Starbucks.

2778 Words
Eu não fazia idéia do quanto Calvin é engraçado e divertido, passar o restante do meu tempo livre com ele foi muito bom, sem contar que eu ri demais enquanto ele fazia uns movimentos estranhos e depois afirmava ser o filho perdido do Michael Jackson que herdou todo o seu talento. Acho que arranjei um novo amigo. Pelo menos eu espero que sim. Porque amizade entre homem e mulher e muito mais fácil, eles são sempre diretos, sabem de coisas que a gente nem imagina, quase nunca vai haver um drama entre vocês, porque eles simplesmente não sabem ficar calados quando sentem algo, não que não haja mulheres assim, mas levando em conta a minha experiência pessoal com amizade com homens e mulheres, eu posso dizer que minha única amiga me odeia por algo que eu nem faço idéia do que seja. Então acho que tenho mais facilidade para fazer amizade com os garotos. Ah, tem mais uma vantagem nisso... Eles podem te carregar quando você está com preguiça. Essa vantagem é uma das melhores. Mais não posso me esquecer de que tem muito garoto falso também, acho que essa coisa de qual tipo de amizade e melhor depende muito do seu círculo de amizade e de como você socializa. - Então seu primo incluiu você é a Pandora na ida ao Starbucks ? - pergunta Calvin rindo e eu assinto. - Ele cismou que eu tô afim dela e que ela tá afim de mim. - respondo negando com a cabeça sorrindo e ele me olha. - E quando ele acha algo vai longe para provar que está certo ou descobrir que está errado. - diz e eu assinto. - Mais você realmente não está afim dela ? - pergunta com um tom de diversão e eu o empurro de leve o fazendo ri enquanto eu reviro os olhos. - Não estou afim dela, na verdade eu não entendo muito dessas coisas então nem sei se saberia entender caso eu estivesse afim dela. - digo confusa com minhas próprias palavras e ele me olha atento. - Acho que sou melhor em entender os sentimentos dos outros. - completo e ele faz uma careta engraçada. - Então me diz se tenho alguma chance com seu primo. - diz divertido e eu penso em como dizer a ele que ele tem chance, mas não rolaria algo sério porque meu primo é um lobo e a nossa alcatéia é preconceituosa. - Você tem chance, mas a nossa família seria um problema caso as coisas ficassem sérias. - digo e ele assente indicando entender. - Sua família é conservadora ? - pergunta e eu assinto. - Digamos que são bem piores do que os conservadores tradicionais. - respondo e ele faz uma careta. - Essa é uma comparação bem precisa. - diz e eu assinto. - Eles estão vindo. - completa fazendo um gesto com os olhos indicando um ponto atrás de mim. Me viro e vejo meu primo se aproximar com Pandora ao seu lado, os dois parecem conversar sobre algo engraçado pois meu primo ria sem parar enquanto a garota falava. - A conversa parece tá boa. - diz Calvin sorrindo de canto. - E eu estou com medo disso. - digo divertida e ele ri. - Aí está a lua da minha vida. - diz Kai e eu vejo um meio sorriso se formar nos lábios de Pandora. - Prontos para irmos ? - pergunta e Calvin e eu assentimos enquanto Pandora me olha em silêncio de maneira avaliativa. - Caixa de Pandora ? - questiona uma resposta da garota que continua me encarando em silêncio. - Porque não né. - diz olhando para Kai que comemora. - Eu acompanho o carro de vocês. - completa começando a caminhar em direção ao lado oposto do qual estamos. - A Luna adoraria te fazer companhia. - diz Kai chamando a atenção dela que para de andar e se vira para me olhar com uma expressão que eu não consigo decifrar e então eu olho para Kai engolindo seco por ser a segunda vez que ele faz algo assim sem me avisar em relação a garota de olhos azuis. - Vai logo com tua gata misteriosa. - completa baixo e eu ouço a risada de Calvin. - Você me paga. - sussurro e em seguida caminho em direção a garota que permanecia parada me olhando ainda com a mesma expressão. Assim que a alcanço ela volta a andar, mas dessa vez comigo ao seu lado, ela não fala nada e muito menos eu, ela eu não sei o porquê, já eu simplesmente não faço idéia do que dizer, não sei nem se ela realmente queria uma saída em grupo e se está indo por pura educação, se bem que ela não me parece o tipo de pessoa que sairia com outras só por educação, então talvez ela tenha um motivo para ir, porém pode não ser nada específico como meu primo imagina, talvez ela só esteja entediada e sair com a gente seja sua maneira de buscar entretenimento. Contenho o suspiro prestes a escapar enquanto ela pega algo no bolso de sua calça jeans, inclusive notei que ela não tem um estilo específico, porque as vezes ela parece fazer cosplay de uma daquelas rockeiras estilosas de capa de revista que usa calça de couro ou jeans rasgados, coturnos, jaqueta também de couro e óculos de sol e outras vezes ela parece uma garota simples usando uma calça jeans, coturno de salto e um cropped de manga cumprida, eu ainda não a vi usar blusas de manga