" Lua de sangue. "
" A primeira alfa. "
" Amaldiçoada. "
Despertar com essas frases se repetindo sem parar em todos os meus sonhos não foi fácil, e mesmo agora enquanto corro pela trilha da floresta próximo a casa de Pandora, posso ouvi-las se repetindo em minha mente feito um mantra me lembrando que hoje a meia noite é o meu aniversário e a data em que a maldição se tornará completa.
A partir da meia noite eu estarei em contagem regressiva para me tornar a primeira alfa.
E então não terá mais volta.
Eu terei que parar de tentar fugir de certas situações e as encarar de frente como dela disse.
Aquela garota sabe entrar na minha mente.
Suas palavras ficaram ecoando na minha mente e acho que por isso talvez eu esteja repassando de maneira inconsciente certas memórias como as primeiras visões que tive e olhando para trás agora eu posso ver a diferença entre a Luna de antes e a de agora. Antes eu não tinha idéia de até onde eu podia ir, então eu ficava sempre em uma zona confortável pra mim, mas agora eu sei até aonde eu quero ir e sabendo disso eu não posso ficar parada, não posso também ignorar certas situações, porque eu deixei tanto pra lá que as coisas foram acumulando e agora simplesmente não dá mais pra varrer toda a sujeira pra debaixo do tapete, eu tenho que a aniquilar.
E tem que começar por ele... Cerberus Blackwood, meu pai.
Acho que tudo que me envolve se resume a ele.
O fato de eu ser a primeira alfa não é uma coincidência, quando descobri eu pensei que isso fosse um fardo, mas tô começando a ver as coisas de outra forma, tinha que ser eu, era meu destino bater de frente com ele, afinal tudo começou com um Blackwood e tem que terminar com um. Respiro fundo me encostando em uma árvore, não me sinto cansada, apenas sem ar e isso é culpa da ansiedade tentando tomar conta de mim, mas o que posso fazer, falta tão pouco tempo pra tudo mudar de vez, faltam literalmente horas para isso, ouço um barulho vindo de cima das árvores e penso que pode ser algum animal, olho para cima tentando identificar do que se trata , mas ao ouvir sua voz não posso evitar sorrir, ainda mais ao vê-la sentada sobre o galho de uma árvore mais a frente e o mais inusitado nisso e que pela primeira vez ela me parece só uma adolescente comum, talvez isso se dê ao fato dela estar usando short moletom e uma camiseta preta me parece a coisa mais típica do mundo, não posso me esquecer dos tênis e o r**o de cavalo.
Jesus !
Que mudança foi essa ?
Não importa, ela continua linda e sexy mesmo tão simples.
- Já está cansada lobinha ? - pergunta me olhando com uma expressão divertida.
- Não, apenas senti um perfume enorme de perigo pairando no ar e decidi recuar para fazer uma análise do que poderia estar me esperando mais a frente. - respondo divertida e sua expressão se torna risonha enquanto ela balança as pernas no ar claramente se divertindo com minha resposta e essa ação me parece bem infantil, mas a deixa fofa.
- Oh, entendo. - diz balançando a cabeça e em seguida olha para cima e respira fundo. - Você sentiu que havia uma criatura perigosa e insana por perto, eu também senti e por isso estou aqui me certificando de que você esbarre com ela. - completa divertida e então sorrir de canto olhando para mim.
- Então desce e esbarra em mim, afinal sabemos bem quem é a criatura perigosa e insana aqui. - digo no mesmo tom e então ela salta do galho caindo em pé apenas há alguns passos de mim.
- Devo entender isso como uma afronta ? - questiona colocando as mãos para trás enquanto caminha até mim.
- Entenda como quiser se isso te fizer querer esbarrar comigo mais vezes. - respondo a vendo parar a minha frente ficando cara a cara comigo, ficando apenas há um passo de distância.
- Mesmo sabendo que talvez eu seja quase um demônio ? - questiona divertida e sua expressão ainda risonha me faz querer muito beija-la agora.
Inferno !
Ela tá muito fofa e charmosa de uma só vez.
Eu quero abraça-la, mas também quero a apertar e morder.
Como pode isso ?
- Nesse caso, eu acho que talvez você possa ser o demônio que atormenta a minha vida. - respondo e ela arqueia uma sobrancelha me olhando me olhando de uma maneira engraçada, acho que minha resposta a surpreendeu e tá tudo bem, porque me surpreendeu também.
