Aurora
Estou no carro do senhor Lorenzo, no banco carona com ele dirigindo em total silêncio, a caminho da casa da minha tia.
Aurora- Eu pensei ter visto o senhor Klaus no jardim, mais depois ele sumiu misteriosamente, acho que tem alguma coisa errada com ele.
falei quebrando o silêncio, só queria puxar algum assunto.
Lorenzo- me desculpe senhorita Aurora, mais eu não tenho permissão para falar da vida pessoal do senhor Rossi, mais posso li garantir que ele é reservado, e discreto, sugiro que não diga a ninguém sobre a noite passada, para o seu próprio bem.
ele falou em um tom de ameaça, me olhando sério.
meu deus é sério isso? ele contou da nossa noite passada para o Lorenzo, e pior ainda mandou o Lorenzo me ameaçar pra mim ficar quieta, sem falar do beijo, nem do empurrão pra ninguém, como ele pode ser assim tão frio? por que ele acha que eu iria falar sobre isso com alguém? Será que não significou nada pra ele? sera que ele me odiou tanto assim? mais por que se deu o trabalho de me mandar aquela bandeja de café da manhã com uma rosa e um pedido de desculpas? por que ele comprou estas roupas caras pra mim? ele quer me comprar pra me calar? Será que é isso? se for isso eu nunca mais quero saber desse homem, minha vida já era bem complicada sem ele pra confundir a minha cabeça.
Aurora- não se preocupe senhor Lorenzo, eu nunca mais vou tocar no nome dele.
falei segurando o choro, aquilo me doeu mais do que eu gostaria, quando chegamos em frente a casa da minha tia eu saí do carro sem me despedir e entrei correndo na sala, a minha tia não estava, deveria estar no restaurante trabalhando, fui para o meu quarto chorar sozinha, fiz daquele pequeno espaço meu porto seguro, onde eu poderia chorar por um homem que nunca me daria uma chance real.
Passei o dia isolada no meu quarto, comi apenas um macarrão que estava na geladeira, e depois fui para o quarto de novo, quando a noite chegou eu queria esperar a minha tia na sala pra ter uma conversa com ela, eu estava sentada no sofá olhando vídeo no celular, quando escuto o carro dela entrando na garagem, e depois vejo minha tia entrando pela porta sorridente como sempre.
tia Célia- oi minha querida, como você está? como foi a noite ontem? me conte tudo.
ela disse já me abraçando forte.
Aurora- estava tudo lindo tia, um baile de pessoas ricas e poderosas, bem diferente de tudo que eu já vi, bem diferente de pessoas como nos.
falei desanimada, com a voz fraca, lembrando das diferenças de classe entre eu e o Klaus.
tia Célia- eu avisei que seria assim meu bem, são pessoas de bem, com prestígio, mais me fala por aí está carinha desanimada ai? aconteceu alguma coisa por lá que você não está me contando?
Aurora- não tia, claro que não é só cansaço mesmo, e você está bem? ficou bem aqui sem mim?
tentei mudar de assunto.
tia Célia- estou bem querida, fiquei bem, mais eu confesso que achei estranho o senhor Rossi chamar você para dormir por lá ontem, ele tentou alguma gracinha com você filha?
ela perguntou seria, tentei disfarçar o nervosismo.
Aurora- claro que não tia, ele é um cavalheiro, discreto e reservado, sabe respeitar.
menti pra não preocupar ela e pra evitar confusão, lembrei das palavras do Lorenzo hoje no carro mais cedo.
tia Célia- que bom, fico mais tranquila assim, tive medo que ele pudesse encher sua cabeça de mentiras e falsas ilusões, você é muito nova Aurora, sabe muito pouco da vida filha e os homens podem querer tirar vantagens disso.
minha tia falou pensativa, sem saber que era exatamente o que ele fez, me iludiu com seu jeito cortês e gentil, e com aquele beijo que não sai da minha cabeça, eu queria tanto saber por que ele me trata bem e ao mesmo tempo me despreza.
Aurora- ele não é assim tia, ele não faria isso, e a propósito eu vou procurar um outro emprego amanhã, fiz uma amiga nova e acho que ela pode me ajudar a encontrar um lugar que aceitem brasileiras pra trabalhar, que ainda não sabem falar em italiano.
tia Célia- mais por que? o que a de errado com o restaurante?
minha tia perguntou preocupada.
Aurora- nada tia, é um ótimo serviço, mais quero aprender a me virar sozinha na Itália, só assim posso aprender a língua, e acho que vai ser melhor pra mim também
menti o único motivo era ele, eu queria ficar o mais longe possível, pra não me machucar ainda mais.
tia Célia- bom eu não me oponho filha, o que ficar melhor pra você está bom pra mim, só quero que se sinta bem na Itália.
minha tia sempre doce e compreensiva.
Aurora- não se preocupe tia eu estou bem, mais mudando de assunto tia eu posso te fazer uma pergunta?
tia Célia- claro Aurora.
Aurora- onde se encontra flores na cidade nessa época do ano ?
eu queria saber se a cidade está nevando, de onde o Klaus me deu uma flor? a conta não fecha, minha tia ria de mim sem entender a pergunta direito.
tia Célia- não se encontra Aurora, flores aqui em Florença nessa estação do ano não existem, somente no verão, flores nessa época, só na Austrália eu acho.
ela disse rindo como se eu tivesse dito alguma piada, e até era, alguém foi pra outro país pegar uma rosa pra mim? que loucura é essa? ele nem teria como fazer isso assim sem se planejar.
tia Célia- aí Aurora só você pra me fazer rir filha, agora vamos pra cozinha me ajude com o jantar, quero fazer uma lasanha pra nós duas o que você acha?
ela disse toda animada.
Aurora- claro tia, eu amo lasanha, vamos lá vou ajudar você.
fomos para a cozinha preparar a lasanha com minha tia, depois de pronto nos jantamos, e depois fomos dormir.