DOIS: Ele o Vê com Olhos Errados

2467 Words
— Com licença, Tio SiCheng. — a voz de Jun Hui foi ouvida da porta, o alfa segurava algumas vasilhas em mãos, vasilhas estas que haviam sido levadas dias atrás — Omma me pediu para te devolver e pediu desculpas pela demora, ele acabou esquecendo. — Tudo bem, Jun, você pode coloca-las ali. O alfa entrou dentro da cozinha, deixando as vasilhas sobre a mesa. Só então notara que seu tio não estava sozinho, em um lado mais escuro e completamente concentrado em fingir que não estava vendo seu primo ali, MingHao cortava alguns legumes para o jantar. O ômega mais velho estava sempre ajudando na cozinha, ao contrário de seu irmão mais novo, Minho, que era bastante preguiçoso e sempre fugia para não ajudar na cozinha. Ainda havia mais uma irmã, Mihyun, que era uma alfa lúpus, esta estava sempre com o pai, Zhang Yuta, a mesma trabalhava muito e aos 23 anos já ajudava nas contas de casa, além de estar noiva de uma ômega chamada YooA. O Wu olhou de soslaio para MingHao, que o ignorava como se sua existência não fosse importante. Sabia muito bem o motivo disso, mas não significava que se importava. — A água acabou. — ouviu quando seu tio falou — Vou pegar mais. — e então o ômega sumiu pela porta da cozinha. Jun Hui aproveitou o tempo para se aproximar de MingHao e o abraçar pela cintura com uma das mãos, enquanto a outra movia mexas de seu cabelo longo e n***o para poder aspirar o cheiro de seu pescoço. O cheiro de MingHao era o melhor que já havia sentido em toda a sua vida. Ele sabia que o ômega detestava quando ele fazia isso, sabia que qualquer aproximação sua o deixava irritado. — Meu aniversário é em três semanas. — ele disse, bem perto de seu ouvido — Você se lembra do que vai acontecer quando eu fizer 30 anos, não lembra? Ele se lembrava e esse era o motivo de não dormir direito a vida toda e especialmente no ultimo mês, a vida de Zhang MingHao nunca foi fácil, ele cresceu sabendo que se casaria com seu primo Jun Hui, a marca em seu pescoço nunca o deixou esquecer disso. Jun o marcou quando eram crianças e ambos cresceram sabendo que se casariam um dia, mas as realidades eram diferentes, o único marcado ali era MingHao, o único que era fisicamente obrigado a se manter fiel, enquanto o alfa passara a vida dormindo com muitos, o obrigando a sentir cada uma de suas traições. A verdade era que Zhang MingHao desprezava a existência de Wu Jun Hui, o odiava mais que tudo e a ideia de se casar com ele era seu maior inferno. — Espero que morra engasgado com a sua própria língua um dia antes. — o ômega falava sério, o alfa sabia disso. — Por que você me despreza tanto? — Porque você é desprezível, manchando a imagem dos alfas da nossa família, agindo como alguém sem compromisso e sem respeito nenhum pelos ômegas. — MingHao era duro em suas palavras, fora sempre ele o responsável por dizer coisas que ninguém jamais disse ao alfa. Mas Jun Hui sabia disso, sabia que seu comportamento não combinava com o restante dos alfas de sua família, que eram sempre considerados como encantadores. Jun Hui não tinha nada de encantador, ele gostava de farras e de ômegas de má fama, não gostava da ideia de que estava sendo obrigado a se casar, mesmo sendo o único culpado daquilo tudo. Amaldiçoava o dia em que marcou MingHao. Todavia, o que poderia fazer? A marca no pescoço de seu primo não quebrou nem mesmo quando fora amado por outra pessoa, coisa que o deixou ainda mais amargurado. MingHao esperava pelo dia em que Jun morreria, pois era sua única maneira de se ver livre daquela maldita marca. — Você preferia que fosse o Youngmin, não preferia? — sussurrou em seu ouvido, sabia que citar aquele nome era atacar diretamente na ferida. Que ainda estava aberta. — E você preferia que eu fosse o Ren, não preferia? Ele sabia que aquilo abalava o alfa e abalava muito, por mais que Jun sempre disfarçasse e fingisse que aquele ômega ficara no passado, já o vira muitas vezes parado na rua observando Ren ao longe, a verdade era que no fundo o Wu nunca foi capaz de deixar de amar aquele rapaz. Mas apertou ainda mais a cintura do menor. — Logo seu corpo será totalmente meu, MingHao. — Põe a mão em mim de novo que eu juro que arranco fora os teus dedos. — o ômega segurou com força em uma faca, desta forma assustando o mais alto, que sabia muito bem que MingHao era mesmo capaz de cravar a mesma em sua pele. Logo o Wu se afastou. — Três semanas, ômega, três semanas. MingHao se fazia de durão, mas só fora preciso ter certeza que o alfa estava longe para que começasse a chorar. Ele não queria que sua vida se resumisse a se casar com quem tanto detestava. Ele não queria aquilo, ele não queria ser o ômega de Wu Jun Hui, pois no fundo ele nunca deixou de amar Do Youngmin.     [... Aroma de Ômega ...]       — Seungkwan, quando eu crescer eu vou ser tão bonito quanto você? Zhang Seungkwan gostava de mimar seu irmão, coisa que não acontecia apenas com ele, por ser o mais novo Jeongin era o mais mimado e paparicado por todos os irmãos mais velho, mas especialmente por Seungkwan, que também era ômega. Os dois ômegas passavam muito tempo juntos, sendo que durante os primeiros anos de vida, Jeongin acreditava que Seungkwan era seu omma, o chamou assim até os três anos de idade. — Você vai ser ainda mais bonito, Jeongin, tão bonito que nenhum alfa vai conseguir resistir, tenho certeza que você será muito cortejado. O mais velho fazia uma trança no cabelo do mais novo, ainda se recordava da época em que todos os irmãos tinham cabelos longos, mas Soonyoung os cortou bem curto e logo em seguida Felix fez o mesmo. Nos últimos dias apenas os ômegas ficavam em casa, especialmente depois que Felix começou a ser cortejado por um alfa, coisa que o beta sempre quis, Felix já estava chegando aos 30 e queria muito se casar logo, sempre que surgia em casa era para falar sobre o quanto estava feliz com Changbin. Mas nas últimas semanas seus pais estavam começando a desconfiar que o beta estivesse grávido. — Eu vou poder me casar com o Minhyun? Seungkwan franziu o cenho. — Com o Minhyun? Mas o Minhyun é um ômega. — Ômegas não podem se casar com ômegas? O mais velho não sabia como responder, já conhecera alfas que se casaram com outros alfas, mas não conhecia ômegas que se casaram com outros ômegas. Quando um casal é composto somente por ômegas, quem iria os proteger? Casais assim se tornariam completamente vulneráveis e provavelmente não conseguiriam se sustentar sozinhos, em vista de que não haviam empregos voltados para ômegas, ele sequer conhecia algum ômega que trabalhasse e se sustentasse sozinho. Bom, pelo menos, um que tivesse uma via considerada boa. — Você não se interessa por alfas ou por betas, Jeongin? — Alfas são chatos, que nem o Soonyoung. — o garoto respondeu, a relação que tinha com o mais velho era boa, mas não gostava quando o alfa não lhe dava atenção quando tinha que ir trabalhar — Alfas trabalham o tempo todo, ômegas ficam em casa comigo. — Se os dois ficarem em casa, quem vai sustentar vocês? — O papai. Seungkwan riu, queria ter conservado essa mesma inocência, ainda havia tanta coisa que Jeongin precisava aprender, ele ainda tinha muito tempo para isso, afinal, o pequeno ômega tinha apenas sete anos. Era muito amigo de seu primo, Minhyun, que estava atualmente com seis anos, os dois sempre diziam que se casariam quando crescessem, mas todos sempre diziam que era coisa de criança e que quando fossem adultos deixariam aquilo para lá, não havia muito futuro para dois ômegas sozinhos no mundo. Ouviu um barulho na janela, como se alguém batesse nela. Deixou Jeongin sentado na cama em que estavam, abriu a janela revelando o rosto de Hansol, um beta que estava sempre vindo o visitar. Seungkwan gostava das visitas de Hansol e das conversas que tinham, o mesmo sabia que o beta tinha segundas intenções com ele, mas por enquanto ainda não sabia dizer se queria ou não corresponder a essas intenções. O mais velho pulou a janela entrando no quarto. O pai de Seungkwan, Young Ho, já vira o beta ali dentro algumas vezes, mas não se importava muito, uma vez ouvira o pai dizer que Hansol tinha cara de submisso e que inclusive conhecia alfas que eram interessados por ele. — Ah, o Jeongin está aqui. — Hansol! — logo o ômega pequeno correu para abraçar o beta. Aquele era mais um ponto bom em Hansol, ele se dava bem com sua família, não apenas com Jeongin ou com Young Ho, mas Felix também tinha uma boa relação e Chittaphon adorava quando o Kim o ajudava a lavar a louça, apenas com Soonyoung que a relação não era a das melhores, mas não pelo alfa e sim pelo próprio beta, que não conseguia ser dar bem com alfas mais jovens.     [... Aroma de Ômega ...]     