- Nesse caso, eu acho que vou adorar te infernizar eternamente lobinha. - diz tocando meu rosto. - Eu tenho tantas idéias de como te infernizar que você nem sequer imagina. - sussurra olhando em meus olhos e isso me deixa totalmente desconcertada, porém tento não demonstrar, mas o brilho diabólico em seus olhos demostra claramente que ela sabe o efeito que tem sobre mim, que ela sabe o que causa e que basta ouvi-la falar e meu corpo reage automaticamente, como se fosse programado para corresponder a qualquer coisa que ela faça ou fale, por mais mínima e simples que seja.
- Vai me fazer arder no fogo eterno ? - questiono sarcástica.
- Não, eu nunca te dividiria com ninguém, muito menos com um fogo que eu não faço idéia se existe, então eu vou criar e te fazer arder no meu próprio fogo eterno. - responde e isso é o suficiente para me fazer grudar nossos lábios.
Acho que por impulso ou talvez instinto iniciei um beijo totalmente diferente dos outros que trocamos, um beijo mais urgente, cheio de sentimentos e sensações que eu jamais senti antes e a cada movimento sincronizado entre nossos lábios eu me sinto quente, como se meu corpo estivesse entrando em um estado de ebulição, minha mente parece ficar inebriada ao sentir sua língua se enroscar na minha e ela agarrar minha cintura de maneira firme enquanto caminha para frente me fazendo dar vários passos para trás até sentir minhas costas colidirem contra a árvore a qual estava encostada antes. Suas mãos descem pela lateral do meu corpo parando em minha b***a onde ela aperta e em seguida me puxa para cima, entrelaço minhas pernas em sua cintura sentindo uma necessidade enorme de toca-la e então o faço, coloco minhas mãos por baixo de sua camiseta sentindo sua pele quente, cravo minhas unhas em suas costas em resposta quando ela começa a distribuir beijos em meu pescoço alternando entre beijar e morder.
Morder.
É tão excitante.
Sinto vontade de morde-la também e essa vontade faz com que meu coração comece a palpitar feito um louco, eu já estava com meu coração a mil, mas agora me sinto prestes a ter um infarto em meio a um momento tão bom, então como tentativa de me acalmar agarro sua nuca e a faço me olhar, seus olhos azuis intensos parecem me hipnotizar, pelo menos eu me sinto hipnotizada, literalmente paralisada diante de seu olhar, sentindo cada célula do meu corpo esquentar e a vontade aumentar de maneira que não posso mais me conter, então o faço.
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Sinto seus dentes rasgarem minha pele e isso me deixa confusa e ao mesmo tempo curiosa, agarro seus ombros e em seguida a afasto com cuidado vendo seus olhos de cores diferentes e seus caninos expostos, porém sua expressão ainda é humana e isso me faz sorrir achando engraçado a situação.
Olha só isso.
Tem uma alfa querendo se libertar antes do tempo esperado.
- Que belos olhos e caninos você tem. - brinco acariciando seu rosto e ela fica confusa.
- O que ? - questiona pegando seu celular e em seguida olha seu reflexo e a surpresa misturada com incredulidade em seu semblante me faz rir brevemente.
- Não ficou tão r**m, eu juro que estava esperando te ver bem peluda, mas assim tá bem melhor. - digo e ela faz uma careta.
- Como eu controlo isso ? - questiona e eu sorrio de canto.
- Fecha os olhos, respira fundo e então se permita sentir a vontade crescendo em seu interior. - respondo tocando seu coração com minha mão livre. - E enquanto faz isso, pense no som de um coração pulsando e então tente ouvir o meu, porque eu estou ouvindo o seu agora e ele está bem agitado lobinha. - digo e ela abre os olhos, posso sentir seu peito subindo e descendo enquanto ela tentar respirar da maneira mais tranquila possível.
- Eu acho que não consigo. - diz suspirando e eu sorrio pegando sua mão e em seguida a coloco sobre meu peito para que ela possa sentir meu coração.
- Tá vendo como ele bate ? - questiono e ela assente. - Foque somente em mim agora e então deixe que seus sentindo façam o resto. - digo e ela assente.
- Como consegue ficar tão calma ? - pergunta olhando em meus olhos.
- Acho que é um dom. - respondo divertida e ela sorrir.
