Capítulo 4

1660 Words
Eu fiquei em silêncio aguardando a Lê chegar, estava sentada na sala de espera com a doutora Cláudia ao meu lado, assim que uma Letícia esbaforida entrou a doutora pediu para ela se acalmar e para me dar o tempo que eu precisa, eu contaria quando me sentisse bem. E assim foi todo o caminho, Letícia veio de táxi para poder levar o meu carro embora e o marido dela Arthur pegou o carro dela no escritório. Eu fui olhando para fora da janela, não conseguia pensar em nada além do que eu vou fazer da minha vida de agora em diante. Pedi para Lê parar em uma praça que ficava a alguns quarteirões da minha casa. Eu precisava me concentrar agora no jantar daqui a pouco e em como dar a notícia para todo mundo. - Amiga, sabe que estarei aqui não sabe? Só por favor conversa comigo, o bebê está bem? – Desculpe Lê, você é uma das poucas pessoas que posso realmente contar. Vou te contar só que preciso que você não surte ou vai me deixar mais nervosa ok? – Fala logo, estou ficando agoniada. – Lê você vai ser madrinha, basta escolher se quer ser do menino ou da menina. – Se não fosse madrinha eu te matava, se eu pudesse escolher queria ser madrinha de menina já que tenho o meu Miguel. Agora me fala logo é menino ou menina. – Parabéns você será madrinha de uma menina, agora me resta escolher a madrinha do menino. Foi até engraçado a expressão de choque no rosto dela, ela travou de boca aberta e olhos arregalados, ela nem piscava. Segundos depois ela levantou e começou a andar de um lado para o outro, batendo os pés no chão. Ela estava hilária e levemente descabelada, se sentou ao meu lado e segurou minha mão. – Sabe que eu te amo não é? Estou do seu lado e meu Deus uma criança já é difícil, duas e sozinha… tá eu estou tentando não surtar eu juro. Como está se sentindo? – Agora estou mais calma, afinal entrou tem que sair não tem? Não tenho muita escolha agora e sei que não vou ter total apoio do Guto, mas sei que posso contar com você, meus pais e os pais dele. Eu só tenho que contar a todos. Por favor, vai ter um jantar em casa e eu preciso que esteja lá comigo, chama o Art e diz pra ele levar o Miguel, você fica direto lá comigo? – Claro amiga, vou ligar para ele. Agora vamos para sua casa, seus pais devem estar preocupados. Certamente o seu pai já está acionando o corpo de bombeiros para vasculhar o rio a procura do seu corpo. Nós rimos porque seria a cara dele fazer algo desse gênero. Entramos no carro e fomos para a minha casa. Não só os meus pais como os pais de Guto estavam em casa e estavam todos preocupados. Era tanta pergunta de uma vez só que m*l conseguia ouvir. – Calma, gente, está tudo bem, a Ali estava comigo, nos enrolamos no trabalho e viemos pra cá, Art e Miguel também virão espero que não se importem. – De forma alguma minha querida, me desculpe. - minha mãe foi a primeira a dizer – Ficaremos felizes em ter vocês aqui. Se atrasaram bastante e o jantar está quase pronto. Mais atrasados que vocês só está Guto. – Mãe vou tomar um banho rápido e já desço, tudo bem? – Vai sim minha querida – disse dona Carmem me abraçando – Não demore, sim? – confirmei com a cabeça e subi para o meu quarto. Coloquei em cima da cama um vestido solto e fui para o banheiro. Como prometi o banho foi rápido, me sequei coloquei uma lingerie bege de algodão bem confortável. Eu sei, porém também sei que relações não vou ter tão cedo. Me virei ao meu grande espelho e fiquei me analisando, não é que do nada tem uma elevação considerável no meu abdome? Cresceu agora ou já estava aí e eu nem percebi? Cresceu no banho, certeza, já que o meu uniforme me entrou perfeitamente pela manhã, coisa de louco… também se fosse normal não seria comigo. Fechei os olhos por alguns segundos, tentando processar e ganhar coragem para a noite que eu teria que enfrentar. Abri os olhos novamente e tomei um p**a susto, Guto estava parado atrás de mim olhando meu reflexo no espelho. – Você vai me m***r um dia se continuar fazendo isso sabia? Assombração! – Desculpe, eu não queria assustar você, e está correta, tenho que parar de entrar no seu quarto Débora pode entender errado e não quero mais problemas com ela. Nossa, já dá pra notar a barriga. Ele ficou me encarando pelo espelho em alguns segundos de silêncio e eu logo tratei de me virar para ele e ir até a cama pegar o meu vestido. – E