus ossos se partindo seguido de todos os meus órgãos também sofrendo pelo impacto, fecho os olhos e em seguida os abro vendo um clarão de luz cobrir tudo a minha volta.
- Pandora ? - uma voz familiar me chama. - Pandora ? - chama novamente e então eu abro os olhos e ao ver aquele rosto desconhecido a minha frente, porém com olhos azuis familiares eu fico confusa, olho em volta enquanto sinto meu corpo balançar, barulho de cascos sincronizados e relincho chamam minha atenção, faço uma careta olhando para as cortinas chiques e o estofado fino e então entendo tudo.
Estou em uma carruagem.
- O que quer ? - as palavras saem de minha boca de maneira involuntária enquanto eu observo a garota aparentemente mais jovem que eu com atenção a vendo sorrir.
- Quanta agressividade caixinha do m*l. - diz divertida e eu sinto seu toque em minha bochecha.
Sua pele pálida, os olhos tão azuis quanto os meus e com intensidade parecida, suas bochechas rosadas, seu nariz e traços me lembram a mim mesma, porém seu rosto é mais fino e delicado, mas seu olhar eu diria que é fatal, além de seus cabelos loiros em um tom mais escuro.
Quem é essa garota ?
Será que sou eu séculos atrás ?
Eu estou tendo uma alucinação com meu eu do passado ?
Se sim, então porque não tenho o controle de mim mesma ?
- Você sempre arranja confusão por onde passa né ? - questiona sorrindo de canto e a semelhança entre nós só aumenta.
- Confusão é meu nome do meio. - as palavras saem automaticamente e essa falta de controle me irrita. - E o seu ? - questiono e ela revira os olhos.
- Aprendi com um certo alguém a dispensar apresentações, então meu nome não importa, o que importa é o porquê estou onde estou. - responde ainda sorrindo de canto com uma expressão de diversão. - Afinal, por onde passo o estrago é sempre grande. - completa divertida e ouvir isso me causa uma sensação boa.
Será que ela é mesmo uma versão minha de mil anos atrás ?
Ou só estou caindo em mais uma das palhaçadas de Kora ?
Afinal, ela pode estar por trás disso.
De alguma maneira ela tem acesso ao meu subconsciente e usa isso para me infernizar, me pergunto como ela conseguiu entrar na minha mente de tal maneira, ninguém nunca foi capaz disso, mas ela consegue tão facilmente e isso me deixa furiosa. Foco minha atenção na garota a minha frente, não sei o que isso significa, mas talvez possam ser lembranças como a que tive de Selene, talvez essa garota tenha feito parte do meu passado ou talvez eu esteja me vendo em um delírio. Bom, eu não sei ao certo, mas logo saberei, eu sinto que isso está mais próximo do que longe, suspiro fechando os olhos me encostando no estofado quando sinto algo molhado deslizando por minhas bochechas, abro os olhos e passo a mão em meu rosto a olhando em seguida e ao ver o líquido vermelho eu sei que tem algo errado, eu estou sangrando. Penso que talvez faça parte desse delírio, mas quando o clarão me atinge em cheio novamente fazendo meus olhos doerem e arderem eu os fecho com força cobrindo meus olhos com as palmas das mãos e é nesse momento que sinto um ar forte e quente contra meu rosto e então deduzo que há alguém com o rosto próximo demais do meu e então abro os olhos me deparando com aquela forma primitiva perto demais, seus olhos vermelhos fixados nos meus, me avaliando como se eu fosse a coisa mais interessante do mundo, ainda posso sentir o sangue em meu rosto e então olho em volta me dando conta de que não colidi com o chão como pensei, Luna me pegou a tempo, sorrio negando com a cabeça.
- Pode me colocar no chão agora lobinha. - digo e ela o faz.
Porém ao invés de se afastar ela permanece alí parada a minha frente me encarando em sua forma de lobisomem e isso me causa uma sensação desagradável e então uma hipótese vem à tona, uma hipótese que seria a opção mais óbvia de se imaginar nesse momento, afinal é sua primeira transformação e seria impossível ela ter controle total de si mesma, ainda mais nessa forma, mas mesmo assim ela me segurou, talvez de maneira inconsciente e por causa da ligação, eu não sei, mas é o que parece. Dou dois passos para trás para testar minha hipótese e ao vê-la dar dois passos a frente, eu sorrio achando graça da situação e isso parece ter um efeito negativo, pois seu rosnado alto e forte direcionado a mim é claramente um aviso de que ela está lutando contra seus instintos e claramente está perdendo.