- Não estou conseguindo ouvi-lo, mas sentir já é o suficiente, afinal ouvir seu coração vai se tornar algo natural certo ? - pergunta e eu assinto.
- Tão natural quanto respirar. - respondo vendo seu olho voltar ao normal e os caninos regredirem.
Acho que foi algo momentâneo.
Uma ação involuntária.
- O que acha de apostar corrida até em casa ? - questiono e ela faz uma careta. - Eu te dou um quilômetro de vantagem. - digo e ela arqueia uma sobrancelha.
- Não me parece que será algo justo no fim. - diz me fazendo sorrir.
- A vida em si não é justa lobinha, então corre logo antes que eu desista de te dar essa vantagem. - digo olhando em seus olhos a vendo morder o lábio inferior em meio a um sorriso.
- Obrigada. - diz e em seguida sinto seus lábios grudarem nos meus em um breve selinho para logo em seguida ter a visão dela correndo feito louca e rindo. - EU QUERO UM QUILÔMETRO E MEIO JÁ QUE VOCÊ VAI ROUBAR. - grita e eu sorrio a vendo correr entre as árvores.
Quantos quilômetros você quiser.
Não posso te negar nada.
Eu não consigo.
Suspiro a vendo quase sumir entre as árvores e isso me causa uma sensação estranha de dejavu, como se eu já tivesse vivido isso ou visto isso em algum lugar antes, olho em volta ficando confusa ao enxergar tudo de maneira distorcida. Fecho os olhos e em seguida os abro ficando ainda mais confusa ao ver pinheiros barrens enormes e orquídeas, diversos tipos de orquídeas e uma delas eu conheço bem, então é até ela que eu vou.
" A Pink Lady's Slipper. "
Essa orquídea é nativa da província de Prince Edward Island no Canadá, também de New Hampshire aqui no Estados Unidos, mas também faz parte de um lugar bem específico.
A parte mais densa da floresta de Pine Barrens.
Como eu vim parar aqui ?
Toco a orquídea e sinto uma sensação estranha percorrer por todo o meu corpo me causando um calafrio e em seguida sinto braços me envolverem e uma cabeça repousar contra a minha. Penso em arrancar a cabeça da criatura, mas sua risada me soa familiar e então aquela sensação de dejavu vem a tona novamente.
- Você sempre fica tensa quando te abraço, mas pelo menos parou de me atacar. - diz suspirando em seguida enquanto minha mente processa a situação e sua voz suave e doce se repete feito um mantra. - Você demorou a voltar aqui, cheguei a pensar que nunca mais te vería outra vez. - completa e por alguma razão me levanto com a garota ainda agarrada a mim, fico confusa com essa reação involuntária e o que vem a seguir me deixa ainda mais confusa.
- Eu sou feita de tensão e eu sempre voltarei, afinal eu te fiz uma promessa. - digo sentindo ela se afastar enquanto eu tento entender porque estou falando essas coisas e o que diabos está acontecendo aqui. - E promessas são importantes para mim, são como um pacto, não dá pra quebrar, mas pode haver brechas. - completo me virando e então a vejo.
Luna !
Não, não é ela.
Se parece com ela, mas não é ela.
Por um momento seus olhos verdes claros e intensos foram tudo que eu consegui focar e então pensei que era ela, mas ao conseguir enxergar além eu pude notar a diferença. Seus traços são ainda mais delicados e menos marcantes, o queixo também tem uma diferença notável em relação ao formato, a pele é mais escura e seu cabelo é formado por lindos cachos volumosos e bem definidos. Seu vestido também é algo a se considerar de estranho, analiso o modelo e só consigo pensar que ela gosta de vestidos temáticos, pois esse que ela está usando me parece algo que só seria usado mil anos atrás e o espartilho apertando sua cintura só prova isso.
Quem é ela ?
E que tipo de ilusão é essa ?
Quando me deixei ser pega por algo assim ?
- Você sempre fala essas coisas estranhas, seu humor é bem peculiar, Pandora. - diz e agora tudo fica ainda mais confuso.
- Ser peculiar é da minha natureza. - digo me aproximando dela ainda sem entender essas falas e ações enquanto mil possibilidades de respostas são criadas.
- Vai ficar um pouco mais dessa vez ? - pergunta e eu n**o.
- Infelizmente tenho mais alguns assuntos fora da cidade de Blackwood para resolver. - respondo tocando seu rosto. - Mais não poderia sair da cidade sem ver a minha loba favorita, inclusive eu tenho pensado em te roubar pra mim. - digo beijando a ponta de seu nariz em seguida. - Aquela alcatéia não te merece e com toda certeza eu não vou levar numa boa se seu pai, o grande b****a manipulável Tristan Blackwood oferecer sua mão a qualquer criatura desprezível que ouse respirar perto de você. - completo e em seguida grudo nossos lábios sentindo seus braços rodearem meu pescoço e ela se colocar na ponta dos pés para diminuir a diferença de altura entre nós.
A sensação em meu peito chega a ser parecida com a que sinto quando beijo Luna, porém com a lobinha tudo parece mais intenso, como se a beijar fosse o mesmo que ser lançada a três mil metros de distância.
- Se meu pai descobre que estou beijando uma garota e que ela nem sequer faz parte de uma alcatéia, provavelmente ele me sentenciaria a morte. - diz após dá um passo para trás e sua expressão demonstra que ela está com muito medo dessa possibilidade se tornar realidade. - Pandora, meu irmão está desconfiado e a cada vez que entro nessa floresta para te encontrar, eu tenho medo de que Kasper apareça repentinamente e te mate. - completa preocupada e eu não consigo conter o riso.
Eu literalmente estou rindo dessa situação confusa que estou vivendo agora e da preocupação de alguém que nem sequer sei se existe, mas a única maneira de entender o significado dessa ilusão e deixando as coisas seguirem adiante, além disso, logo eu irei entender o que está acontecendo e como fui pega em uma ilusão i****a de bruxa, me pergunto até se isso pode ser algum feitiço de Mikhaela colocado na floresta para enganar possíveis invasores, afinal só isso explicaria o fato de Kasper Blackwood está sendo citado aqui.
- Me m***r ? - questiono ainda rindo e em seguida n**o com a cabeça. - Selene, meu amor. - digo divertida achando toda a sua preocupação uma graça, principalmente a parte de seu irmão me m***r, afinal não é como se eu pudesse morrer e mesmo que morresse eu voltaria a vida logo em seguida. - Seu irmão pode tentar me m***r, mas irá falhar miseravelmente nisso e quando isso acontecer, eu não garanto que terei piedade da alma podre dele. - completo sorrindo de canto e ela n**a com a cabeça.
- Não brinque com isso, você não o conhece o suficiente para saber do que ele é capaz. - diz nervosa e até um pouco irritada por eu não estar levando a sério sua preocupação.
- Kasper Johnathan Blackwood, o primeiro nome foi escolha de sua mãe, Elizabeth Blackwood que morreu após dar a luz ao seu terceiro filho, Christopher Blackwood e o Johnathan foi escolha de seu pai, Tristan Blackwood em homenagem ao seu avô, Christopher Johnathan Blackwood. - digo e sua expressão confusa e ao mesmo tempo temorosa me diverte. - Ele é o mais velho dos herdeiros do alfa, então por direito ele herdará a liderança da alcatéia após a morte de seu pai ou poderá desafia-lo ao completar vinte e sete anos, pois segundo a regra do conselho da alcatéia o herdeiro alfa deve lealdade ao seu progenitor pelo menos até atingir a maturidade total de seu lobo interior, ou se fizer algo que eleve de maneira descomunal o status da alcatéia. - faço uma pausa e suspiro entediada. - Já posso parar por aqui ? - questiono e ela assente freneticamente e eu dou um passo a frente me aproximando dela. - Quero que entenda uma coisa simples e óbvia, eu sei de coisas que você nem imagina e que eu sou a desconhecida aqui, então não temas nada, porque você me tem e ter a mim significa ter tudo, absolutamente tudo Selene. - completo tocando seu rosto.
- Quem é você ? - pergunta e eu sorrio de canto.
- Eu sou o que você quiser que eu seja. - respondo divertida beijando sua bochecha. - Te vejo em três semanas aqui novamente, mas caso fique com muita saudade, grite por mim e eu virei até você. - completo me afastando adorando sua expressão confusa.
Okay.
Eu quero voltar a realidade agora.
Isso foi muito bizarro.
Essas palavras são exatamente as mesmas que falei para Luna, isso só prova que tudo isso faz parte de algum feitiço de Mikhaela, só tenho que fechar os olhos e então tudo voltará ao normal.
