TERESA
Acordo com o sol no meu rosto e meus olhos se abrem de imediato.
Olho para baixo e sinto minha aureola dos meus m*****s subir de frio por causa do ar condicionado.
Assim que me sentei na cama, me lembrei da cena do senhor Christofi e Lorena prestes a fazer aquele negócio. Eu já imaginava, mas eu não queria ter visto.
Desde pequena minha mãe sempre me repreendeu, e disse que moça tem que ser recatada. Ai logo depois eu conheci o feminismo, e super concordo com os termos. Mas pelo fato de minha mãe me cuidar de uma forma diferente acabo sendo reprimida em certos assuntos.
- Senhora Teresa? O que faz na cozinha?? - a empregada pergunta. Eu tomei banho e fiz minhas necessidades e higiene antes de descer.
- Ué... É a primeira coisa que faço quando eu acordo.
- Mas... Aqui você não precisa vir na cozinha, porque...
- Bobagem! - sorri - posso abrir a geladeira?
- Você está me perguntando se VOCÊ pode abrir a geladeira?? - perguntou surpresa
- Quero ver se tem coisas que Pedro e eu costumamos comer, se não, vou ao mercado.
- Você ir ao mercado???
Olhei pra ela abaixando as sobrancelhas. Ela tem o cabelo preto e é ainda mais alta que eu, mas é bonita.
- Desculpe senhora. - ela fala.
- Pode me chamar de Teresa, e não precisa ficar repetindo tudo que falo. - digo e ela assente - qual seu nome?
- Me chame de LiLi mas pode chamar de diarista, na verdade... Eu sou a cozinheira.
- Seu nome é diarista?
- Não mas...
- Então me fale seu nome! - falei meio grossa com ela. Diacho! Preciso aprender a ser mais calma
- Liandra. - ela fala - e pode deixar Teresa. Aqui nessa casa temos 57 empregadas, cada um tem a sua função e uma das minhas é ir ao mercado toda vez com Cícero para fazer compras.
- Jesus amado! 57 empregados?! - surtei - mas se vai no mercado eu posso ir com você!
- Tem certeza? - ela pergunta - não vai achar estranho?
- Oxi! E por que eu acharia mulher??
- Bom sendo assim, só vou pegar o cartão de crédito do senhor Christoffer.
- Tenho que pegar o meu também.
- Não! - ela praticamente grita - o senhor Christoffer disse que vai pagar tudo que vocês forem consumir.
- Ele disse isso?
- Sim.
- Não é atoa que chutei as canela dela ontem! - rosnei baixo - ele não precisa pagar nada pra eu porque eu trabalho. - falei como se eu tivesse falando com ele
- Você fez o que? - a empregada ri - Chutou a canela dele???
- Alguém precisava chutar. - falo e ela gargalha baixo
- Sem risadas na hora do serviço Liandra, vai já ao mercado! - o mordomo Silviano fala e Liandra sai da Cozinha - Bom dia senhora Teresa, o café sai daqui a pouco. E não se esqueça... Não pode correr pela mansão.
- Tá, já sei. - falo e saio da cozinha
Subo até meu quarto as pressas e coloco uma roupa melhor. Pelo menos gravei onde fica meu quarto.
Depois de esperar Liandra, fomos até o jardim buscar Cícero, o jardineiro que conversamos hoje.
- Oi. - ele fala - bom dia Li.
- Acredita que Teresa chutou a canela do senhor Christoffer?? - Liandra conta na maior gargalhada
- Isso é sério? - Cícero pergunta e eu assento com maior orgulho - coragem é o seu segundo nome certo?
Os dois entram dentro do carro que estava bem na nossa frente depois que chegamos ao lado de fora
- Ei, o que estão fazendo? - perguntei - por que não vamos de a pé?
- Sempre usamos o motorista do senhor Christoffer. - Liandra fala de dentro do carro
- O mercado fica um pouco longe. - Cícero continua
- Longe quanto? - perguntei ainda fora do carro
- 45 minutos. - Liandra responde
Eu ando na roça o dia inteiro no sol quente por horas e os dois dondocos reclamando de 45 minutos.
________
O mercado é maior que pensei. Foi até legal, Cícero e Liandra são as pessoas mais legais que conheci aqui, rimos muito, e amei ver as pessoas da cidade e a cidade, os prédios é enormes, e a diferença é que não há tanta paisagem como no interior.
- Você disse que ia comprar poucas coisas. - Liandra fala olhando pro monte de sacolas nas minhas mãos
Eu comprei tudo o que Pedro e eu gostamos. Biscoito, queijo, carne, salgadinhos, chocolate, e tudo com o meu dinheiro.
- Melhor do que sair com a senhora Lorena e ter que ficar carregando as mil e uma compras dela - Cícero gargalha e eu permaneço séria. Liandra cutuca ele e ele arregala os olhos - meu Deus... Esqueci que vocês são irmãs. Me desculpe.
