3 - Perseguidora

1002 Words
VITÓRIA Quando vi quem estava na frente da minha porta, fiquei em choque. – Surpresa!! – ela disse e antes que eu pudesse abrir a boca para falar ela me empurrou para o lado e entrou na minha casa como se fizesse isso todo dia. – Como diabos você sabe onde eu moro e o que você está fazendo aqui? – perguntei a ela, estreitando os olhos. – Pode me chamar de sua perseguidora pessoal, eu consigo o que quero, Vitória – E ela sabe meu nome. — Meu nome é Nina. Eu estava começando a ter inúmeros pensamentos na cabeça sobre o que aconteceria se tudo tivesse sido planejado e ela tivesse sido enviada para se aproximar de mim e me matar, meu Deus, como nos filmes. Fui tirada dos meus pensamentos por algo balançando na minha frente, era um pacote e tinha um cheiro agradável. – O que você está pensando? Eu trouxe o café da manhã, já que você recusou o jantar – ela disse e começou a olhar ao redor. Eu percebi que ela estava procurando pela minha cozinha. Eu não podia aceitar. E se ela estivesse fingindo? Eu não podia simplesmente confiar nela. – Você não respondeu à minha pergunta. Como sabe onde eu moro? – perguntei, enfatizando cada palavra. Ela deu um suspiro dramático antes de se virar para o sofá e se acomodar. – Bem, eu te segui, ou se preferir chamar de perseguição, então eu te persegui, falei com seus vizinhos e eles estavam dispostos a dar todas as informações sobre você por alguns dólares – Ela deu de ombros para deixar claro que era muito simples. As vantagens de morar em um bairro de merda... Será que vão me vender sem o meu conhecimento? – Vamos lá, eu não vou sequestrar você nem nada, não seja medrosa... pode relaxar e vamos comer, ok? – ela disse, olhando para mim como se eu estivesse exagerando. Finalmente relaxei e sentei com ela no sofá enquanto pegava a sacola que ela me entregou. Abri e vi que continha frango crocante e uma xícara de café. Não consegui conter o sorriso que surgiu no meu rosto. – Você gostou, não é? – ela perguntou com um sorriso satisfeito. – Você me investigou nisso também? – perguntei, ela me encarou, e então nós duas caímos na gargalhada. [...] Praticamente expulsei Nina de casa, mas ela é a pessoa mais dramática que já conheci na vida. Ela não queria ir embora, estava se comportando como uma criança que visita seu professor favorito pela primeira vez e não quer se separar. Lembro-me dela gritando que eu a procuraria, mas nunca a encontraria. Era uma companhia divertida, me fez esquecer dos meus problemas por um tempo, mas assim que ela foi embora, todos voltaram me abraçando. Soltando um suspiro, fui em busca de algo que sempre acalma minha alma, meu amor... Peguei meu violino do seu lugar seguro enquanto me acomodava no chão e fechei meus olhos começando a tocar. Sempre que tocava meu violino, sentia como se houvesse uma ferida no meu coração que eu estava acalmando, isso me acalmava e me lembrava de que eu era humana, era como os dedos da minha mãe passando pelo meu cabelo e me dizendo que tudo ficaria bem, que a dor logo passaria, eu me sentia livre, em paz e em harmonia com a música. Senti as lágrimas escorrerem pelo meu pescoço. Era normal, era esse o tipo de sensação que tocar violino me trazia, era a minha cura, era como lavar as dores e a tristeza. Quando senti que havia me recomposto o suficiente para continuar vivendo, devolvi o violino ao seu lugar original e me levantei com a esperança renovada, pronta para continuar lutando. [...] – Por favor, por favor, eu imploro, só por uma noite, eu realmente preciso do dinheiro. – Já faz quase uma hora que estou implorando para um amigo meu que trabalha no clube por uma noite para me deixar servir bebidas, mas ele continuou insistindo que não podia me deixar trabalhar ali, que os homens aqui eram vis e que ele não estava pronto para socar alguém esta noite, mas eu continuei insistindo. Eu precisava do dinheiro, eu estava esperançosa de que conseguiria um emprego antes mesmo da retomada das faculdades. Lancei-lhe meus melhores olhos de cachorrinho e percebi que sua determinação estava se esvaindo quando ele finalmente suspirou, derrotado, e eu dei um soquinho alegre, mentalmente, é claro. – Obrigada, obrigada, obrigada... – sorri para ele, esperando suas instruções. – Cuide para não se meter em encrenca, ou melhor, não coloque homens em encrenca – Ele sorriu para mim antes de chamar uma moça e me disse para trabalhar em estreita colaboração com ela. – Não sou um bebê, não preciso ficar com uma babá – Falei a ele antes de ir embora, seguindo de perto a moça. A noite estava indo bem, os caras estavam flertando, mas consegui evitar problemas. No meio do caminho, minha babá ficou ocupada demais para mim e eu já tinha uma ideia do que fazer, então estava tudo sob controle. Era só servir bebidas, reabastecer e evitar arrancar os olhos dos homens que estavam me despindo, sim, isso era fácil. – Ei, aqueles caras ali querem mais uma dose. Você acha que pode fazer isso por mim? – perguntou uma das garotas, e eu estava pronta para ajudar. Peguei as bebidas e fui até a mesa. Quando cheguei lá, dei um sorriso forçado, porque havia um clima estranho naquela mesa em particular. Eu me senti nua na frente deles, conseguia imaginar o que se passava em suas mentes sujas. Servi a última pessoa e, assim que me virei, alguém me deu um tapa na bünda e o grupo caiu na gargalhada. Precisei de todas as minhas forças para não acertar ele com a bandeja que eu segurava, mas apenas respirei fundo e segui. No entanto, cruzei os olhos com meu amigo, ele viu e estava furioso. Ah, Merda...
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