então como ela reagiu? – Surtou um pouco mas agora disse entender, queria te conhecer então ela está lá embaixo. – Não acredito que fez isso. Claro que eu não me importo nem um pouco mas o meu pai vai surtar. – Nada a ver Ali, eles tem que se acostumar com a ideia de que eu tenho uma namorada. – Tá legal eu concordo com você, mas eles nem tiveram tempo de se acostumar com a gravidez ainda. Feche os olhos, ande feche – ele fechou – agora imagina você descobre que sua filha está grávida, que será mãe solteira e que no primeiro jantar onde vão sentar e conversar para saber como será o futuro o pai do seu neto chega com a nova namorada. Agora abra os olhos e me conte como você se sentiria. – p***a, péssimo! Fiz m***a me perdoe, mas a Deb disse que não haveria mais namoro se ela não estivesse aqui esta noite. – Então desça e prepare sua namorada, a noite será longa e com surpresas. Quero que se vire e se desculpe com o meu pai por isso depois. – Tudo bem, não demora, ok? Vai dar tudo certo. Disse e saiu, fiquei enrolando um pouco mais no meu quarto. Não estava pronta para ser mãe, não estava pronta para ter gêmeos e não estava pronta para conhecer a Deb. Duas batidas na porta me tiraram dos meus pensamentos e quando vejo Lê está encostada no batente. – Aposto que já sabe que a Debiranha está aí. E vou te contar viu, te prepara que está o maior climão lá. – Não fala assim amiga, você nem a conhece. Agora vamos antes que meu pai faça algo de que eu não me orgulhe. – Vamos boa samaritana, agradeça Miguel, foi por ele que os adultos se manterão civilizados. Como a perfeita covarde que sou, desci me escondendo atrás da minha amiga que só fazia rir de mim. O tio Jorge foi o primeiro a vir me abraçar e sussurrou no meu ouvido que tudo ficaria bem. Meu pai estava lá com aquela cara de quem comeu e não gostou. Guto estava conversando com o Arthur e com o braço em torno da cintura de Deb. Miguel estava correndo de encontro a sua mãe e quase a derrubou. Guto pediu licença a Art, segurou a mão de Débora e veio em minha direção. – Débora, essa é Alice, minha amiga de infância e mãe do meu filho. – Prazer em te conhecer, posso te chamar de Ali? – tá ok eu não acreditei nessa bondade toda que ela tentou representar, seus olhos me diziam outra coisa. Olhei para Lê e de imediato percebi que não fui a única a reparar. – Oi prazer Débora, claro que pode sim. Fique à vontade. Ela ainda me olhou mais uma vez com cara de nojo e fomos todos para a mesa de jantar. O clima ainda está estranho e a conversa é pouca. Até que… – E então Ali, não vai contar a todos como foi na consulta? – Engasguei, obviamente. Letícia sua traíra, seu coração será minha sobremesa. E foi um alvoroço total, todos falavam ao mesmo tempo e eu tentava não prestar atenção nisso. Guto estava sentado em minha frente e me cutucou por debaixo da mesa. Custei mas tive que olhar para ele e foi difícil encarar o seu olhar de decepção. Ele sussurrou um você deveria ter me chamado e eu simplesmente não aguentei a pressão. Acordei e estava na minha cama. Lê ria enquanto tirava alguns grãos de arroz do meu cabelo. – Amiga pena que perdeu o auê – olhei pra ela com os olhos apertados – qual é foi engraçado. Você desmaiou e deu de cara no seu prato de comida, seu pai encarou o Guto como se quisesse arrancar as bolas dele. Sua mãe e a tia Carmem ficaram histéricas, o Guto branco igual papel te pegou no colo e trouxe pra cá. Mas a cara da “Debiranha” foi épica. – E onde estão todos agora? – Lê não teve tempo de responder pois a porta foi aberta e Art entrou. – Vim ver como está Ali, vendo que está bem preciso dizer que estão todos à sua espera lá embaixo. Está pronta? – Estou sim. Podemos ir. Art me ajudou a levantar e sussurrou no meu ouvido um: Guto é um i****a, espero que ele não demore para descobrir isto. Descemos e a casa estava em um completo silêncio, todos concentrados na sala. Me sentei na poltrona vaga. É agora… tomei coragem e falo: – Bom, como sabem, consegui um horário com a doutora Cláudia hoje no final da tarde. Estou com quase cinco meses de gestação, mas isso a gente já sabia, o que não sabíamos é que os bebês estão ótimos e que são um menino e uma menina. O silêncio foi interrompido por um baque. E superando as expectativas foi a vez de Guto desmaiar.
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