Quando cheguei em casa ontem a tarde após um silêncio constrangedor no carro com Petra logo depois da nossa crise de risos, eu apenas me tranquei em meu quarto e então me permiti chorar e surtar, me permiti me sentir h******l enquanto dizia a mim mesma que não pode ficar pior e assim eu peguei no sono, mas dessa vez eu não sonhei com Pandora, ela não apareceu em meus sonhos para me confortar ou apenas me ver. Então quando acordei de madrugada eu não sai para correr como de costume, na verdade eu apenas permaneci deitada olhando o vaso com a semente de gardênia recentemente plantada me perguntando até onde posso ir e como posso lidar com todas essas coisas acontecendo na minha vida.
Eu simplesmente não sei mais o que pensar.
Não consigo entender o porquê tudo isso tá acontecendo comigo.
Mais eu não posso fingir que não entendi o que aquela voz repetia sem parar, eu sou a maldição da minha família e tem haver com Kasper Blackwood e o conto da bruxa, então eu preciso descobrir mais sobre meu antepassado para entender verdadeiramente tudo isso. Suspiro ouvindo batidas na porta e eu simplesmente não respondo nada, então quem quer que seja entra fechando a porta em seguida.
- Bom dia meu amor, trouxe seu café da manhã. - diz minha mãe e eu apenas cubro minha cabeça com o lençol.
- Eu tô sem fome. - digo e a ouço suspirar.
- De qualquer maneira vou deixar aqui para caso você sinta fome depois. - diz e eu afasto o lençol para a olhar.
- Porque veio até aqui e me trouxe café ? - questiono desconfiada. - Qual é a m***a da vez ? - pergunto séria e ela suspira.
- Eu realmente queria apenas trazer algo para você comer, quando chegou em casa ontem você tinha uma aparência tão abatida e depois se trancou aqui e não saiu para nada, Petra disse que você passou m*l durante a educação física e então foi liberada, mas como mãe eu sei que tem mais coisa aí. - responde e eu arqueio uma sobrancelha por ela está falando algo que não seja o automático obediente de sempre que o meu pai gosta. - Sei que tem passado por muita coisa filha e eu quero que saiba que eu estou aqui para você. - diz sorrindo passando a mão em meus cabelos.
- Tá tudo bem, eu só preciso descansar. - digo e ela assente se levantando.
- Tá, mas tenho que te avisar que teremos um jantar aqui essa noite, Cerberus não deu muitos detalhes, apenas disse que a presença de todos os membros da família é importante, então já sabe que vai ter que sair do quarto a noite. - diz e eu reviro os olhos.
- Claro, inclusive vou adorar exibir as marcas que ele deixou no meu pescoço, vai ser a entrada triunfal que esse jantar precisa. - digo sorrindo sarcástica e minha mãe ri me deixando confusa.
- Tá bom, mas tome seu café, a tarde trago seu almoço. - diz seguindo para fora do quarto e antes que ela feche a porta eu a chamo.
- Mãe ? - chamo e ela coloca a cabeça para dentro do quarto e espera que eu continue. - Você foi abduzida por alienígenas ? - pergunto divertida e ela n**a com a cabeça sorrindo.
- Não que eu me lembre, se bem que eu juro que vi objetos voladores suspeitos. - responde no mesmo tom e eu a encaro assustada com essa mudança repentina.
- Obrigada por trazer meu café, apesar de que essa sua versão pós abdução me deixou um pouco traumatizada. - digo e ela ri.
- Vida longa e próspera. - diz fazendo a saudação do Spock e em seguida fecha a porta rindo ainda mais ao ver minha expressão incrédula.
O que diabos aconteceu com ela ?
Por acaso eu dormi e acordei no mundo invertido de Stranger Things ?
Bom, isso explicaria toda essa bagunça que tá a minha vida.
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Pandora caminha tranquilamente pelo cemitério seguindo em direção ao local combinado, ela estava animada para essa noite, apesar de sentir que tem algo errado com a sua lobinha, desde ontem ela poderia sentir a aflição, raiva, confusão e dor da garota, a loira sabia exatamente o que estava acontecendo e sabia que só irá piorar com o passar dos dias, afinal seu décimo sétimo aniversário está próximo e com ele o grande evento da lua de sangue.
Isso marcaria o fim da vida comum e de certa forma tranquila para a garota.
Pois ela teria que lidar com tudo aquilo que ela ignorou e de certa forma abominou por anos.
Pandora sabe que será difícil para a garota lidar com a mudança, mas ela estaria ao seu lado a todo momento e faria o que fosse necessário para a garota se sentir segura e confortável, ela não deixaria a garota passar por esse processo longo sozinha e muito menos deixaria que algo lhe acontecesse. A loira suspira parando entre a estátua do anjo da morte, ela olha de canto para a pessoa que lhe acompanhou por meses se escondendo atrás de uma capa escura com capuz e uma máscara que ela acha i****a.
- Deixou tudo no meu carro ? - pergunta olhando de canto para a loira.
