Capítulo 5

1385 Words
– Acho que foi muita emoção – disse Arthur segurando o riso – alguém me ajude a colocar ele no sofá. – Eu ajudo – se ofereceu o tio Jorge e meu pai? Fez o egípcio. – Amor por favor acorde… - Débora estava apavorada e tia Carmem a olhava com um puro olhar de desprezo. – Eu vou buscar água pra ele – minha mãe correu para a cozinha. Honestamente não sei quanto tempo eu fiquei desacordada porém já passou par me minutos e nada de Guto acordar. A Débora estava sentada ao lado dele segurando sua mão, já tinha parado de chorar. – Ali.... - até que enfim ele acordou – Ali precisamos conversar. Será que podem nos dar licença? – Vão para o seu quarto, minha filha, assim terão mais privacidade. Eu vou passar um café, Débora querida, pode me ajudar? – Desculpe dona Regina, mas eu não vou sair de perto do Guto, acredito que não tenha nada que eles precisam conversar que eu não possa escutar. – Sério isso? – disse a Lê, em tom de deboche – Queridinha você serviu de colchão quando fizeram estes bebês? Eu acho que não, então é melhor ajudar a tia Gina no café. – Amor? Vai deixar isso assim? – ela perguntou ao Guto com cara de cachorro que caiu da mudança. E ele pareceu pensar, era só o que me faltava agora ela ter que participar de tudo. – Olha, Deb pode ficar tranquila que eu não representava ameaça alguma ao seu relacionamento e sabe o por quê? Porque eu não quero nada que seja seu. Eu conheço o Guto uma vida inteira e tivemos os nossos momentos, mas passou. Ele não é nada mais que um amigo e eu tenho certeza que isso é o que eu represento a ele também. Se você não ficar à vontade de estarmos os dois sozinhos no meu quarto tudo bem, de certa forma eu entendo você. Mas eu preciso que você me entenda quando digo que terá coisas e momentos que somente eu e o Guto poderemos resolver e decidir e esse é um desses momentos. – Podem usar o meu escritório, assim a menina se sente mais à vontade, não é mesmo mocinha? – meu pai finalmente abriu a boca e sem me decepcionar. – No escritório? Pode ser! Amor só não demore, sabe que não gosto de ficar muito tempo longe de você – todas as mulheres presentes, exceto eu, viraram o olho. – Certo gatinha prometo que não vou demorar, vem comigo Ali. Chegando no escritório, Guto se sentou no sofá de couro de dois lugares e fez sinal para eu me sentar ao lado dele, assim o fiz. – Estou decepcionado Alice, você marca uma consulta e não me avisa? Não achou que eu tinha o direito de estar lá? – Nem pensei nisso Guto. Foi um encaixe e fui pra lá praticamente correndo. De qualquer forma não estou te escondendo nada correto? Será pai de gêmeos nos próximos meses, um menino e uma menina. – Poderia ter me ligado para eu ir te buscar lá, mas preferiu a Lê. – Quer saber, Augusto, preferi ligar para ela sim. Quando descobri o positivo, além dos meus pais é claro, foi ela quem me abraçou e disse que ficaria tudo bem e você fez o que mesmo? Ah é verdade saiu correndo, me deixou dar a notícia sozinha para os meus pais porque tinha que sair correndo para falar com a sua namorada e sabe por que? Porque a importância e a prioridade para você naquele momento era ela e eu não estou te julgando por isso, só estou explicando para você o motivo de eu não estar me sentindo confiante quanto a você neste momento. – p***a Ali....me desculpa tá—maldita hora essa porque do nada comecei a chorar – não fica assim vem cá – me puxou para um abraço e pela primeira vez esse abraço não me transmitiu segurança, senti que ele estava fazendo isso porque acreditava ser sua obrigação. – Vai ficar tudo bem. – Eu sei Guto – disse me desvencilhando dos braços dele – já me disseram isso antes. Bom vou marcar as consultas e te aviso da próxima ultrassom. Agora vai, a Débora deve estar a ponto de cortar os pulsos. Para a minha surpresa, ele se levantou e foi embora, simples assim. Eu não reconhecia mais o meu amigo. Dizem que o amor é capaz de tudo, até de mudar as pessoas. Demorei mais algum tempo para me recompor e voltei para a sala. Estavam somente meus pais e os meus tios. Os outros haviam ido embora. – Senta aqui minha filha, me conta como foi a conversa lá dentro? – A tia, ele está chateado porque eu não avisei do exame, mas nem eu sabia do exame para mim era somente uma consulta. – De um tempo a ele, por favor Ali, meu filho é imaturo e ainda não caiu a ficha de que será pai. Aposto que com o tempo ele acorde e venha falar com você decentemente. – Obrigada tio, está tudo bem de verdade. É assustador, não n**o, mas agora a prioridade são os meus rebentos. - todos deram risada. – E como vocês estão se sentindo? Para quem queria um neto, veio outro de bônus. – Estamos felizes filha, agora vai descansar… já é tarde e amanhã você tem que acordar cedo para trabalhar. Saiba que pode contar com todos nós para qualquer coisa. Guto é meu filho e está agindo como um b****a e não foi para isso que eu criei ele. Assim que chegarmos vamos ter uma conversinha com ele, certo Jorge? – Tia deixa pra lá, está tudo bem de verdade. Eu também preciso de tempo para assimilar tudo, aos poucos as coisas se encaixam. Não quero que o Guto seja obrigado a ser pai, tanto que dei a ele a opção de não ser, para ser honesta se não fosse a Lê ele nem saberia disso. - Não seria justo com ele, conosco que somos avós e nem mesmo com os bebês. Estão todos de cabeça quente mas me lembre de agradecer a Leticia, sei o quanto você sabe ser cabeça dura Ali. - Está certo me perdoem, bom se não se importam eu vou dormir. Até mais. - Eles se despediram e eu fui para o meu quarto. Tirei o meu vestido e voltei para frente do espelho e parecia que agora eles queriam mostrar que estavam ali. Pela primeira vez alisei minha barriga e pensei: meus filhos. Esses dois dias foram uma loucura e não tive tempo de parar e pensar neles. Se vou ser uma boa mãe? Se vou ter leite? Se vou dar conta de fazer tudo sozinha... mas de uma coisa eu tinha certeza, logo seria o parto e eu não estava nem um pouco preparada para isso. Acordei, tomei um banho e coloquei meu uniforme para ir trabalhar. Na verdade tentei colocar, tive que por outra calça pois a do uniforme não queria fechar. Cheguei na cozinha e não tinha ninguém, havia um bilhete da minha mãe avisando que minha avó havia passado m*l e que eles foram para o hospital, fiquei triste e fiz uma oração silenciosa para que ela estivesse bem. No trabalho eu nem tive muito tempo para conversar com a Lê, já que fomos convocadas para participar de uma auditoria em um cliente. O único comentário que ela teve tempo de fazer foi que o Guto caiu e muito no conceito dela e do Arthur. Cheguei em casa e os meus pais ainda estavam no hospital. Liguei e eles disseram que minha vó teve um derrame e como minha vó morava em uma cidade a sessenta quilômetros de distância eles ficariam por lá, mais que a tia Carmem estava de sobre aviso e que era pra ela que eu deveria ligar se precisasse de algo. Comi um sanduiche, tomei um banho e corri para a cama, estava muito cansada. Acordo com a campainha tocando insistentemente, olhei no meu celular e era três horas da manhã. Esse horário só poderia ser noticia r**m. Corri, com cautela para não cair e me assustei ao abrir a porta. Um Guto, bastante bêbado estava do outro lado.
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