curta, talvez ela faça isso para evitar gente curiosa como eu que sairia perguntando sobre as tatuagens que Calvin mencionou que ela tem. Isso me lembra que eu ainda não a estalkei, na verdade não sei nem se ela tem i********:. Acho que tá na hora de procurar alguma rede social dela. - Ainda dá tempo de dar meia volta e ir com eles lobinha. - diz chamando minha atenção enquanto aperta o botão para desativar o alarme do carro e eu olho para o veículo ficando surpresa e em seguida me pergunto se ela é filha de algum magnata ou algo assim. - Belo carro. - digo só conseguindo decifrar que é da marca Ferrari graças ao símbolo que dava ainda mais contraste a pintura vermelha. - Essa é a Fer, Fer eu te apresento Luna Blackwood. - diz passando a mão no capô do carro e eu faço uma careta. - Primeiro tenho que deixar claro que eu não me importo de ir com você. - digo e ela se encosta no carro me encarando com uma expressão de diversão. - Segundo, porque diabos você deu nome ao carro ? - pergunto e ela força uma expressão de ofendida. - Ei, vai com calma que a Fer é muito sensível tá. - responde e eu reviro os olhos enquanto ela abre a porta do carro. - Dar um nome a essa coisa linda foi meio que um passa tempo, então tenha respeito pela salvadora do meu tédio e sim, ela é mulher porquê a gente e girl power nessa m***a de vida. - diz divertida levantando o braço fazendo uma expressão i****a ao falar " girl power. " Sorrio achando engraçado a maneira como logo em seguida ela faz uma careta e depois sorrir torto negando com a cabeça. - Por favor entre senhorita Blackwood. - pede e eu o faço. - Eu juro que pensei que você teria uma moto ao invés de um carro. - digo enquanto ela fecha a porta e em seguida se escora na mesma apoiando os cotovelos na janela. - E porque você pensou isso ? - pergunta com um tom de diversão. - Porque você meio que aparenta ser o tipo de garota rebelde que os pais perguntam " qual carro você quer " e aí você os surpreende dizendo que quer uma Harley Davidson porque quer sair por aí com uma gangue de motoqueiros. - respondo divertida e ela sorrir de canto. - Deixa eu te contar um segredo. - diz apoiando seu queixo encima dos braços. - Eu tenho uma Harley Davidson, mas eu não quero fugir com uma gangue de motoqueiros apesar de conhecer algumas. - completa sorrindo com um expressão de diversão, porém algo em sua postura e a maneira como ela falou indica que ela está falando sério. - Isso é sério ? - pergunto por pura curiosidade e ela assente. - Muito sério. - responde se afastando da janela enquanto eu sorrio imaginando ela andando por aí em sua moto com uma gangue de motoqueiros. Ela dá a volta e entra no carro, ela me olha antes de sair com o carro dali indo em direção ao carro de Kai que estava parado mais a frente nos esperando e quando a garota para o carro ao lado do dele, meu primo mexe as sobrancelhas freneticamente sorrindo antes de seguir a nossa frente. - Porque aceitou ir ? - pergunto a olhando e ela me olha de canto rapidamente. - Porque você é tão curiosa ? - pergunta divertida e eu sorrio. - Não faço idéia. - respondo vendo seu rosto se contorcer um pouco diante a minha resposta formando uma careta engraçada. - Acho que as vezes eu tenho uma mania de buscar sempre um motivo para tudo, porque tem coisas que eu não acredito mesmo sendo tão reais para mim. - digo pensativa e sinto seu olhar em mim enquanto observo pela janela toda a estética interessante da cidade onde nasci. - Acho que deve ser meio que uma maneira do meu subconsciente me ajudar a fugir da realidade fazendo perguntas sem parar até mesmo quando já sei as respostas. - completo voltando a olhar e vejo um sorriso contido se formando em seus lábios. - Estou indo por você. - diz olhando atenta para estrada e eu fico confusa. - Acho que você não merece segurar vela, por isso estou indo. - completa me olhando rapidamente com seus olhos azuis expressivos. - Oh ! - exclamo confusa tentando conter a parte de mim que queria fazer mil perguntas a ela sobre seu comportamento relacionado a mim. - Obrigada, mas você não deveria ir só por isso. - digo e ela me olha por alguns segundos séria. - Quero dizer, você deve ter coisas para fazer e agora eu estou sentindo que estou atrapalhando você de certa forma. - completo a olhando e então ali está aquele sorriso torto de canto e aquela maneira de olhar também de canto que eu havia mencionado mentalmente antes sobre me causar sensações estranhas. - Eu quero ir, Luna. - diz e então desvia sua atenção da estrada me olhando rapidamente enquanto para no sinal. - Eu não costumo fazer coisas que eu não queira ou por pena, se estou indo e porque eu quero te fazer companhia mesmo que seja óbvio o fato de seu primo ter me chamado usando você por achar que eu estou afim de você e que você se sente atraída por mim. - completa me deixando boquiaberta. Não sei porque estou tão surpresa se ela demonstra ser tão inteligente e sagaz