capítulo 24 🐺

1309 Words

Narrado por Lobo A laje já tinha entregue a noite pro breu, e só ficou eu, Beto e a fumaça rodando no ar. O relógio marcava oito e pouco, cada tic-tac parecia cutucar o sangue. O galpão tava marcado pras nove, curva do cemitério, ponto cego até pra alma penada. Beto roía a tampa da caneta, mais nervoso que rato em cozinha cheia de vassoura. Eu só fumava, olhando o horizonte da cidade lá embaixo. — Chefe… — ele quebrou o silêncio, voz baixa, quase riso nervoso. — Os cara tão achando que vão encontrar alguém pra pagar as dívida, né? Soltei a fumaça devagar, pelo nariz. — É. Eles acham que vão ganhar padrinho. O que eles vão ganhar é coleira. O moleque riu sem graça. — Vão cair duro quando verem que é você. — Não vão cair duro, não. — corrigi. — Vão ficar de pé, tremendo. Que é pior.

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