Me pergunto o quão errado é o fato de eu estar desejando medir suas habilidades agora.
Será que ela é mais forte que um híbrido ?
E como deve funcionar seu processo de cura ?
É ainda mais rápido que o deles ?
São tantas perguntas.
Perguntas que terei que esperar para ter as respostas, afinal machuca-la ou lutar com ela é algo fora de questão, no entanto acho que lutar comigo não está fora de questão para ela nesse momento, pois esse olhar assassino direcionado a mim está bem exagerado e o que vem a seguir me faz pensar que talvez eu deveria ter saído daqui ao invés de ter mantido o contato visual com a lobisomem a minha frente.
É tão maluco se referir a ela dessa maneira, mas não é r**m.
Luna nasceu para viver coisas grandiosas e ser poderosa.
Isso com toda certeza é só o começo de sua jornada.
Esse pensamento me faz sorrir enquanto sinto suas garras em meu pescoço, pois eu sei o que ela está sentindo agora, eu posso sentir em meus ossos a sensação de estar diante de alguém tão forte quanto você, mas em seu caso eu sei que seus sentidos aguçados estão em alerta porque agora ela pode sentir o poder em mim, ela sente que minha mera presença exala perigo e o ar da morte paira em torno de mim. Seu instinto de alfa misturado a sua fúria de lobisomem enquanto suas garras perfuram a pele do meu pescoço em meio ao aperto me deixa animada, eu não deveria, mas estou muito animada com isso, quero ver até onde ela é capaz de ir.
- Então você perdeu a noção. - digo sorrindo ainda mais só para irrita-la. - Talvez eu deva te lembrar quem eu sou. - completo divertida agarrando seu braço e em seguida afasto suas garras do meu pescoço.
Em resposta recebo um golpe no rosto e posso senti-lo rasgar minha pele, sim suas garras fazendo um belo estrago no meu rosto, o que me deixa um pouco irritada ao ponto de arremessar a criatura irracional para longe vendo seu corpo bater contra uma árvore a fazendo se partir ao meio, o que me faz pensar que talvez eu tenha usado força demais.
Devo me lembrar que essa criatura é a minha lobinha.
E que ela não tem nenhuma experiência em combate, então tenho que ter cuidado para não machuca-la.
Seu ataque preciso segundos depois de sua recuperação me faz repensar sobre a falta de experiência em combate, principalmente quando sinto minhas costas colidir com uma árvore e o barulho dos galhos se partindo soam como música para os meus ouvidos. Me levanto limpando minha roupa e vejo sua aproximação bruta, desvio de seu ataque vendo suas garras acertarem o tronco da árvore e então isso se torna uma ação frenética, ela tentando me acertar e eu desviando de cada golpe seu com maestria, ela parecia incansável nos dez primeiros minutos até que de repente foi perdendo a força, mas não sem motivo algum, a medida em que a lua de sangue ia sumindo, sua forma de lobisomem ia regredindo para sua forma humana lentamente até restar apenas seus olhos vermelhos, os caninos e uma expressão animalesca, então sem pensar duas vezes eu tiro minha jaqueta e a cubro antes que alguém pudesse ver mais do que deveria, a segurando em seguida e impedindo que seu corpo entre em contato com o solo, segundos depois vejo Mikhaela se aproximar com um lençol e envolver a garota com ele, cobrindo totalmente seu corpo.
Ótimo.
Sua primeira transformação durou menos que o esperado, mas levando em conta a surpresa que tivemos, eu acho que foi bem justo.
Mais um tempo nessa forma e Luna ficaria ainda mais esgotada.
____________________________________________
Após acomodar Luna em minha cama, me junto ao grupo na sala que debatia a transformação surpresa da lobinha.
- Como isso é possível ? - pergunta Petra após voltar ao normal.
- É simples, ela tem o genes raro dos lúpus. - responde Mikhaela e eu a olho.
