Chegando na Escócia Scott foi buscá-la no aeroporto, já era quase de noite quando Dahlia chegou a casa da família Boyd.
— Dahlia querida, estou muito feliz em vê-la. — Dapheny foi a primeira a abraçá-la, a cumprimentou em português e deu um beijo no rosto dela.
— Obrigada. — Dahlia evitou falar, seu sorriso desapareceu quando encontrou os olhos de Charles, ele a olhou de lado e a achou ainda mais bonita do que anos atrás.
A última vez que tinham se visto, Dahlia tinha 16 anos, foi em um festa de ano novo, o primo Diego não deixou Charles se aproximar dela.
Charles teve apenas um momento, quando o relógio bateu meia-noite o primo foi abraçar a mãe e ele aproveitou para abraçar Dahlia, ele sussurrou um pedido de desculpas no ouvido dela e beijou seu rosto, Dahlia na época não disse nada e nem teve tempo para isso.
— Olá Dahlia. — Charles disse e ela apenas estendeu a mão para ele, ele aceitou o aperto de mão e sorriu para ela.
— Dahlia, vem comigo! Tenho muita coisa para contar. — Lilly a puxou pelas escadas até o quarto, contaria as últimas novidades pessoalmente para a brasileira.
Charles olhou para o pai e ele não parecia satisfeito.
— Que foi pai? Não falei nada demais para ela, só disse olá e ela nem respondeu.
— Ela não quer falar perto de você, acha que vai insultá-la. Charles presta bem atenção, a Dahlia veio não somente para estudar, ela passou por algo muito r**m no Brasil e não quer voltar para lá por um tempo.
— O que houve com ela?
— Nenhuma chance de eu ou alguém te dizer, mas se conseguir convencê-la a contar não tem problema. — Peter deixou Charles na casa de Scott, ele passaria esses dias lá, depois de uma semana ele iria com Dahlia para Londres e teria que ser a sombra da menina lá.
Era de madrugada quando ele desceu para tomar água, Charles estava dormindo no quarto de Brandon e Dahlia com Lilly no mesmo quarto.
Ele acendeu a luz e Dahlia quase pulou no lugar, ela estava com um copo na mão, também havia sentido sede e já estava para subir quando ele apareceu.
— Desculpa, eu não queria te assustar.
Dahlia não disse nada, ela deixou o copo na pia e pretendia subir, Charles segurou o braço dela e olhou o seu corpo, ela estava com um conjunto curto de dormir, era rendado nas pontas e tinha o desenho de uma princesa de desenho infantil, por um momento ele pensou que a personagem lembrava a própria Dahlia, a pele morena, os cabelos volumosos e cacheados que ele sempre quis tocar.
— Você não vai falar comigo? Você ainda não falou comigo desde que chegou?
— Não "Xarlis", não tenho "suficiente" para falar...
— É nada. Não tem nada para falar.
Dahlia não se importava de ser corrigida, mas Charles conseguia falar de uma forma que a magoava.
— Boa noite! — Ela disse, mas Charles ainda a segurava.
— Dahlia, não quero passar os próximos meses brigando com você, não precisa falar comigo se não quiser assim evita que eu me aborreça, mas não pode me tratar m@l, não na frente das pessoas! Pois se fizer isso ficarei bravo e você não vai gostar.
Dahlia se soltou e subiu, Charles pensou que sua convivência com Dahlia seria mais difícil do que pensava.
Nou outro dia eles acordaram cedo, colocaram as malas no carro e partiram.
— Charles, estou lhe pedindo respeito apenas... — Peter estava repensando o seu plano, sabia que Charles era tão temperamental quanto ele.
— Eu sei pai!
— Não pode a insultar e nem ficar a corrigindo da forma grosseira como sempre faz.
Charles apenas encarou o pai.
Eles se despediram e Dahlia de dentro do carro tirou um foto.
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GRUPO PRIMOS GERAL
Dahlia — A caminho de Londres.
(foto)
Brandon — Que bom Dah, estamos a sua espera.
Oliver — Esse aí é o Charles com você? kkkkk
Dahlia — Sim, ele vai dirigir.
