Gêmeos da Máfia
Capítulo 2 – O Veneno e o Fogo
Matteo narrando
Meia-noite.
A Piazza San Marco respira silêncio e perigo.
As luzes douradas refletem nos vitrais das igrejas antigas, o som distante de passos ecoa nas pedras molhadas pela garoa. Eu caminho sozinho, mãos nos bolsos do sobretudo preto, a mente fervendo de expectativa.
Lorenzo me disse mil vezes que era loucura. Que eu estava brincando com a morte.
Mas o que ele não entende é que eu gosto da morte.
Ela me lembra que estou vivo.
E Lorena Mancini? Ela não é só morte.
Ela é tentação. É pecado. É a d***a que sei que vai me destruir, mas mesmo assim quero provar.
Vejo-a de longe.
Vestido vermelho colado ao corpo, casaco jogado nos ombros, cabelos loiros brilhando sob a lua.
Uma visão que faria qualquer homem ajoelhar.
Mas eu não ajoelho. Nunca.
Eu domino.
— Você veio. — ela diz, a voz baixa, carregada de veneno e charme.
— Não costumo recusar convites perigosos. — sorrio, inclinando a cabeça.
Ela dá um passo à frente, os saltos ecoando na pedra. O perfume dela é doce, inebriante, mas por trás tem algo metálico. Como sangue fresco.
— Você é um i****a, Matteo Donatello. — seus olhos verdes me atravessam. — Sabia que a sua família destruiu a minha? Que foi o seu avô quem ordenou o m******e em Milão, vinte anos atrás?
— Eu era uma criança. — respondo, firme, mas sem perder o sorriso. — Não pedi para nascer Donatello.
— Mas carrega o nome. Carrega o sangue. — ela se aproxima mais. — E o sangue Donatello está manchado com o sofrimento dos Mancini.
Ela para tão perto que sinto o calor do corpo dela. O veneno nos olhos. A promessa de ódio.
Mas eu só vejo beleza.
E perigo.
E isso me excita.
— Talvez. — murmuro. — Mas também carrego algo que você parece gostar.
Ela arqueia a sobrancelha.
— E o que seria?
— O poder de te deixar sem ar. — digo, encostando os dedos no queixo dela, erguendo levemente o rosto.
Ela sorri. Um sorriso frio, mas que me desafia.
— Você acha que pode me seduzir, Matteo? Acha que sou apenas mais uma das suas conquistas fáceis?
— Eu não acho. — respondo, voz baixa, quase no ouvido dela. — Eu tenho certeza.
Ela respira fundo, os olhos faiscando. Por um instante, vejo o dilema nela. Ódio e desejo se misturam.
E é nesse instante que eu sei: venci.
Seus lábios quase tocam os meus, quando uma voz interrompe.
— Matteo! — Lorenzo surge da escuridão, tenso, respiração acelerada. — Sai daí agora!
Reviro os olhos, irritado.
— Sempre a vela, irmão. — digo, sem me afastar de Lorena.
Ele se aproxima, os olhos fixos nela como se pudesse matá-la só no olhar.
— Essa mulher é uma armadilha. Você não percebe? Ela só quer te destruir.
Lorena ri, um som agudo que ecoa pela praça.
— Engraçado… o irmão protetor. Sempre foi assim, Lorenzo? Salvando o Matteo das próprias escolhas?
— Sempre. — Lorenzo responde, firme. — E vou continuar sendo, porque não vou deixar você arrastar ele para o fundo junto com você.
Ela o encara, séria agora.
— Você fala como se não fosse tarde demais.
Eu sorrio, jogando o braço sobre os ombros dela.
— Relaxa, Lorenzo. Eu sei me cuidar.
— Não, você não sabe. — ele me segura pelo braço, firme. — Vamos embora.
Lorena inclina a cabeça, olhos cravados em mim.
— Vai obedecer ao seu irmãozinho, Matteo? Ou vai provar que é um homem de verdade?
Meu coração dispara. O sangue ferve. Ela sabe jogar.
E eu gosto do jogo.
— Eu não obedeço ninguém. — digo, tirando a mão de Lorenzo do meu braço. — Nem mesmo você, irmão.
O olhar de Lorenzo é de puro desespero.
Ele sabe.
Eu já escolhi.
Lorena sorri vitoriosa.
— Então venha, Matteo. Vamos descobrir até onde vai sua coragem.
Ela se afasta, o salto ecoando na noite, deixando apenas o rastro do perfume.
Eu a sigo, sem pensar.
Atrás de mim, Lorenzo murmura algo que não sei se é aviso ou ameaça.
— Você acabou de abrir as portas do inferno.
E talvez ele esteja certo.
Mas, naquele momento, eu não me importo.
Porque o inferno tem olhos verdes e um vestido vermelho.
E eu quero que ela queime comigo.