Malu
Sentada em um dos últimos banco de madeira daquele lugar de óculos escuros e com meu cabelo solto cobrindo boa parte do meu rosto eu os via o trazerem com um macacão laranja e as mãos algemadas o sentando ao lado do juiz.
— A corte está em sessão! — Disse batendo seu martelo.
— O QUE? — Praticamente gritei tamanho o meu choque.
— Não temos provas o suficiente para acusar Theodore. — Disse novamente como se eu realmente não houvesse entendido da primeira vez.
— Como não? Ele me sequestrou! Quase matou a mim, ao meu bebê e ao meu marido!
— As câmeras mostram Rafael te sequestrando.
— A mando do Theodore! — Completou Nathy antes que ele pudesse terminar.
— Ele n**a, Rafael admitiu o sequestro e o que houve na madeireira, ele foi deportado e irá cumprir 20 anos de pena no Brasil.
— Não vai ficar nem 10. — Nathy falou em português revirando os olhos.
Respirei fundo tentando espantar as lembranças ao mesmo tempo que controlava o meu enjoo enquanto o advogado falava suas abobrinhas para defender aquele i****a!
— Bom, de acordo com os argumentos apresentados o réu não será condenado, porém terá de prestar serviços comunitários e ficar a 500m de distância de qualquer m****o da família Sinclair. — Ao final da frase ele bateu seu martelo novamente selando a sentença mais injusta que já via em minha vida.
Um dos policiais segurou Theo pelas algemas o levando de volta passando pelo corredor exatamente ao meu lado. Pude ver pela visão periférica um sorriso malicioso de Theo ao me ver ali.
Meu estômago revirou tamanha a minha raiva. Poucos minutos depois me levantei procurando o banheiro mais próximo tendo que correr ao primeiro box regurgitando meu almoço.
Respirando fundo fui até a pia lavando a boca e o rosto aproveitando para passar a mão molhada na nuca.
Eu precisava sair daquele lugar...
Ainda sem rumo comecei a caminhar pelo centro vendo algumas vitrines de roupa até parar em uma loja infantil e entrando.
Havia tantas coisas lindas que até me faziam esquecer um pouco a desgraça que eu havia presenciado e focar meus pensamentos no serzinho que crescia em mim.
Uma das primeiras coisas que me chamou atenção foi um macacão de rena fofinho como uma pelúcia. Só de tocar seu tecido já podia imaginar segurando meu bebê, o cheirando e sentindo aquele cheirinho de neném que ninguém resiste.
— Com licença moça. — Ouvi uma mulher chamar e ao olhar para o lado vi uma loira com uma blusa com a logo da loja. — Posso ajudar?
— Acho que sim. — Sorri lhe mostrando o macacão. — Acha que serviria em um recém-nascido?
— Sim, esse é o tamanho certo. É para presente?
— Não, na verdade é para o meu bebê. — Respondi sorrindo passando a mão na barriga.
— Oh meus parabéns! Gostaria de ver mais coisas? Temos de tudo aqui.
Bom, eu já estava ali mesmo, precisava me distrair ao mesmo tempo que o bebê precisava de algumas coisas.
— Sim... Por que não?! — Sorri.
Ela me guiou pela loja quase como que em um tour. Acabei saindo de lá com o macacão, alguns pares de meinhas, uma touca de tricô já que o inverno daqui costuma ser doloroso e uma naninha de elefante.
Só não comprei mais coisas pois queria deixar para comprar junto com a Nathy e o Tom, se não acredito que ambos iriam me matar.
Um pouco mais calma peguei um táxi de volta para casa. Ainda no caminho senti meu celular vibrar com algumas mensagens e só então pude ver as 2 ligações perdidas.
Assim que cheguei em casa fui recebida com Tess pulando em mim tentando pegar a sacola me fazendo andar com as mãos para o alto.
Apoia lhe dar toda atenção que ela queria entrei vendo que Isac, Nathy e Harry estavam no sofá assistindo a Harry Potter.
— Você tem dois minutos pra me dar um motivo para não dar na sua cara! — Nathy levantou-se vindo em minha direção.