- Nesse caso ela é a primeira a ter o genes completo de nosso ancestral, Arzur Sallow, o primeiro lobisomem da história, também conhecido nas lendas como o " rei louco com fobia de animais peludos e de quatro patas ". - diz Alina parecendo pensar em algo. - Não entendo como ela foi capaz de se transformar em lobisomem, afinal o feitiço da bruxa branca por quem Arzur se apaixonou conteve a b***a dentro dele e automaticamente toda a sua linhagem e pessoas mordidas por ele também sofreram essa mudança. - completa confusa e algo me vem a mente.
- Talvez a maldição de Mikhaela tenha algo haver com isso. - digo e ela me olha seguida dos outros presentes na sala. - Há uma possibilidade da maldição de alguma romper o efeito do feitiço da bruxa branca ? - pergunto e ela dá de ombros.
- Nada é impossível, ela se transformar em lobisomem foi a prova disso. - responde Mikhaela e eu suspiro.
- Isso pode nos tornar escravos da lua cheia outra vez e voltaremos a nossa forma primitiva, ou somente ela será assim ? - pergunta Kai preocupado e Mikhaela o olha.
- Teremos que esperar pela próxima lua cheia para saber. - responde parecendo pensar em algo. - Arzur Sallow, se ele é o ancestral da sua família, então me diga qual o tipo de ligação sanguínea que ele tem com vocês. - pede Mikhaela olhando diretamente para Alina que suspira.
- Eu não deveria revelar algo sobre a minha família, mas infelizmente é necessário já que Luna vive aqui com vocês agora.- diz fazendo uma pausa em seguida. - A ligação sanguínea é de pai para filho, mais de mil anos de geração em geração, nossa família diferente das outras do nosso clã tem ligação direta com Arzur, somos a família principal e que rege a todos os lobos e bruxas do nosso clã. - continua se sentando na ponta do sofá. - Meu pai é descendente de Arzur e antes de conhecer a minha mãe, ele era o alfa da alcatéia Sallow que vivia originalmente na cidade de Blackwood antes de serem traídos pela família de mesmo nome da cidade há mil anos, os obrigando a se mudarem e foi assim que a alcatéia dele se mudou para Nápoles, na Itália, onde ele conheceu minha mãe. - completa e saber disso me faz sentir uma sensação estranha.
- Como seu pai pode continuar vivo após tanto tempo ? - pergunto e ela sorrir me olhando.
- Nossa linhagem é pura, somos todos lobos com genes lúpus, a primeira espécie a existir e diferente de outros que tiveram os genes passado após serem mordidos por Arzur séculos atrás, a gente já nasceu assim e isso nós torna diferentes. - responde e então eu entendo.
- Uma espécie de quase imortalidade. - digo e ela assente.
- Sim, não envelhecemos da maneira que deveria, na verdade nós dá família Sallow temos o privilégio de viver tanto quanto os vampiros desfrutando de uma quase imortalidade. - diz e eu olho para Mikhaela que me olha de volta.
- Agora eu consigo entender. - diz Mikhaela sorrindo e eu espero por uma explicação, mas ela não vem.
- O que você consegue entender ? - pergunto e ela suspira.
- Em breve você saberá, mas por enquanto eu tenho muito trabalho a fazer. - responde e eu reviro os olhos.
- E sério isso ? - questiono e ela assente caminhando até Calvin que a olha confuso.
- Venha comigo. - pede e o garoto assente imediatamente a seguindo para fora.
Ótimo.
Fala e depois banca a mosca morta.
Mamãe você é adoravelmente irritante.
Inferno !
____________________________________________
Quando eu penso que as coisas não podem ficar ainda mais loucas, elas provam o contrário disso e então me sinto mergulhar de cabeça ainda mais fundo nessa loucura que nos cerca. A transformação da minha melhor amiga foi algo totalmente inesperado, quem diria que seu genes lúpus seria mais forte que o feitiço que nos livrou de nossa forma primitiva.
Ela ainda é descendente do primeiro do lobisomem da história.
O rei louco da história do pacto.
Eu ainda não aceitava bem a história de como nós surgimos, mas agora não resta dúvidas, o pacto com o demônio de Jersey foi o que nos deu essa forma, foi o que abriu a porta do mundo sobrenatural para nós, antes meros mortais e agora criaturas místicas que para os humanos são apenas lendas contadas para assustar crianças.
Somos resultados de um pacto feito por inconsequentes.
O pacto dos três primeiros.
A tríade de sangue.
