Gaiola

1182 Words
Capítulo Nove Allan Sobre a Ema, para ser sincero, eu esperava qualquer coisa, menos isso. Quer dizer, espero que seja só isso. Não vejo problema nenhum nela ser baixinha, por isso imagino que ela possa esconder algo que me faça desistir. A mãe dela sugeriu que nós fôssemos dar uma volta no jardim. Ela saiu andando na minha frente. Não consegui evitar de olhar para a b***a dela. Ela tem a cintura fina e as pernas grossas, muito bem definidas. Abri a porta para ela. Tivemos uma breve troca de olhares e, em seguida, ela continuou andando na minha frente. — Ema. Disse, fazendo-a olhar para mim. — Gostaria de te conhecer melhor. Ema — Pra quê? Não perca seu tempo fingindo que se interessou por mim. Allan — Eu não estou fingindo. Ema — Tá. Ela disse, revirando os olhos. — Bom, deixe-me me apresentar melhor. Allan Álvaro, 23 anos. Atualmente sou gerente geral da Company Industrial. Ema — E filho do dom da máfia. — Assim como você. Ema — Ema, 20 anos. Allan — Acho que você não quer me conhecer. Ema — Eu acho tudo isso uma perda de tempo. Ela disse, cruzando os braços. Não pude deixar de reparar no biquinho que ela fez; os lábios carnudos eram uma perfeição. — Ótimo, eu também acho. Assim como você, eu tenho muitas coisas para resolver. Então vamos nos juntar aos outros e agendar o nosso noivado. Ema — O quê? Ela gritou e se levantou, ficando na minha frente. — Você não quer? Ema — Você vai ter coragem de casar comigo? — Por que não? Ema — Mas... — Mais nada, Ema. Não temos opção. Se estiver de namorico com alguém e eu descobrir, eu mato ele. A partir de agora, você pertence a mim. Ema — Não é porque eu sou baixa que você vai fazer de mim o que quiser. Não pense que eu vou ser sua fantoche ou até mesmo ser tratada como um animal de estimação. Ela disse com muita raiva, com o dedinho apontado para mim. Essa foi a cena mais linda que eu já vi. — Você será minha mulher e mãe dos meus filhos. Ema — Não é possível. — Quem é ele? Ema — Ele quem? — O cara com quem você está se relacionando. Ema — Eu não tenho ninguém. Ela disse, voltando a se sentar ao meu lado, ainda com os braços cruzados. — Se não tem ninguém, por que não quer se casar? Ema — Eu não disse que não quero. — Ótimo. Vamos alinhar tudo. Disse, ficando de pé. Eu adoraria passar mais tempo aqui; tinha me programado para isso. Mas infelizmente, quando estávamos vindo, recebemos uma ligação que requer a nossa atenção para algo que está acontecendo na Turquia. Ela foi andando na frente e eu fiquei uns três passos atrás, apenas para ter a visão dela andando e rebolando a b***a. Antes que ela abrisse a porta para entrarmos na propriedade, entreguei meu celular para que ela colocasse o número dela. Ema — Allan. Ela disse, me devolvendo o celular. Ema — Muitos foram os pretendentes que meu pai arrumou para mim, e nenhum quis. Muitos, até mesmo da nossa organização, preferiram fugir a ter que se casar comigo. Os casamentos que meu pai recusou foram aqueles em que ele viu que eu não seria bem tratada. Já ouvi dizer que se casariam comigo só pelo título e me colocariam dentro de uma gaiola. — Quem disse isso? Perguntei, me abaixando na altura dela. Ema — Quem não fala, pensa. Ninguém teria coragem de ter filhos comigo. — Vamos ter vários. Ela olhou para mim como se não me entendesse. — Você não pode ter filhos? Se não puder, não vejo problema em adotar. Disse, me pondo de pé. Antes de abrir a porta, esperei alguns segundos para ver se ela teria mais alguma coisa para falar, mas ela não disse nada. Abri a porta. Todos estavam reunidos na sala. Ágatha — Filha? Ema — Tá tudo bem. Percebi que ela se preocupa muito com ela. Santiago — Demoraram. — Estávamos conversando. Santiago — Eu vi. Aquela janela me dá acesso ao jardim. Rimos. Santiago — Venha comigo. Fui com ele até o escritório. Santiago — Sente-se. — Eu quero saber quem foi o pretendente que você arrumou para ela que teve coragem de dizer que iria colocá-la em uma gaiola. Santiago — Isso já foi resolvido. Ele pagou pelo que fez. — Quem foi? Santiago — Por que isso importa? — Porque ela é minha futura esposa. Santiago — Vai mesmo se casar? — Sim. Santiago — Antes de qualquer coisa, quero que leia esse documento. Aí sim alinharemos tudo. Peguei o documento da mão dele. Cerca de cinco páginas. O documento se tratava de cláusulas e regras que devo cumprir com a filha dele; caso contrário, receberei uma multa e a anulação do casamento. Algumas regras pareciam óbvias, como, por exemplo: não bater na Ema, não proibir que ela se comunique com a família, deixá-la visitar sempre que quiser, entre outras coisas bem óbvias. — Caneta, por favor. Disse, estendendo a mão sem tirar os olhos dos papéis. Santiago — Leia com calma. — Já li e reli. Aqui não tem nenhum enigma. Ele me entregou a caneta. Santiago — A Ema é minha única filha, meu tesouro. Eu sou capaz de fazer qualquer coisa por ela. Ele tentou ser firme nas palavras, mas falhou. — E por que não fez nada quando ouviu um delinquente falar que iria colocá-la em uma gaiola? Santiago — Te garanto que ele sofreu tudo que tinha para sofrer antes de eu degolá-lo. — Não deveria ter torturado ele e mantido-o dentro de uma gaiola? E ter... Santiago — Sim, deveria ter feito tanta coisa... Na hora da raiva, eu quis acabar com ele o mais rápido possível. — Muito bem. Santiago — Qualquer desistência deverá ser comunicada a mim. — Não haverá. Disse, me pondo de pé. Santiago — Allan, eu espero que, apesar das nossas relações e interesses, você não trate a minha filha como um fardo. Eu quero muito manter esse acordo com o seu pai, e se for o caso de vocês não se casarem, eu me viro com a Ema. Já inventei outras desculpas... — Não se preocupe. Eu não vou dizer que estou apaixonado por ela, mas me agradei dela. Santiago — Bom. Saímos do escritório. Apenas o Oliver e o meu pai estavam na sala. Nos despedimos e viemos embora. Oliver — Então... o que achou dela? — O que ela não tem de tamanho, tem de braveza. Como uma pessoa consegue ser tão brava assim? Oliver — Sério? E você vai mesmo casar com ela? — Por que não? Oliver — Sei lá. Meu pai estava o tempo todo resolvendo problemas no celular. O bicho está pegando na Turquia. Oliver — Se eu soubesse que teríamos que voltar rápido assim, não teria arrumado a mala. — “Arrumado”. Disse, me deitando na poltrona do jatinho.
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