— Estou grávida do seu afilhado. — Respondi a olhando com uma sobrancelha arqueada.
Ela cerrou os olhos e eu sabia que ela havia ficado possessa por não poder fazer nada.
— Não acredito que você foi atrás do julgamento daquele desgraçado! — Esbravejou voltando para o sofá. — Me diz que ele foi condenado a mil anos em Azkaban!
— Puff! Nem perto. — Revirei os olhos me sentando em uma poltrona. — Serviços comunitários e uma ordem de restrição.
— Só isso? — Isac e Harry falaram praticamente juntos.
— Vai contar para o Tom? — Perguntou Harry.
— Tenho que contar... Algo me diz que ele vai surtar... — Respirei fundo coçando a testa.
— Como se você não tivesse surtado. — Ela m*l terminou e Isac lhe deu uma cotovelada.
— Eu vou tomar um banho... — Disse me levantando e caminhando até a escada.
— Quer comer algo? — Perguntou Isac.
— Não, obrigado. — Respondi já subindo.
Colocando as sacolas na cama me sentei tirando minhas botas e casaco. Tirando o celular do bolso liguei para Tom por FaceTime.
— Uuh saudade de te ver desse ângulo. — Disse rindo assim que ele atendeu com o celular num ângulo de baixo para cima.
— Admito que também estou. — Tom riu também. — Onde estava?
Bom, hora da verdade...
— Honey... O Rafael e o Theo foram julgados... O Rafael foi deportado e irá cumprir uma pena de 20 anos no Brasil.
— Isso é bom não é? E o Theo?
— É razoável... E o Theo... O julgamento dele foi hoje, eu estava lá por isso não vi suas ligações. Bom, ele vai cumprir serviços comunitários porquê de acordo com juiz não havia provas o suficiente para uma pena... Ele também tem uma ordem de restrição contra nossa família, 500 metros.
— O que? Só isso? Depois de tudo que ele fez? — Pude ver seu semblante mudar para uma expressão de revolta.
— Pois é... — Respirei fundo passando a mão em minha nuca.
— Vou contratar um segurança para ficar aí na casa e quero que você só saía com ele, não importa para onde for.
— Tom... Não gosto da ideia.
— Eu sei... Mas não temos muitas opções com esse maníaco a solta! Preciso pensar em você e no nosso bebê que está a caminho. Entende?
— Sim... — Respirei fundo passando a mão no rosto. — Tem razão...
— Que bom que está de acordo meu amor. Vou contratar hoje mesmo! Para que esteja aí amanhã. Mas chega de falar sobre isso. Como está minha bela esposa? — Ambos sorrimos. Acho que nunca cansaria de ouvir ele me chamar de esposa.
— Bem, fora tudo isso bem. E você meu marido? Quando volta?
— Bem... As filmagens aqui andam bem então acredito que mais umas 2 ou 3 semanas.
— Bom mesmo. — Disse o fazendo rir. — Comprei algumas coisas para o bebê quer ver?
— Claro!
— Olha que coisa mais fofa! — Dizia tirando os pertences da sacola de papel e o mostrando, não sei quem estava mais babão eu ou ele.
— Também comprei uma coisinha para o bebê. Estava tomando café na cidade e quando vi não me contive. Espera aí.
Ele largou o celular virado para cima saindo do campo de visão, eu ouvia o barulho dele mexendo nas coisas até que voltou me mostrando um body do Homem-Aranha.
— Tom...
— Eu não resisti! — Disse fazendo ambos rirem. — Não gostou?
— Não é isso. É que parece meio grande. Acho que só vai dar para o bebê quando tiver uns 4 a 6 meses.
— Ah... Bom, um dia serve! — Não pude conter o riso. — Darling preciso desligar agora já estão me chamando.
— Tudo bem vai. — Sorri mesmo sentindo meu peito apertar. — Eu te amo.
— Também te amo darling — Ele sorriu me mandando um beijo antes de desligar.
— Aí filhote... — Passei a mão na barriga. — Sinto tanta falta do seu pai... Mas o que acha de um bainho?
Respirando fundo me levantei caminhando até o banheiro, talvez seja disso que eu precise para relaxar depois desse longo dia.