Jeonghan gostava de se banhar no rio, desde criança fora apaixonado por aquelas águas, gostava da sensação de nadar livre de suas roupas e longe das outras pessoas. Jeonghan gostava de multidões, mas também gostava de momentos em que pudesse ficar sozinho e não ter que se preocupar com nada. Desde pequeno tivera uma vida sem muitas preocupações, ao contrário de seu irmão mais velho, Mingyu, que estava sempre atarefado quanto as questões da alcateia, ele se preocupava muito quanto ao dia em que se tornaria o líder. O alfa loiro era o segundo na linha sucessão, mas ele não acreditava que algo fosse impedir Mingyu de se tornar líder, apenas uma fatalidade faria isso e ele não queria conservar em mente que algo do tipo fosse acontecer. Jeonghan se conhecia muito bem, sabia que era muito bonito e que os ômegas gostavam de seu lado mais sensível, mesmo que os alfas julgassem isso como fraqueza, ele não se considerava fraco por ser sensível e doce, pelo contrário, acreditava que isso o faria ver o mundo de uma forma melhor e enxergar coisas que os outros alfas não enxergavam. Notara um estranho movimento no meio das arvores, se tinha algo em ser alfa que gostava muito, com certeza era a ótima visão e o instinto em notar movimentos por perto, coisa que betas e ômegas não tinham. Reconheceu o carpinteiro que visitou dias atrás, o mesmo estava com um machado e parecia ter certa dificuldade ao cortar um galho grosso de uma árvore. Gostava de ajudar e por isso saiu da água, sem se importar com o fato de estar sem roupas, ele se aproximou de onde o rapaz estava. — Precisa de ajuda? Só então o outro o notou, olhando para ele, mas se virando rapidamente ao notar que o mesmo estava sem roupas. Jeonghan não entendeu essa atitude, mas não conhecia nada sobre Seungcheol para poder dizer algo ou estranhar sua atitude, algumas pessoas se consideravam reservadas, mas não conhecia nenhum alfa que se sentisse envergonhado diante do corpo de outro alfa. Mas o grande problema até agora, era que Jeonghan não conseguia juntar os pontos e entender que Seungcheol não era um alfa. — Não, não, está tudo bem. — ele respondeu rapidamente, sentindo suas bochechas ficarem rubras. — Mas você está com dificuldades em cortar este galho, eu posso cortar pra você. — Você pode... — sua voz era de puro constrangimento — Se vestir primeiro? — Ah... O alfa retornou para onde suas roupas estavam e se vestiu rapidamente, sempre olhando para onde o outro estava, estranhando ainda mais ao ver de longe que seus olhos estavam bem trancados e ele sequer se mexia. Nunca vira ninguém fazer isso, nem mesmo ômegas se negavam a olha-lo. No fundo Jeonghan se sentiu meio ofendido, sua beleza sempre chamou muita atenção, as pessoas pareciam querer conhecer todos os seus detalhes, independente de suas castas. Quando voltou, Seungcheol se deixou olha-lo, mas ainda estava um pouco vermelho, coisa que o alfa loiro preferiu não comentar. Jeonghan então cortou o galho grosso que o mais baixo estava tendo dificuldades, viu quando Seungcheol agradeceu meio sem jeito, talvez envergonhado por não ter tido força para isso. Pelo menos, para Jeonghan, o rapaz que considerava um alfa, estava envergonhado por se sentir mais fraco que ele. Seungcheol sabia que o loiro estava o enxergando como um alfa e preferia não dizer nada quanto a isto, era bem melhor do que a forma com que os outros o tratavam, como um ômega defeituoso. Era bom se sentir tratado de igual para igual. — Eu posso te ajudar a levar até em casa. — prontamente se ofereceu, se Seungcheol não conseguia o cortar, como conseguiria leva-lo para casa. — Não precisa se incomodar. — Eu faço questão, gosto de ajudar. — Ah, tudo bem, então. Jeonghan acompanhou o outro, estranhando o fato de que o Choi preferia ir por ruas sem muito movimento, ele próprio não costumava andar por ali, era quase como se estivesse tentando evitar que alguém os visse juntos. Qual o verdadeiro problema? Estava a ponto de perguntar se o problema era com ele. Jeonghan não entendia muito bem o que se passava naquela cabeça. Mas ali, caminhando com ele, conseguia sentir aquele mesmo cheiro que era terrivelmente delicioso, queria poder passar mais tempo ali apenas para senti-lo. Sabia que aquilo não era bom e nem educado, estava terrivelmente viciado no cheiro de um ômega comprometido e certamente que o Choi se afastaria caso soubesse que o mesmo estava a admirar aquele odor. Todavia, o que faria? Aquele cheiro era muito bom para ser sentido apenas uma vez. — Obrigado pela ajuda. — o mais novo agradeceu assim que chegaram na oficina, mais para dentro o alfa conseguia ver Siwon, o pai de Seungcheol, que também os observava como se os vigiasse, estranhara aquele olhar, era cuidado demais, como se tivesse medo de que por algum motivo ele ferisse seu filho — Eu já comecei o seu baú. — Eu posso ver? — Ainda não tem forma de nada, não é interessante ainda. — Venho ver outro dia então. O alfa loiro foi embora, mas a sua intenção era de voltar, pois desejava sentir aquele cheiro novamente. Se sentia culpado por isso, mas apenas sentir o odor não poderia ser considerado ofensivo.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD