Um dia normal

1100 Words
Depois que buscamos a Rai, jantamos todos juntos, e eu e ela corremos para o meu quarto, ficamos sentadas na cama conversando horas sobre nada, e tudo ao mesmo tempo, ela era só um ano mais velha que eu, mas era um pouco mais livre, sempre saiu, conhece pessoas, é a tal popular das escolas, já eu, sempre só me misturava com as meninas da minha sala, sair de casa ? Nem pra fazer um trabalho, se eu tivesse algum tinha que fazer sozinha, ou os meus colegas irem na minha casa. Sempre achei bem exagerado as regras que eles impõem pra mim, e acho que isso meio que influenciou pra algumas coisas que eu fiz escondido. Eu sempre tive muita liberdade de falar com a Rai, nós éramos amigas desde o fundamental, e mesmo não sendo da mesma sala, éramos cúmplices, inseparáveis. -Você acha que eu vou ficar bem nessa roupa ? - perguntei pra Rai, enquanto me olhava no espelho arrumando um short jeans, e uma camiseta preta. - Claro que sim, você tem que parar de se subestimar, você é linda, e qualquer menina daria tudo pra ter um corpo igual ao seu. - eu revirei os olhos. - Até parece né ? - ela balançou a cabeça negativamente, e minha mãe entrou no quarto, antes que ela pudesse falar. - Ta na hora de dormir, boa noite. É sobre isso que eu odeio, até regra pra hora de dormir eu tenho que seguir na risca. - Nós já vamos dormir mãe, pode deixar. - ela me olhou com uma expressão séria, e a Rai já estava deitando no lado que ela dormia. - Boa noite tia. - disse com um sorriso. - minha mãe fechou a porta do quarto novamente, e eu me joguei na cama bufando. - Affs que raiva, como você consegue obedecer e ainda sorrir ? - Ai é que tá, se ela achar que você está obedecendo de bom grado, ela não vai te encher o saco, e vai te deixar em paz, agora ela foi dormir, então não precisamos dormir exatamente agora. - eu sorri, mas ali nem imaginava que essa menina ia mudar tudo na minha vida, e não pra uma coisa boa. Ficamos mais algumas horas conversando, eu estava em êxtase, iria em outra daquela festa, e não estava nem acreditando nisso, fiquei a maior parte da noite acordada olhando pro teto enquanto a Rai dormia de boa. - Bom dia, chegou o dia de irmos nos divertir de novo. - ela acordou toda animada, ao contrário de mim, que sentei na cama com o rosto inchado, e doida pra dormir de novo. - Ah não, vai com esse bom humor pra lá, credo como pode acordar feliz assim. Deixei ela no quarto e fui escovar os dentes, quando acabei fui direto pra cozinha, ainda eram 8:45 da manhã, mas pra minha alegria já não tinha mais ninguém em casa, minha mãe, e meu padrasto estavam no trabalho, minha irmã na babá e meu irmão na minha vó, eu amava os dias de sábado, passava a maior parte do dia sozinha. Tomamos café da manhã, e fomos fazer as unhas, nunca tinha passado esmalte vermelho ou preto, minha mãe sempre disse que não tinha idade pra passar aquelas cores fortes, então resolvi dar uma de rebelde, e passei logo o preto, depois de um tempo fui tomar banho, lavei meu cabelo, e fui pra maratona que era secar, levava quase 2h todas as vezes, por isso eu evitada ao máximo secar. E assim passamos o dia nos arrumando, sequei e pranchei o cabelo, quando foi chegando as 19h coloquei o short jeans que a Rai trouxe pra mim, e a camiseta preta, decidi colocar o all star branco, dessa vez eu não iria sentir dores nos pés, a Rai colocou uma rasteirinha, saia jeans e blusa branca, enquanto eu amarrava o tênis, ela penteava os cabelos vermelhos cereja, eu amava aquela cor, mas jamais poderia pintar o cabelo, minha mãe não deixava, eu essa era minha realidade, não podia nada. - Vem, senta aqui que eu vou passar uma maquiagem em você. - a Rai me chamou pra sentar na penteadeira, onde alguns minutos antes, ela estava. - Não precisa exagerar, se não a minha mãe me faz tirar tudo, e é perigoso não deixar eu ir mais. - ela sorriu enquanto pegava um pincel de blush e passava nas minhas bochechas, passou um rímel, e mais nada, me olhei no espelho e estava bem bonito, básico. - Estamos prontas. - saímos do quarto e fomos pra sala onde minha mãe esperava pra nós levar. - Mãe, deixa eu ficar só mais um pouco dessa vez? Aquele dia eu fiquei só por 2h e você já foi me buscar. - ela me olhou de cima embaixo. - Vou pensar, agora vamos. - ela se levantou do sofá, e fomos em direção a saída, entramos no carro, e alguns minutos depois, ela nos deixou na frente da boate. - Obrigada tia. - a Rai desceu primeiro, e eu fiquei alguns segundos pra escutar mais uma vez, todas as regras, não beijar qualquer um, não beber nada do copo de ninguém, não sair de dentro da boate antes dela chegar. - Eu sei mãe, já sei de tudo isso, eu vou fazer 16 anos, e você me trata como se eu tivesse 12. - Eu só quero seu bem, nunca vou querer o m*l pra você. - ela sorriu, eu saí do carro, e parei na porta de frente com ela. - Já sei disso mãe, te amo. - virei as costas pra sair, e ela me chamou de volta. - Hoje eu vou na casa de uns amigos, pode ser que eu demore um pouco pra buscar vocês ta bom ? - ela deu uma erguida no canto da boca, querendo sorrir, mas conseguiu disfarçar, eu sorri, e beijei o rosto dela. - Obrigada, obrigada. - sai em direção a Rai, e contei pra ela que iríamos embora mais tarde dessa vez, ela sorriu, já estava no meio de um grupinho com algumas pessoas que eu nunca tinha visto, assim que parei do lado dela, ela me entregou um copo grande, acho que tinha uns 750ml, eu cheirei, e o cheiro era bom. - Pode beber, é meu. - ela disse e voltou a falar com o menino ao lado dela, eu dei um gole grande no líquido que estava no copo, e na hora desceu queimando minha garganta, e ali eu bebi álcool pela primeira vez na minha vida.
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