quanto foi agora ao notar as tramóias de meu primo, sinto vontade de soltar uma pergunta do tipo " e você tá afim de mim " ou " você se sente atraída por mim ", então me repreendo mentalmente por pensar em perguntar algo que eu acho que não saberia lidar caso a resposta fosse positiva, sem contar que seria i****a da minha parte perguntar isso levando em conta o fato de que ela não deu encima de mim ou ao menos flertou comigo nas poucas conversas que tivemos. Então não seja i****a Luna ! Não seja. Controle essa curiosidade maluca. - Quando notou que ele estava fazendo isso ? - pergunto respirando fundo e ouço uma risada nasal como resposta imediata. - Toda aquela situação na quadra deixou tudo bem óbvio para mim. - responde e eu sorrio enquanto ela suspira passando a mão em seus cabelos na tentativa de alinhar os fios levemente bagunçandos por causa do vento entrando pela janela do carro. - Ele nunca falaria comigo ou me chamaria se não tivesse algo haver com você, ainda mais uma saída que para alguns pode parecer em grupo, mas sabemos que há uma intenção por trás. - diz tranquila dando de ombros e em seguida me olha. - Esse é o efeito de ser a garota misteriosa que aparentemente odeia todo mundo, você automaticamente afasta as pessoas, o que de certa forma é bom, porque quando elas se aproximam assim de repente você já imagina que elas querem algo. - completa divertida. - Então você não odeia as pessoas ? - pergunto no mesmo tom e ela sorrir. - Não odeio, mas também não posso dizer que gosto, na verdade eu só não ligo para nada em específico. - responde dando de ombros enquanto estaciona o carro e então eu percebo que prestei tanta atenção nela que nem sequer notei que já estávamos chegando. - Você não liga para nada em específico, mas mesmo assim veio para me fazer companhia. - digo e então ela me olha de uma maneira intensa e avaliativa, como se buscasse algo em mim e isso me faz engolir seco enquanto ela sorrir de maneira contida. - Eu não ligo para " nada em específico. " - diz fazendo aspas com os dedos. - Estar aqui com você mostra que você não faz parte desse nada específico do qual eu não ligo. - completa com um tom de diversão e em seguida abre a porta me deixando sozinha e confusa. Isso quer dizer o quê ? Ela meio que disse que se importa comigo ? Sim, foi exatamente isso. Mais porquê ? Ela nem me conhece. Nem sabe que eu sou herdeira de uma alcatéia de lobos e que meu pai misógino quer que eu me case no próximo ano após terminar o ensino médio com um alfa qualquer que eu provavelmente nunca vi na vida. Se ela soubesse ficaria longe, porque talvez eu possa trazer problemas para a sua vida, mesmo que não seja a minha intenção, meu pai e sua mania de se achar superior a tudo, mas principalmente superior aos humanos repudiando qualquer coisa que ele considere causa dos humanos comuns, pode comprovar isso. Uma de suas regras para que eu pudesse frequentar a escola dos humanos foi " não faça amizade com humanos " logo depois de dizer que eu não poderia sair da presença de Kai e que qualquer cheiro incomum impregnado em mim seria o meu fim nessa escola, respiro fundo tentando conter a chuva de pensamentos circulando pela minha mente e então finalmente saio do carro vendo que Kai ia mais a frente com Calvin ao seu lado enquanto Pandora estava encostada no carro me esperando. Sua expressão tranquila e a diversão brincando em seus lábios em forma de sorriso enquanto sua cabeça está apoiada em seus braços que estão encostados na parte de trás da carroceria de seu carro. - Me desculpa por te fazer esperar. - peço e ela revira os olhos. - A pressa é inimiga da perfeição e quem se apressa come cru, então relaxa, eu sou bem paciente. - diz e eu faço uma careta ao vê-la usar dois ditados de uma só vez. - Não se desculpe por precisar respirar diante da minha falta de freio quando se trata de falar o que penso, ser direta demais é minha maior qualidade. - brinca e eu sorrio. - Tudo bem, você só me deixou surpresa e um pouco confusa. - digo sincera e ela sorrir se desencostando do carro e então começa a andar em direção a entrada do Starbucks que como de costume tem a sua fachada padrão e eu a acompanho. - O que seria da vida sem um pouco disso lobinha. - diz divertida e então eu entendo que ela não vai se aprofundar nesse tema comigo agora, talvez em outro momento quem sabe. Acho que só perguntar não vai funcionar com ela, acho que terei que a conhecer melhor e desvendar seu jeito e a maneira de pensar aos poucos, com calma ou ela pode me confundir ainda mais, mesmo que claramente não seja a sua intenção. Acho que terei que desvendar o mistério ambulante que é Pandora McCracken. Tenho quase certeza de que não será tão fácil, mas preciso entender tudo isso ou vou surtar. Ainda mais se toda aquela sensação estranha do surto de ontem voltar. _________________ Continua _______________
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