O sol já começava a se esconder por trás das montanhas que cercavam a cidade, pintando o céu de tons dourados, alaranjados e roxos suaves, quando Victor Kane saiu da sede do Grupo Kane. As luzes dos prédios já começavam a se acender uma a uma, e o movimento nas ruas começava a mudar, deixando de ser a correria frenética do expediente para dar espaço ao ritmo mais lento e leve da noite que se aproximava. Ele segurava contra o peito uma pasta fina de couro escuro, onde estavam guardados os documentos definitivos e as chaves pesadas da nova cobertura em Ipanema,o símbolo da sua rendição, do seu pedido de desculpas e, acima de tudo, da decisão dolorosa mas necessária de devolver a ela o que, segundo ela mesma, ele havia roubado: a sua liberdade, o seu espaço, a sua independência. Caminhou a

