Capítulo 7 - Christiel

1087 Words
— Assim como todas as obras começadas nessa gestão, as docas logo ficaram prontas para o uso da população. Foi uma tragédia horrível e inevitável o que aconteceu há dois meses, mas não ... – m*l tinha chegado a prefeitura quando Elly e Suzana já me empurravam para a sala de entrevistas. Suzana murmurava a todo tempo palavras chaves que eu deveria falar, ou que deveria tomar cuidado, palavras essas que poderiam sem querer gerar um turbilhão de perguntas indesejadas. Elly, por sua vez, ajeitava minha gravata e me ameaçava caso eu esquecesse o texto. Deixei em segredo o fato de que, eu se quer me lembrava dessa entrevista. Ao meu lado, estavam Elly e Jason, o secretário de obras responsável por todo o trabalho que estávamos tendo nas docas. O incidente havia acontecido a pouco menos de dois meses, uma chacina sem tamanho, e um grande barco simplesmente entrou sem controle, derrubando tudo pela frente. A polícia ainda está investigando, e acredita-se que tenha tudo a ver com as mortes que sucederam. O pior, também não sabemos nada quanto a isso. Um vampiro, talvez um clã deles, não faziamos ideia da gravidade da situação. Dei uma pausa no discurso, alguns poucos segundos enquanto bebi água. Ao levantar meu olhar em direção aos repórteres, pude ver o Capitão Alborn recostado contra a parede e Hirin estava ao seu lado. Nada de vestidos. Ela usava uma calça jeans escura, uma regata azul e jaqueta preta de couro. Eu poderia passar o resto da manhã olhando para como ele ficou audaciosa nessas roupas, mas uma tosse atrás de mim fez com que minha atenção voltasse aos repórteres me encarando. Quando voltei a olhar para ela, não pude mais encontrá-la. {•••} — ...Eu não vou voltar um quarteirão inteiro para comprar chá, Wylard! – era a voz de Wesley. Eu tinha terminado a coletiva e dado algumas entrevistas rápidas – ou nem tanto – a alguns amigos de Suzana. Segundo ela, seria bom manter esse relacionamento entre os repórteres, nunca se sabia quando as coisas poderiam piorar. Saí da sala amarrotada de pessoas para encontrar uma Hirin emburrada, Wesley estava com uma das mãos na testa como se a detetive estivesse acabando com o pingo de paciência que ele tinha. — Eu não ligo para quanto você tenha que voltar. Derrubou meu café... embora eu até tenha gostado de ter queimado o Jonathan. Mas isso não cobre o fato de que, você atrapalhou meu desjejum. — a voz dela estava calma, mas tinha uma gota de irritação no final. — Capitão Alborn, Detetive Wylard. Bom dia. — os cumprimentei ao me aproximar o suficiente. Wesley que estava de costas para mim, se virou quase de imediato. A postura firme enquanto parecia me esquadrinhar com o olhar gélido. Não conseguia dizer o que ele queria com aquele gesto, mas algo me dizia que se olhasse dentro da sua mente provavelmente não iria gostar do que veria. — Prefeito. Bom dia. um ótimo discurso lá dentro, parabéns. — elogiou ele, tomando uma posição quade pareada com Hirin que, me encarou com a sobrancelha arqueada desde o momento em que me aproximei. — Bom dia... — respondeu com um sorriso grande, sincero. Lhe dri um igual, o que deixou ela um tanto surpresa. Mas logo se virou para o Wesley e cutucou seu braço. — ... Quero meu chá, e não mude de assunto. Quase. Eu podia ter gargalhado alto naquele momento, quase o fiz, mas me segurei. Wesley ergueu o olhar quase pedindo clemência. Entendia sua posição. — Acho que posso resolver esse problema. — ambos me olharam quando falei. Girei o rosto em direção a minha secretaria e a chamei com um aceno. — Amber, pode por favor servir chá Earl Gray para a detetive Wylard? E café para mim e o Capitão. – ela assentiu e após um rápido olhar aos três, saiu. Voltei para eles e gesticulei em direção a minha sala. — Por favor. Entramos na sala, eles sentaram no sofá ao canto, Wesley perto demais para parecer casual. Mas respirei fundo para afugentar o pensamento de minha mente, poderia facilmente estar criando paranóias. Me sentei em uma poltrona ao lado de onde eles estavam. Amber não demorou a entrar com o que pedi e colocou na mesa de centro, nos deixando sozinhos em seguida. — A que devo a visita de vocês? — Wesley fez menção em falar, mas foi Hirin quem tomou a palavra. Erguendo a xícara de chá aos lábios em movimento lento, ela pareceu apreciar um pouco o sabor. — Wesley acha que tenha algum documento sobre famílias antigas, que podem ser algum clã demoníaco ou de vampiros fazendo uma visita a cidade periodicamente. Eu particularmente já disse a ele que isso é perca de tempo, e se houver algum arquivo provavelmente não foi digitalizado. Mas ele insiste em não confiar em mim e me manter presa dentro de algum cubículo onde possa manter o olho em meus movimentos. Então vai me fazer passar horas olhando papel velho em vez de me levar às cenas dos crimes como disse que faria. – ela explicou, olhando um ponto fixo dentro da xícara e logo erguendo o olhar para mim. Minhas mãos se fecharam em punho quase instantaneamente. Olhei para Wesley à espera de uma resposta. — Não quer acrescentar mais nada ao seu discurso, detetive? Tenho meus motivos para não confiar inteiramente em você. E sei que o prefeito concorda comigo nesta questão. O que estamos enfrentando aqui é um problema sério, não uma brincadeira. – concordava e não concordava. Eu confio nela, mas em certa parte entendo a desconfiança de Wesley quanto a alguém enviado de outra cidade para nos auxiliar. Mesmo assim, me incomodava toda essa pressão sobre ela. — Que seja. — falou simplesmente e continuou a beber seu chá como se o Capitão não tivesse acabado de colocá-la em listas de possíveis suspeitos. Wesley a encarou com raiva pelo desdém. — ... Eu estou aqui para ajudar a polícia no que for necessário para achar os assassinos. — — Então, Prefeito. Me mostre onde estão os arquivos. A senhorita Wylard precisa começar essas buscas agora mesmo. — ela não pareceu se importar, e eu não queria me intrometer em seu trabalho, principalmente quando as coisas já estão tão feias ao nosso redor. E se a conhecesse bem... Hirin me odiaria por isso. Precisava escolher bem as brigas que compraria por ela, e essa não era uma delas.
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