Inverno de 1879
Aos sete anos, Charlotte Bennet não aguentava mais mudar de casa e cidade. Como única herdeira de um rico empresário que falecera a três anos, a garota passava de casa em casa. Vários familiares acabavam se oferecendo como tutor graças a grande quantia que a garota um dia herdaria, mas nenhum deles durava muito tempo.
Aos quatro, havia sido enviada para tios mais próximos, porém, eram velhos de mais e acabaram falecendo, deixando-a sozinha apenas um ano depois.
Aos cinco fora mandada para o segundo casal de tios mais próximos, todavia, haviam sofrido um grave acidente de carruagem - assim como seus pais -, Charlotte via-se sozinha mais uma vez.
Aos seis, fora entregue aos cuidados de uma irmã maldosa e severa de seu pai, mas uma séria doança a atingiu. Charlotte não achou nada m*l ir embora dessa vez.
A garotinha já não via mais esperanças de uma vida pacifica e tranquila. m*l lembrava-se do rosto dos pais e não conhecia nada sequer parecido com o amor fraternal. Os Bennet haviam sofrido um acidente fatal de carruagem, a mãe e o pai de Charlotte haviam morrido na hora com o impacto da batida, enquanto ela, uma pequena garotinha de cabelos negros e encantadores olhos de safira fora encontrada em meio aos escombros.
Aos sete, fora levada a uma ilha deserta. Olhando para o lado esquerdo só havia água e se desviasse os olhos para a direita o mesmo podia ser visto.
- Seja bem vinda, querida. - A voz da tia Mary era doce e aveludada.
- Esse é o seu novo lar. Esperamos que se sinta confortável. - Concluiu o sr. Cleves em um tom amigável.
Charlotte abriu um sorriso fraco para os tios, parecia enfim ter encontrado boas pessoas e por sorte, não eram velhos demais o que para ela significava que viveriam muito.
- Obrigada. - Murmurou em resposta antes de agarrar o ursinho que sempre carregava e subir as escadas. A pequena pelúcia fora um presente de sua mãe e Charlotte sempre carregava o pequeno porquinho para onde ia.
Uma jovem mulher de sorriso encantador a guiou até um pequeno quartinho muito confortável e bem decorado, nada parecido com o que já havia tido na casa de seus tutores temporários. O ambiente tinha cores em rosa e lilás e era exatamente o que uma garotinha de sua idade podia desejar. No canto direito tinha alguns brinquedos organizados em fileira, era muito mais do que já havia tido em toda sua vida após os quatro anos de idade.
Charlotte apontou o indicador.
- Eu posso brincar? .- Perguntou com a voz muito baixa.
A jovem que mais tarde titularia-se como Ana abaixou-se na altura de Charlotte. Ela segurou os delicados ombros da menina e acariciou. Conhecera um pouco de sua história e tudo o que havia passado, lamentava profundamente que uma garotinha tão pequena tivesse sido exposta a tantas coisas ruins de uma só vez.
- Claro querida, tudo isso é seu. Seus tios organizaram tudo com muito carinho e amor, esperamos que goste. E eu espero sinceramente que possamos ser grandes amigas, saiba que tudo o que precisar deve se dirigir diretamente a mim, eu serei ... - Ana fez uma pausa e abriu um sorriso largo. - Serei sua fada madrinha.
Antes de sair saltitante em direção aos brinquedos Charlotte murmurou um baixo '' obrigada ''.
O primeiro dia na casa dos Guzman estava sendo um sonho para a pequena, nenhum lar que frequentara antes podia ser comparado aquele.
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- É uma menina muito encantadora. - Disse Ana para a sua patroa depois de coloca-la na cama. - Ficarei muito feliz em cuidar dela e ajuda-la a se encaixar aqui em Island Sorna.
- Por favor Ana, encarregue-se que Charlotte faça amigos e interaja com crianças de sua idade. Traga seus filhos para brincar com ela na semana que vem. Estou certa de que lhe fará muito bem. Judith e Tom são crianças encantadoras. - Mary que alguns anos sofria de uma séria doença no coração tossiu algumas vezes. Ela fazia isso todas as vezes que a dor intensificava, simplesmente para esconder a careta.
- Claro sra. será um prazer, eles com certeza irão amar. Há tão pouca criança aqui em Sorna. E com certeza será muito bom para Charlotte.
- Obrigada querida, pode ir descansar. Dê um beijo nas crianças por mim, sim?
- Claro. Até amanhã sra. Guzman. - Falou antes de fechar a porta atrás de si.
Ana era uma moradora antiga de Sorna, crescera e fora criada na ilha. Ela havia se casado com o açogueiro local, Brian fora um marido excepcional e um ótimo pai, mas falecera de gripe no ano passado deixando a jovem e bela esposa sozinha com duas crianças pequenas para criar. Judith de sete e Tom de nove. Ana virava-se em mil para sustentar os filhos e ainda lhes dedicar um pouco de atenção.
Quando a serva saiu, Cleves entrou na sala. A esposa estava sentada na beirada do sofá enquanto bordava alguns desenhos, algo como flores.
- Ai está você, sente-se ... - Falou animada e quando o marido a obedeceu, continuou : - Cleves, deve me prometer sempre proteger essa garota, como se fosse sua vida. Ela não pode nunca ficar desamparada, nem mesmo se eu não estiver mais aqui. Sei que não há laços sanguíneos entre vocês, mas prometa, por mim.
O marido a olhou atencioso, odiava quando a esposa falava como se estivesse morrendo. Ainda era jovem demais e mesmo diante de seus problemas de saúde, ainda era cedo para partir.
- Não se preocupe com isso. - Respondeu fazendo um carinho leve em suas mãos.
- Oras, preciso que me prometa. Não sabemos quando será nosso último dia aqui na terra. A garotinha já passou por coisas demais Cleves, já basta. É hora de enfim ser criança.
Ele assentiu beijando o topo da cabeça de sua esposa.
- Tem a minha palavra, querida. Cuidarei da pequena Charlotte como se fosse nossa filha, mas farei isso com a sua ajuda.