VITÓRIA
Fui conduzida por um dos guardas para dentro da mansão e, cara, eu disse mansão? Era um castelo.
Eu não conseguia parar de olhar como uma criança visitando o País das Maravilhas pela primeira vez. Eu já tinha visto uma boa quantidade de prédios grandes, mas nenhum se compara a este. Tive que me precaver para me comportar.
Simplesmente segui o guarda em silêncio até chegarmos à porta. Ele bateu nela uma vez e depois saiu. Fiquei parada na porta, confusa, quando de repente ouvi uma voz masculina lá de dentro me dizendo para entrar.
Ao me mover para abrir a porta, pisei em algo, olhei para baixo e era um envelope. Devia ter caído de alguém. Abaixei-me para pegá-lo e, para minha surpresa, vislumbrei o que havia dentro: era dinheiro. Abri a porta com o envelope ainda nas mãos e, quando já estava dentro do escritório, vi um homem que aparentava ter quase 30 anos, de terno e sentado no sofá.
Dei uma olhada rápida ao redor do escritório e ele era enorme. Voltei meu olhar para o homem que tinha uma sobrancelha arqueada em questionamento. Pigarreei, envergonhada.
– Bom dia, senhor. — Ele apenas me acenou com a cabeça antes de gesticular para que eu me sentasse. Eu estava prestes a me sentar quando me lembrei do envelope ainda em minhas mãos.
– Hum, senhor, encontrei isto do lado de fora da porta, deve ter caído de alguém.
Estendi a mão para o homem, mas ele nem sequer tentou pegá-lo, apenas me fez sinal para sentar e obedeci para não irritá-lo.
– Senhorita Vitória Brooker?
– Sim, senhor.
– Vou te contar como é o trabalho, mesmo que você saiba o que deve fazer, aqui há algumas regras, você será a empregada pessoal do chefe e eu te mostrarei a mansão para que você possa começar amanhã.
Assim que essas palavras saíram da boca dele, foi como se o mundo inteiro tivesse parado. O que ele estava tentando dizer? Até agora, ele não me fez nenhuma pergunta. E pelo que ele acabou de dizer, eu consegui o emprego. Eu estava sonhando?
Eu tinha certeza de que a surpresa estava estampada no meu rosto. Quem não ficaria?
– Srta. Brooker, não precisa se surpreender. Sua entrevista foi um teste e você passou. Como sabe, o dono desta mansão é um homem rico e você não acha que alguém conseguiria passar por aquele portão sem uma verificação de antecedentes, acha? – Quando ele mencionou verificações de antecedentes, meu coração disparou, fiquei tentada a perguntar o que ele sabia sobre mim.
— Não, não acho.
– Antes de deixarmos alguém entrar nesta mansão, uma investigação é realizada sobre a pessoa, pois não seríamos descuidados em deixar qualquer um entrar. Nosso chefe é um homem muito rico, o que significa muitos inimigos. Nas últimas duas semanas, várias garotas passaram por aquela porta, mas nenhuma delas passou no teste. Você era a última da lista.
— Mas qual era o teste?
– O envelope. – Ele apontou para o envelope que eu havia colocado no meu colo... – Assim como esse envelope que você tem com você, eu deixei várias coisas caras bem na frente da porta, onde qualquer um podia ver, assim como você, mas a diferença é que ninguém tentou devolver. Não posso empregar uma pessoa desonesta como funcionária pessoal do chefe. E esse envelope é o seu passaporte de boas-vindas.
Meus olhos se arregalaram quando olhei para o envelope no meu colo. Rapidamente me recompus, murmurando um agradecimento.
Agora eu entendia por que ele estava me olhando daquele jeito. Desde o momento em que parei naquela porta, minhas chances de conseguir o emprego já estavam decididas, e estou feliz por ter feito a escolha certa. Finalmente relaxei, sorrindo para o homem.
– A propósito, sou Henry Ford. Gerente da Mansão Sattero – Ele disse enquanto estendia a mão para me cumprimentar. Eu rapidamente me levantei e aceitei seu aperto de mão. – Parabéns. Vou lhe mostrar a mansão enquanto explico o que o chefe espera.
O Sr. Henry revelou-se um homem atencioso e simpático. Ele dedicou um tempo para me mostrar a parte da mansão, ou castelo.
Basicamente, meu trabalho era ajudar meu chefe em qualquer outra coisa que ele precisasse. Eu não precisava limpar a casa inteira porque havia outras empregadas para isso. Eu era a empregada pessoal do senhor Sattero.
Quando terminamos o tour pela casa, eu estava cansada. Finalmente, ele me mostrou o quarto em que eu ficaria. Era lindo e, segundo ele, ficava no mesmo andar do chefe.
Ele me mostrou o quarto do chefe e me lembrou de sempre bater. Eu deveria ir arrumar minhas coisas, mas o Sr. Henry me disse que haveria pessoas disponíveis para me ajudar a trazer minhas coisas da minha casa para a mansão. Fiquei muito feliz em ouvir isso.
Eu não conseguia esconder o sorriso no meu rosto. Ao chegar ao meu apartamento, joguei-me na cama sorrindo de felicidade. Queria gritar: "Vou embora daquele bairro de merda". Mas ao invés disso liguei para Nina assim que me acalmei. Ela atendeu ao primeiro toque e, antes que eu pudesse falar, ela falou antes de mim.
– Parabéns, garota!
– Como você soube que eu consegui o emprego? Não me diga que está me perseguindo de novo.
– Pense o que quiser. – Foi a resposta dela. – Eu sabia que você ia conseguir o emprego. Que bom que conseguiu.
Conversamos um pouco, contei a ela o que eu deveria fazer e tudo mais. Depois de encerrar a ligação com Nina, liguei para Fernando. Contei a ele tudo o que havia dito à Nina.
Ele ficou um pouco chateado por não poder entrar na minha casa e sair quando bem entendesse, já que eu estava me mudando para a mansão. Estava preocupado em não poder vir me visitar, mas eu disse que o visitaria sempre que possível e ele ficaria cansado de mim.
Quando finalmente terminamos de conversar, deixei meu celular na mesa de cabeceira e comecei a arrumar as coisas que levaria. Quando terminei de fazer as malas, já estava escuro lá fora e eu estava exausta. Decidi encerrar a noite.
Agradeci a Deus por tudo ter corrido bem hoje e pulei feliz na cama com o maior sorriso que já tive em muito tempo. Sabendo que amanhã seria um novo capítulo na minha vida.