A apresentação pareceu durar uma eternidade para ele, um suplício a cada movimento que ela fazia, a cada olhar que recebia, a cada pedaço do corpo dela que era admirado por outros olhos que não os seus. Quando a música finalmente parou e ela saiu de cena sob aplausos ensurdecedores, Victor não esperou mais. Saiu do clube e foi esperá-la na saída dos fundos, onde os artistas costumavam passar. Minutos depois, Luna apareceu. Já havia trocado de roupa, vestia um vestido simples e discreto, o rosto limpo da maquiagem forte, os olhos cansados e tristes. Ela caminhava devagar, com a cabeça baixa, quando ele saiu da sombra. — Luna. Ela parou no mesmo instante, sem se virar. Mas antes que pudesse dar um passo ou dizer uma palavra, Victor foi até ela, rápido, e num movimento único, ele a ergueu