.
Charles percebeu que Dahlia falava com os primos.
— Você voltou para o grupo?
— Sim.
— Consegue me colocar, eu ainda não voltei.
Dahlia não gostou, mas não faria uma objeção a isso.
— Eu não tenho mais seu "dormente".
— Número garota, é número! Depois eu te passo, não vou parar agora e vai levar uma eternidade se eu tentar falar para você entender.
Dahlia ficou magoada com o comentário, ela tinha uma excelente compreensão da língua, sua dificuldade era em falar, achava os sons muito parecidos e se confundia.
A viagem levaria aproximadamente 6 horas, no meio do caminho Charles parou em um restaurante, ele precisava descansar antes de seguir viagem.
— Peça o que quiser, se não entender algo eu te ajudo.
Dahlia o olhou brava, Charles pensava que sim, mas não estava sendo gentil com ela.
Ela olhou o cardápio e apontou um lanche simples de frango e um suco.
Charles chamou a garçonete e ela anotava os pedidos.
— Os sucos são do que? — A moça perguntou.
— Pra mim pode ser de limão e você Dahlia?
— "Maçã fina".
— Você quer dizer abacaxi? Isso mesmo?
Charles confirmou o pedido e a atendente continuou anotando e rindo. Eles notaram ela entregar o pedido no balcão e comentar com outra atendente, elas olhavam na direção de Dahlia e riam.
— Já chega! Vamos embora. — Charles disse e puxou Dahlia pela mão.
— Senhor o seu pedido não vai demorar. — A atendente o parou na porta.
— Não vou comer em lugar onde não respeitam os seus clientes.
Eles entraram no carro e Charles notou os olhos marejados de Dahlia.
— Dahlia por que veio? Você sabe que não vai aprender nada, você convive e estuda a anos, agora terei que ficar entrando em brigas por sua causa?
Dahlia não olhou para Charles, ela seguiu olhando pela janela e limpava silenciosamente as lágrimas.
Quando chegou a casa de Lucius, ele abriu a porta e ela o abraçou, chorou abraçada a ele.
— Ei, está tudo bem! Aqui vamos cuidar de você. — Lucius disse em português.
A voz dele falando gentilmente na língua que ela conhecia era um alívio.
— Tio, eu estou cansada e com fome, viemos direto. — Dahlia disse baixo.
— Poderiam ter parado no caminho. O Charles lhe tratou bem?
— Até parece... — Dahlia respondeu e logo depois June e July desceram fazendo festa, elas abraçaram Dahlia e a levaram para a cozinha.
— O que disse a ela? — Lucius perguntou.
— Eu? Quase não falei com ela?
— Charles, ela está chateada e com certeza você tem culpa nisso.
— Eu apenas perguntei por que ela veio, eu disse que com certeza não era para aprender afinal ela estuda faz anos e nunca saiu disso.
— Você é um bab@ca Charles, passou 6 horas do lado da Dahlia e já conseguiu deixar ela m@l. — June disse voltando da cozinha. Ela nunca teve medo de dizer a verdade sobre quem quer que fosse, por esse motivo ela sempre brigava com Charles, achava ele grosseiro e não escondia isso.
— Vocês mimam a Dahlia, ela é uma mulher e não uma menina!
— Você não sabe o que ela tem e nem o que aquele outro saf@do fez com ela, a Dahlia precisa de apoio agora.
— June, já chega! — Lucius a encarou e ela entendeu, se continuasse falando contaria o que Dahlia passou sem a permissão dela e a amiga acabaria magoada novamente.
— A gente vai sair a noite, mas não precisa ir, o Oli, o Ethan e o Brandon estarão com a gente.
— Se meu pai souber que a Dahlia saiu sem mim estou frito! Vou deixar as minhas coisas na república e venho com o Brandon.
Charles não fez mais perguntas, se preocuparia em curtir a noite com os primos.
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Falas da Dahlia
nough (suficiente) o correto nothing (nada)
numb (dormente) o correto number (número)
fine apple (maçã fina) o correto é pineapple (abacaxi)