Suspiro me deitando na espreguiçadeira aproveitando o silêncio enquanto observo a piscina vazia. Por alguma razão estou com uma sensação estranha, não é r**m, mas também não é agradável, acho que talvez eu apenas esteja um pouco ansiosa pelo que está por vir.
- Finalmente eu te achei. - ouvir a voz de James faz com que eu me sente rapidamente o vendo se aproximar, afinal pensei que ele já tivesse ido para casa.
- O que faz aqui ainda ? - pergunto confusa e ele sorrir se sentando na espreguiçadeira vazia ao meu lado.
- Eu não podia ir sem me despedir. - responde e eu suspiro sabendo que esse será um momento bem incoveniente, o tipo de momento que eu não curto.
- Você não podia facilitar né ? - pergunto divertida e ele n**a com a cabeça sorrindo de canto.
- Não mesmo, ainda mais depois de falhar miseravelmente em te convidar para ir a um lugar comigo. - responde e eu faço uma careta confusa.
- Então estava fazendo planos para mim sem me consultar ? - pergunto e ele fica totalmente sem jeito, o que me faz querer rir, mas me contenho, pois tenho que gravar essa imagem dele assim todo fofo na minha memória.
- Eu vou engolir toda a minha vergonha agora e vou te fazer uma proposta. - diz me olhando nos olhos e eu penso que talvez seja um erro deixar ele seguir adiante, mas não me sinto capaz de negar nada a ele nesse momento, então apenas espero que ele continue. - Tinha um lugar que eu queria muito te levar e eu não tive coragem de te convidar, mas em compensação pela minha covardia, eu quero te propor o seguinte. - faz uma pausa e respira fundo claramente nervoso e isso me faz sorrir. - Quando eu voltar nas férias da escola, eu James Alexander quero te levar a um lugar bem maneiro e te provar que eu posso ser bem malvado, posso ser até bad por um dia. - completa e eu reviro os olhos, mas em seguida volto a sorrir assentindo para ele.
- Tá legal, eu irei aguardar ansiosamente para ver o James Alexander versão bad boy. - digo e ele sorrir. - E isso não é mais uma proposta, mas sim uma promessa. - completo estendendo meu mindinho para ele para selarmos nossa promessa, mesmo sabendo que não poderei cumpri-la.
- Promessa selada. - diz entrelaçando seu mindinho ao meu. - Vou sentir falta do seu punho fraturando meu nariz. - brinca me fazendo rir.
- E eu vou sentir sua falta, seu bad boy de araque. - brinco de volta e ele suspira.
- Petra Wheeler, você é uma garota incrível, divertida, linda e tem um soco destruidor. - diz se levantando. - Vou sentir sua falta. - faz uma pausa e em seguida beija minha bochecha. - Quando pensar em sair com alguém, não esqueça que tem um cara legal que adoraria sair com você e que talvez ele poderia ser uma boa opção pra você. - completa olhando em meus olhos sorrindo de maneira contida e eu assinto.
- Eu irei me lembrar desse cara legal, pode apostar. - digo contendo a vontade de beija-lo agora, seus olhos verdes estão levemente marejados e isso o faz se afastar.
- Até as férias. - diz e então se vira e vai embora.
O observo se afastar até sumir de meu campo de visão, sabendo que não nos veremos mais e que eu não terei mais a chance de sair com James Alexander, o cara mais legal que já conheci e também não poderei o ver tentar ser um bad boy por um dia, o que seria bem engraçado e perda de tempo, porque o que eu gostei nele desde o momento em que o vi pela primeira vez, foi o fato dele ser diferente dos outros caras, mas eu não sou para ele e ele não é para mim, somos de mundos opostos, por isso me mantive o mais longe possível para que a atração que eu sentia por ele não se tornasse algo maior, mas o ver ir embora agora me fez ver que mesmo tentando eu falhei.
Falhei, talvez por tentar demais.
As vezes não importa o quanto você tente deixar algo para lá, porque as vezes esse algo é tão forte que todas as suas tentativas serão em vão.
Porém nesse caso, James é um garoto muito amável e não gostar dele seria algo impossível, então que ele vá e viva sua vida longe daqui, longe dos perigos que ficar poderia trazer a sua vida.
E seja feliz James Alexander, o cara mais legal que eu nunca irei esquecer.
________________ Continua ________________