- Vamos embora. - falei entrando no carro depois de o motorista colocar tudo no porta malas
- Teresa...
- Só não fale mais assim de Lorena Cícero. Não na minha frente. - falo e ele assente
A viagem no carro apesar do clima pesado tentei esquecer isso. Eu nunca imaginei alguém falando assim de Lorena, o tempo todo o nome dela ronda na mídia e as pessoas falam super bem dela, e eu a admiro muito. Foi estranho Cícero falando daquela forma.
...... ...... ....
Entro na sala e todos estão ao redor da mesa comendo o café da manhã, inclusive Lorena e Christofi.
- Querida - minha mãe fala - o mordomo disse que você foi ao mercado.
- É, fui comprar algumas coisas que Pedro e eu gostamos. - falo me sentando ao lado do meu irmão
- Podia ter me chamado abestalhada. - Pedro fala e eu bagunço seu cabelo
- Bom dia Teresa. - Lorena fala gentilmente
- Bom Dia Lorena, Bom dia senhor Christofi. - falo e ele acena uma vez com a cabeça
- Eu ia te chamar pra ir na cidade hoje, mas você já foi... O que acha de ir ao shopping comigo Pedro? - Lorena pergunta
Pedro olha pra mim e suspira alto
- Ok, eu vou. - ele fala
- Se não tiver cansada você podia ir Teresa, podemos comprar novas roupas pra você. - disse empolgada
- Novas roupas? - perguntei confusa
- Sim... Pra entrar no clima da cidade.
- Não preciso de novas roupas, gosto das minhas. - falo e ela assente
Estico a mão para pegar o pão integral mas está do lado do senhor Christofi e não consigo alcançar, apesar de ver meu esforço ele também não me ajuda a pegar
- Ei, pode me passar o pão? - pergunto e ele me passa - as coisas só funciona com você caso alguém peça?
- Teresa! - minha Mãe me repreende
- O que? - levantei os ombros
- Eu estava destraído, perdão. - ele fala
- Você tem que relaxar amor - Lorena fala - agora que está de folga só pensa em trabalhar.
- Que esforçado! - minha mãe brinca e eu reviro os olhos.
Ele acabou vendo que revirei os olhos mas não me liguei. Ele ainda continua me olhando igual ontem, como se eu fosse muito feia, estranha e eu não gosto disso.
- Vai ficar me olhando com essa cara de assaltante toda vez que eu me sentar na mesa? - perguntei e Pedro acabou ouvindo
- Não estou te olhando dessa forma. - falou frio
- Amor, eu ia mostrar a mansão para Teresa e minha mãe pode fazer isso?
- Sim. - falou e tomou do seu café
- Pode deixar, Cícero me mostra. - falo e todos me encaram - brincadeira...
Não, não era brincadeira.
- Certo - Lorena fala e se levanta da mesa - vamos?
- Vamos querida. - minha mãe fala se levanta da mesa e Pedro vai atrás, com as mãos cheia de biscoito
E agora estamos aqui, Christofi e eu sozinhos sentado ao redor dessa mesa. Ele bebe do seu café e come alguns petiscos de amendoim salgado enquanto lê algo no seu celular. É impressionante como a coluna dele é reta, e as linhas do seu rosto também. Será que ele não é uma espécie de robô?
- Algum problema Teresa? - ele pergunta ainda focado no seu celular
- Estou esperando você ir me mostrar a mansão. - falo e ele bloqueia a tela do seu celular
- Espere aqui, só vou me trocar. - ele fala e se vai
Suas costas são fortes. e suas pernas também, será que ele faz academia? Porque até onde sei ele meche com moda ou algo do tipo.
Depois de quinze minutos ele aparece. levanto da mesa e vou até ele pisando duro
- Foi se vestir ou mandar fazer as roupa? - falo e ele me olha confuso - demorou 5 horas!
- Na verdade... 15 minutos e 18 segundos. - falou e eu olhei ele surpresa.
Ele usa um jeans e um blusa mais simples, por cima da blusa uma jaqueta
- Posso te mostrar o jardim - ele fala e eu assento - Liandra me disse que você não usou meu cartão para fazer compras. Por que?
- Por que eu usaria seu cartão? - pergunto e ele enfia as mãos no bolso
- Vocês estão na minha casa, eu me sinto no direito de sustentar vocês.
- Ninguém me sustenta. Não se preocupe.
- Então como consegue as coisas? - ele pergunta e eu o encaro
- Vendendo meu corpo. - falo ironicamente e avisto um pé de goiaba enorme
Vou correndo lá e paro na frente da árvore.
- Isso é sério? - ele veio atrás de mim andando rápido - você se prostitui pra conseguir tudo que tem?
- Mas é claro que não! Eu trabalho! - falo e começo a subir em cima da árvore - pode se virar? Estou sem short por baixo.