- Sim, está tudo conforme o combinado, enquanto ao vestiário da escola, Mikhaela deu um jeito. - responde Pandora. - E bom ver que você está fazendo seu papel direitinho, mas não acha que teria sido mais divertido participar da minha noite de diversão ? - questiona sorrindo ao se lembrar de toda a sessão tortura realizada com Johnathan Blackwood na noite anterior.
- Acho que cuidar de tudo para que seu plano sádico dê certo foi mais importante, afinal o que seria do d***o sem os seus lacaios ? - questiona com um tom de diversão olhando para a loira.
- Eu adoro seu humor, essa sua personalidade é interessante demais pra mim, por isso te escolhi entre tantas pessoas, ninguém conseguiria fazer o que você fez, acho que te ensinei certinho como ser uma criatura desalmada. - responde a loira sorrindo. - Será uma surpresa para todos quando chegar o momento de você se revelar, então por favor faça algo grandioso e inesquecível. - diz divertida e em seguida revira os olhos negando com a cabeça ao ver a máscara i****a com detalhes sem sentido na cor dourada. - Ah, e pelo amor de Deus muda essa máscara, da próxima vez que nos encontramos coloca algo do tipo Janson, It a coisa, ou navalhas nos dedos como Freddy Krueger com uma máscara do Slipknot ou do Kiss e trás uma caixinha de som com " Back In Black " do " ACDC " tocando pra dá uma animada no local com uma pitada de terror e sarcasmo. - completa sorrindo.
- Acho que meu humor e personalidade não é o único ponto interessante aqui, se bem que eu espero qualquer coisa de alguém tão sádica, psicopata e maligna como você. - diz sorrindo de volta.
- Que isso meu amor, eu sou a bondade em pessoa, eu até tenho um melhor amigo, uma lobinha curiosa entrando em surto por causa da primeira transformação e outros amigos que até são legais, então acho que tem algo de bom em mim em algum lugar aqui dentro. - diz a loira com um tom de diversão apontando para seu coração e em seguida começa a dar passos para trás enquanto levanta os braços para cima e balança o corpo sem parar dançando de maneira esquisita. - Back in black I hit the sack, I've been too long, I'm glad to be back. - cantarola sorrindo.
( De volta em preto, eu bati no saco, demorei muito, estou feliz por estar de volta. )
- Yes, I'm let loose from the noose, that's kept me hanging about. - continua cantarolando sobre o olhar atento da única pessoa presente naquele cemitério além dela.
(Sim, estou solto do laço, isso me manteve pendurado. )
A loira anda de um lado para o outro fazendo uma imitação de pose de astro do rock ouvindo a risada que de certa forma ela já está acostumada e até gosta do som.
- I've been looking at the sky, 'cause it's gettin' me high, forget the hearse 'cause I never die. - cantarola novamente apontando para o céu e em seguida para os túmulos em volta.
( Eu estive olhando para o céu, porque está me deixando chapado, esqueça o carro funerário porque eu nunca morro. )
A cena da loira fazendo graça enquanto canta um bom rock que a agrada muito na presença de alguém com que ela conviveu por meses e se acostumou com a sua presença é algo que qualquer um pagaria para ver.
- I got nine lives, cat's eyes abusin' every one of them and running wild. - diz correndo até um túmulo mais a frente e em seguida pula encima dele e começa a tocar uma guitarra imaginária balançando a cabeça para cima e pra baixo no ritmo da música e isso gera ainda mais risos. - 'Cause I'm back ,yes, I'm back, well, I'm back. Yes, I'm back, well, I'm back, back, well, I'm back in black, yes, I'm back in black, back in the back. - completa rindo de sua própria loucura.
( Eu tenho nove vidas, olhos de gato abusando de cada um deles e correndo solto. )
( Porque estou de volta, sim, estou de volta, pois estou de volta. Sim, estou de volta, bem, eu estou de volta, de volta, bem, eu estou de volta no preto, sim, estou de volta no preto, de volta nas costas. )
A loira ri ainda mais ao ouvir os aplausos e risadas e então ela olha para sua companhia e acena em despedida após fazer uma reverência como cumprimento e em seguida desce do túmulo e segue seu caminho para fora do cemitério sorrindo ao se sentir animada essa manhã e ansiosa para as coisas que viriam a seguir. Enquanto seguia para fora do cemitério ela pensou no quanto o dia, mas principalmente a noite seria algo espetacular para ela e que com toda certeza ela merecia um Oscar de melhor vilã amada.
Sim, ela acha que seria o tipo de personagem do m*l que todo mundo gostaria de algum jeito.
É com toda certeza ela está certa.
Ela entra em seu carro e pega seu celular, ela vai direto para o app de mensagens e então manda uma mensagem para James, ela tinha um plano para o fim da noite após apreciar o seu espetáculo e o garoto faz parte dele. Sim, seu melhor amigo faz parte de seus planos sangrentos, a loira sorrir ligando o carro enquanto pensa que não soa tão estranho se referir ao garoto dessa forma e que ter um melhor amigo até que é divertido, ela também pensou que logo ela saberia se valeria apena ter um melhor amigo ou não.