- Gostou do que viu ? - questiona aquela voz já conhecida por mim, abro os olhos e então ali está ela, sinto vontade de socar sua cara, ainda mais por ela ainda estar usando a minha forma.
- Por acaso eu coloquei fogo na cruz para merecer ter que te ver aqui e agora, ainda mais insultando a minha forma. - questiono e ela sorrir.
- Não seja assim Pandora, achei que tivéssemos passado dessa fase após nosso último encontro. - diz Kora e eu reviro os olhos.
- Achou errado, inclusive eu ainda vou te m***r por machucar Luna, então anote isso. - digo e ela ri.
- Você me diverte, por isso continuo te visitando, a sua falta de noção é algo que me deixa impressionada. - diz e eu desejo que ela estivesse aqui fisicamente para que eu pudesse arrancar seu coração lentamente. - Mais tudo bem, porque teremos tempo para trazer de volta o seu bom senso, mas até que esse tempo chegue eu vou me divertir muito com a sua mente. - completa e eu sorrio.
- Até eu te achar. - digo e ela sorrir.
- Estou torcendo para isso. - diz e eu contenho a vontade de revirar os olhos. - Até mais, Pandora. - completa acenando antes se virar e seguir para longe.
Enquanto ela vai se afastando a minha visão vai ficando turva outra vez, fecho os olhos e quando os abro estou de volta a realidade.
É, acho que ela só queria dizer " oi " mesmo.
Essa desgraçada.
Eu tenho que máta-la.
Nada disso faz sentido, não consigo entender como ela consegue entrar na minha mente, se bem que ao abrir aquela caixa eu dei meio que permissão para ela entrar e sair da minha mente a hora que quiser, porém não consigo senti-la, eu nem sei se ela tem um corpo físico, pois não tem nada indicando que ela seja um ser vivo, o que me leva a pensar que talvez ela seja algo desconhecido ou até mesmo uma alma penada.
Não importa o que ela seja, eu tenho que acha-lá.
E pra isso eu tenho que achar a terceira caixa.
E eu irei a achar.
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Estranho o fato de Pandora ainda não ter aparecido e me pergunto se desde o início ela pretendia me deixar ganhar, se for esse o caso, então porque ela simplesmente não disse logo. Não, ela não é esse tipo de pessoa, Pandora não curte perder, seja brincadeira ou não. Abro a porta da cozinha e dou de cara com Petra sentada a mesa tomando café na companhia de Mikhaela.
- Bom dia. - digo fechando a porta atrás de mim.
- Bom dia, dormiu bem querida ? - pergunta Mikhaela e eu assinto.
- Sim, acho que a única parte irritante foi ficar ouvindo sua voz na minha cabeça repetindo o nome de Kasper Blackwood e que você amaldiçoa todo o clã dele. - respondo divertida e ela sorrir.
- Sinto muito, mas não posso desfazer a maldição, ela foi selada e concretizada após a minha morte. - diz e eu faço uma careta.
- Ainda não dá pra acreditar que você voltou mesmo dos mortos. - digo curiosa e Petra ri.
- Essa velha gata é bizarra mesmo. - diz minha melhor amiga se pronunciando. - Enfim, como está se sentindo as vésperas da sua transformação ? - pergunta e eu dou de ombros.
- Não sei ao certo, é tudo muito surreal ainda, mas acho que estou um pouco ansiosa. - respondo e ela sorrir.
- Que bom, porque os preparativos para o seu aniversário já foram iniciados. - diz Mikhaela animada.
- Inclusive sua amada acabou de sair com James, acho até que foram em busca de correntes. - diz Petra divertida e eu fico confusa.
- Pandora chegou aqui primeiro do que eu ? - pergunto e elas assentem.
- Que d***a. - digo indignada e elas riem.
- Por acaso anda fazendo apostas indecentes com a sua amada e acabou de perder uma ? - questiona Petra com um tom malicioso.
- Não, mas obrigada pela ideia. - respondo divertida e em seguida saio dali correndo antes que elas possam dizer algo.
Enquanto subo as escadas só consigo pensar que agora é cem por cento real, eu estou há apenas algumas horas da minha primeira transformação e não faço idéia de como devo estar a meia noite, mas eu sei que no fim, o que importa é que enfim eu me tornarei a lenda viva.
A primeira alfa.
________________ Continua _________________