- Me desculpe. - ele fala e se vira - então você trabalha na roça presunto.
- Sim. - falei com um pouco de dificuldade e estico a mão para pegar a goiaba mais bonita do galho
- De diarista.
- Diarista?
- Presumo.
- Por que diarista?
- Gente que Trabalha na roça costuma trabalhar de empregada doméstica, quando não casa por convenção.
Jogo uma goiabada enorme na cabeça de Christofi
- Au! - falou e se virou pra mim - por que fez isso?!
Desço do pé de goiabada as nervos, pois depois de uma dessa até perdi a fome!
- Vai cair. - ele fala - quer ajuda?
Permaneço calada e consigo descer, porém no último galho me desequilíbrio e ele agarra minha cintura me permanecendo ficar se pé
- Me solta! - o empurrei e ele me olhou confuso - que tipo de mulher acha que eu sou?
- O que?
- Acha que eu ter vindo da roça procuro macho pra me bancar?! Eu trabalho pra mim, eu entrei na universidade com a melhor nota com 16 anos, e me formei. Ta certo, meu serviço pode não ser um dos melhores mas eu gosto de fazer o que faço, pra um dia eu não ter que depender de homens escrotos como você!
- Eu não quis ofende-la. - ele falou meio distante
Peguei a goiaba do chão que joguei na cabeça dele e dei uma mordida pequena
- Continua me mostrando a casa.
- Mansão você quis dizer.
- Quer ganhar outro chute na canela ou o que?! - surto com ele e ele desvia os olhos de mim
- Costuma ser aborrecida assim? - estreitou os olhos - você parece uma criança.
- E não sou? - retruquei
- Ali é onde fizemos o campo de jogos.
- Campo de jogos? - perguntei confusa
- Sinuca, futebol, mas isso não foi ideia minha. Vamos pra dentro.
- Ta mas e alí?! - me aproximei dele e ele se afasta bruscamente me olhando o com olhar de sempre
- Poderia não manter contato? - ele pergunta suavemente
- Quer saber? - falo e ele continua me olhando - tem uma coisa que achei pra você.
- Que coisa? - perguntou desinteressado
Começo a fingir procurar algo e ele também procura comigo, logo mostro o dedo do meio pra ele como se eu tivesse achado alguma cosia e me afasto dali. Em outra situação eu teria ido embora, mas penso em Lorena, e no seu casamento. Prioridades...
...... ...... ....
A noite chega, e finalmente saio do quarto. Não achei que minha mãe Pedro e Lorena iriam demorar tanto
Desço as escadas e me deparo com Christofi e um homem moreno conversando algo baixo
- Oi. - o homem fala assim que me vê - prazer, me chamo Santiago. - ele estende a mão pra mim
- Teresa. - falo e ele deixa um sorriso escapar
- É mais bonita do que eu pensei Teresa. - ele fala e eu rio pra ele
- Obrigada. - falo e nessa mesma hora Lorena e minha mãe e Pedro chegam - vocês demoraram! - reclamei
- Fomos ao cinema - Lorena explica - e ao parque...
Pedro passa direto por mim e sobe lá pra cima. Parece que ele está aborrecido com alguma coisa.
- Trouxe um presente pra você. - minha irmã me entrega uma sacola - abra.
Abro a sacola as pressas e dela tiro um vestido longo vermelho, é bem sofisticado, e tem umas rendas, é bem a cara de Lorena.
- É lindo! - falei
- Sim, poderá usar no jantar amanhã, o jantar oficial de noivado. - ela explica - a família de Christoffer vira pra cá.
- Obrigada Lô, mas eu te disse que eu prefiro usar um dos meus vestidos...
- Não vai fazer essa desfeita com sua irmã Teresa. - minha mãe fala - querida, podemos subir? Quero te falar umas coisas. - ela diz a Lorena que assente
- Acho que ele ficaria com bem em você Teresa, e ainda mais - ela sussurra só pra mim ouvir - a mãe de Christoffer é sistemática, ela irá gostar de você dentro desse vestido.
Minha mãe e Lorena sobem as escadas me deixando a sós com os dois homens na minha frente.
Por que eu gostaria de agradar a mãe do senhor Christofi?
Desde a primeira vez que pisei aqui, o nosso santo não bateu, sabe quando você sente ranço por alguém? E com motivo! O homem não para de me olhar com insignificância ou como se eu sufocasse ele.
- Tem uma tesoura? - perguntei ao senhor Christofi
- Depende. Vai rasgar minha garganta com ela? - perguntou bem sério e eu reviro os olhos - ali dentro. - apontou o dedo pra uma estante
- Vai cortar o vestido? - Santiago pergunta curioso
- Cortar? Não... Só vou fazer uns ajustes. - falo e pego a tesoura - pra agradar sua mãe. - pisco pra Christofi e ele me olha preocupado