Sim, ela irá testar o garoto.
Afinal, ela precisa de um melhor amigo capaz de aguentar o peso que ser sua amiga pode trazer na bagagem.
Sim, ela sabe que ela é um problema ambulante e que aonde ela vai tudo automaticamente começa a ruir aos poucos.
Afinal desde seu nascimento ela vem causando problemas e confusões, sua vida tem sido conturbada e agitada desde sempre ao ponto de as vezes ela perguntar a si mesma se aprendeu primeiro a andar ou m***r, ela nem sequer pode definir ou ao menos lembrar se já teve um momento tranquilo onde tudo não acabou em suas roupas encharcadas de sangue e cadáveres espalhados a sua volta. Sua lista de assassinatos é bem maior que a quantidade de páginas do maior livro de Harry Potter e ainda está aumentando mais a cada dia, esse pensamento a faz sorrir, pois ela adora anotar os nomes de cada uma de suas vítimas e quando ela não sabe o nome, ela apenas inventa um apelido que faça alguma referência a pessoa que ela matou. Com vários pensamentos praticamente surgindo em sua mente ao mesmo tempo feito uma chuva repentina, ela liga o som do carro e a primeira música de sua playlist é justamente a que ela cantou minutos atrás, a música que a faz pensar que foi feita para esse momento de sua vida, afinal ela estava de volta a sua cidade depois de muito tempo longe e ela realmente estava de volta de preto, pois aonde ela vai o anjo da morte vai atrás trazendo o luto para a vida de incontáveis pessoas.
Sua maldição é ter nascido.
Pois para ela não há pior maldição do que conhecer esse mundo maluco e injusto.
* Of a Cadillac number one with a bullet, I'm a power pack.
( De um Cadillac número um com uma bala, eu sou um pacote de energia. )
Fugindo de seitas e do eleito governo sobrenatural por anos até que tivesse idade o suficiente para se defender sozinha, ela precisou aprender anatomia com cinco anos e aos seis como m***r criaturas sobrenaturais, quando completou sete anos ela fez sua primeira vítima, naquela época a garota tinha mais poder mágico do que dez bruxas recém evoluídas juntas.
* Yes, I'm in a bang with a gang, hey've got to catch me if they want me to hang.
( Sim, eu estou em um estrondo com uma gangue, eles têm que me pegar se quiserem que eu seja enforcado. )
Para Mikhaela a garota era extraordinária, tem tanto poder nela que faz ser compreensível todas as tentativas de seitas ocultas e da própria tríade de sangue enviar pobres almas desavisadas para a morte certa ao tentarem capturar a garota. Assim como a bruxa também sabe que tanto poder traria consigo algo maligno e essa parte tem um domínio enorme sobre a loira, toda aquela sua sede de m***r e o prazer por tirar vidas era algo que reprimia e aprisionava em algum lugar toda a bondade da garota a deixando a mercer de seu desejo insaciável de m***r e causar sofrimento.
* 'Cause I'm back on the track and I'm beatin' the flack nobody's gonna get me on another rap.
( Porque estou de volta à pista e eu estou batendo o flack ninguém vai me pegar em outro rap. )
Maligna é a melhor maneira de descrever a garota de olhos azuis para aqueles que a viram em ação, uma criatura c***l, incansável, sádica e imparável com um humor tão ácido que pode te fazer literalmente querer derreter ao som de sua voz, pois qualquer coisa séria melhor do que se tornar um de seus brinquedinhos.
* So look at me now, I'm just makin' my play. Don't try to push your luck, just get out of my way.
( Então olhe para mim agora, eu estou apenas fazendo minha jogada. Não tente abusar da sua sorte, apenas saia do meu caminho. )
Sortudos são aqueles que não ousaram cruzar seu caminho se permitindo viver uma vida tranquila, e azar daqueles que ousaram tentar a impedir de seguir seu caminho livremente de maneira sorrateira feito um demônio que se esconde nas sombras esperando algum desavisado cruzar seu caminho e fazer da sua noite algo memorável.
* 'Cause I'm back, yes, I'm back, well, I'm back. Yes, I'm back, well, I'm back, back.
( Porque estou de volta, sim, estou de volta, pois estou de volta. Sim, estou de volta, bem, eu estou de volta, de volta.)
O d***o de Jersey.
O demônio de Jersey.
A criatura desalmada.
O anjo da morte.
O terror daqueles que vagam por aí.
* Well, I'm back in black, yes, I'm back in black, well, I'm back, yes, I'm back, yes, I'm back in black. )
( Bem, eu estou de volta no preto, sim, estou de volta no preto, bem, estou de volta, sim, estou de volta, sim, estou de volta no preto. )
Chamem-a como quiserem e digam o quiserem, mas nunca ousem seguir pelo mesmo caminho que ela, pois estará assinando a sua sentença de morte.
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