Capítulo 2
Sofia Lombardi
Cinco anos atrás...
Às vezes, só precisamos tomar novas decisões, arriscar e mudar, enfrentar os medos, cuidar do nosso corpo e mente, organizar prioridades, seguir adiante e viver o extraordinário e urgente.
Tento pensar assim desde que me livrei daquele homem maldito, como minha amiga sempre diz.
Reunir os caquinhos é tão difícil e complicado...
Nunca mais serei a Sofia que foi adotada pela Senhora Lívia e amada no pouco tempo em que ficamos juntas...
Definitivamente, não sou a Sofia que se apaixonou e se entregou a um lobo mau na pele de um cordeiro manso e gentil!
Não sou a Sofia que foi agredida por anos e teve suas decisões reguladas e descartadas. Que foi feita de capacho a troféu.
Estou tentando reconstruir uma nova Sofia!
Uma Sofia forte, apesar das marcas deixadas pelo meu passado, mas nunca refém dos meus medos. NUNCA!
Vou reconstruir uma nova Sofia aos poucos, curando minhas feridas e me reerguendo novamente...
— Sofia, preciso conversar com você! — Aretha entra no meu quarto com sua roupa de couro preta. Quando ela veste essa roupa, eu sinto medo e temo o que vai aprontar...
— O que posso te ajudar, minha amiga? — Eu me virei, pois estava vendo seu reflexo no enorme espelho que tenho no quarto novo que ganhei...
— Não vou fazer rodeios. Quero ser sincera contigo... Sofia, eu vou matar Arthur esta noite! — Deus, Aretha não fez rodeios. Como vou permitir que ela suje as mãos por mim!
— Aretha, não faça isso, por favor... não por ele, mas sim por você! Não suportaria saber que você tem o sangue daquele desgraçado nas suas mãos. Eu me culparia por sempre!
— Você sabe que minhas mãos não são limpas, não sabe? — Aretha me fita com seus olhos expressivos...
— Não suportaria, Aretha, desculpe, mas não vou conseguir deixar esse fato para trás. Eu ainda o amo, claro que sou boba por amar um crápula... Mas não é por amor, e sim por não querer ter nem isso na minha vida mais, sabe... Acho que ele não merece a morte pelas suas mãos. Ele merece sofrer por muito, mas muito tempo...
— Ele não morre pelas minhas mãos, mas pagará por cada palavra c***l dirigida a você, cada tapa dado no seu rosto e cada vez que ele pensou em te matar... — Olho assustada para ela. — Sim, minha pequena, ele estava planejando te matar e ficar com tudo que Lívia deixou em seu nome...
— Mesmo assim... — Tento ponderar...
— Tudo bem, Sofia... Não precisa se preocupar com nada! Se cure e floresça... Nada mais segura suas raízes. Pode firmar no chão e expandir! — Ela vem até mim e beija minha testa!
Eu deveria ter medo dessa mulher cheia de segredos e tão poderosa...
Mas não tenho. Pelo contrário, quero sempre estar perto dela e ser sua amiga...
— Aretha, posso te pedir algo...
— Sempre, Sofia...
— Quero saber quem são os meus pais! — Aretha sorri e me olha com satisfação.
— Considere feito, minha pequena! Agora, vou me divertir com um certo saco de esterco...
— Aretha!
— Não vou matar, mas vou me divertir muito com aquele maldito! — Ela fala, saindo cantarolando...
Aretha ainda não se abriu totalmente para mim, e eu super entendo!
Como vou criticar alguém que me ajudou na hora em que precisei?
Ela estava lá, me ajudou e agora ouviu o pedido que meu coração gritou. E isso me basta!
Tomara que ela ache meus pais e que eu consiga entender o motivo de me abandonarem e me largarem naquele orfanato.
Minha sorte foi ter pessoas boas que cuidaram de mim!
Mas esse vazio ainda me abala e me torna insegura!
Tenho que procurar uma psicóloga para me ajudar a passar por tudo isso... É muita coisa para digerir.
Aretha Salvatore
Saio do quarto de Sofia pensando nas suas palavras...
Devo deixar aquele homem vivo?
E se ela descobrir, vou aguentar olhar naqueles olhos azuis e mentir?
Tenho o caminho todo para pensar sobre o futuro de Arthur!
Pego minha moto e vou para um lugar muito longe e obscuro.
Horas depois, consigo chegar ao local que parece um chiqueiro!
— Boa noite, Arthur! — O homem fica pálido ao ouvir minha doce voz...
— Como me achou e por que estou neste lugar horrível, cheio de baratas e com esse cheiro...? — A cara dele é tão engraçada...
— Tudo que o Senhor merece, meu caro... As acomodações são perfeitas!
— Não estou entendendo esse seu comentário! — Mas é tão sonso!
— Meu caro Arthur, ou melhor, Paul...
— Como sabe disso? — Nossa, se entregou tão fácil. Não valeu nem o esforço de caça!
— Sei tudo que preciso saber... Sei de todos os seus crimes, como falsidade ideológica, roubos, violência doméstica... Ah, e o mais recente: crime doloso, quando há intenção de matar a vítima...
— NÃO TEM PROVAS! Você não sabe o que falar... É uma mentirosa e vou te processar! — É tão i****a assim?
— Tenho tudo que preciso e vou te mandar para a cadeia, mas antes, vamos nos divertir um pouquinho. — Faço pouco dele e hoje eu cruzo uma linha perigosa e sem volta!
— Pendurem esse saco de batatas e me deem meu chicote. Aquele especial!
— Não faça isso...
Não dou a menor bola para o clamor desse bastardo! Ele nunca ouviu as vítimas que pediam para ele parar!
Quero sangue desse cretino jorrando por tudo que ele fez!
Paro diante da minha presa e, com um sorriso grande no rosto, começo o meu divertimento...
A primeira chicotada é ouvida longe, e o grito que a acompanha é desesperador!
Não consigo mais parar. Duas, três, quatro, dez... Sou chamada por Miler...
— Ele está desacordado, Aretha! Agora é comigo...
Olho para o homem que acabei de chicotear até ele desmaiar de dor! Uma dor que não é nem um grão no mar de crueldade que ele cometeu!
Eu me sinto um pouco melhor, um pouco vingada. Vinguei Sofia!
Mal sabe ele que o inferno é pouco pelo que esse homem vai passar...
Obrigada pelos comentários e bilhetes lunares 🥰