Pov's Mary Jane.
Subimos na carroça, eu e Anna estávamos tão sem rumo, não sabíamos nem onde era a delegacia dessa cidadezinha.
Nunca havíamos saído de casa desacompanhadas, e agora estávamos tendo que nos virar.
Mary Jane: Eu tô tremendo.
Anna: Você quer que eu guie?
Mary Jane: Não, você não está em condição irmã — neguei, tentando controlar o cavalo que estava afoito.
Saíamos procurando pela pracinha que havia. Fizemos um giro, até que avistamos a pequena delegacia.
Só tinha uma viatura estacionada, o lugar era muito precário. Sai puxando Anna pelo braço.
Cutuquei o policial, que estava de costas.
Mary Jane: Viemos ver o nosso marido.
Policial: Só tem um preso aqui, senhorita.
O homem m*l-encarado respondeu, sem paciência.
Mary Jane: É ele.
Confirmei na inocência, e o policial debochou:
Policial: Bigamia é crime.
Mary Jane: Na verdade, ele é o marido da minha irmã. — corrigi, olhando pro lado tensa.
Policial: E a senhorita é a amante?
Fiquei tão constrangida pelo comentário, que abaixei a cabeça envergonhada.
Anna: Mary Jane é a esposa dele, e eu sou só a cunhada.
Policial: Vocês estão bagunçando a minha cabeça.
Mary Jane: Por favor moço, solta ele.— supliquei. – Foi um m*l-entendido.
Policial: Terão que falar com o xerife. No momento o xerife tá em ocorrência, vão ter que esperar.
O homem de uniforme deu de ombros e saiu da delegacia, para comer refeição dentro do carro da polícia.
Eu e Anna ficamos sentadas nas cadeiras, de mãos dadas.
Mary Jane: Vamos orar a Deus.— sugeri.— Vamos pedi pra isso acabar logo.
Anna: Vamos.
Nos duas fechamos os olhos e começamos a clamar. E assim que encerramos a oração, a olhei com pena:
Mary Jane: Você vai ter que contar que os nossos pais te bateram.
Anna: Eu não vou falar nada.
Ela se recusou, balançando a cabeça, traumatizada.
Mary Jane: Anna, ele vai permanecer preso, se você não desmentir nada.
Anna: Mas e o papai e a mamãe?— havia um temor em seus olhos— Eles podem se prejudicar.
Depois daquilo ficamos em silêncio.
Ficamos horas esperando o xerife chegar. Até que homem barbudo, com peso acima, chegou.
Xerife: Meu plantão acabou, tô indo nessa pessoal.— ele avisou pro restante dos policiais.
Minha irmã e eu nos levantamos.
Mary Jane: Doutor, espere, minha irmã tem algo a falar.
Xerife: Vou pedir pro escrivão para pegar o depoimento, amanhã eu dou uma olhada.
Ele m*l nos encarou, éramos tratadas como um nada. Mas a minha irmã tomou uma iniciativa:
Anna: E o meu esposo vai passar a noite aqui? Por favor, não faça isso.
Os olhos dela lacrimejaram, fazendo o outro ceder.
Xerife: Mulher gosta mesmo de sofrer, venha, eu vou abrir uma exceção e pegar o seu depoimento. Não fale muito, porque eu tenho hora para chegar em casa.
Fui impedida de entrar junto com ela, na salinha.
Mary Jane: Conte toda a verdade, Anna, não esconda nada.— a incentivei, antes da porta ser fechada.— A liberdade dele, depende de você.
(....)
Pov's Anna.
Estava tão tímida, nunca havia ficado sozinha na frente de uma autoridade policial.
Se Mary Jane tivesse pelo menos do meu lado, eu teria mais segurança.
Xerife: Seu marido lhe agrediu?
Neguei com a cabeça.
Xerife: O que significam esses hematomas? — os olhos escuros do indivíduo me encararam seriamente.
Anna: Eu cai.— menti.
Xerife: Tem certeza? Porque não parece ser uma queda.
Escondi os meus braços, abaixando a cabeça, quando fui analisada.
Anna: Levei a queda do cavalo, eu quase perdi o meu bebê. Mas está tudo bem agora, moço. O caipira não fez nada comigo, eu juro por Deus, ele gosta muito de mim. — minha voz se emocionou ao menciona-lo.— Eu também gosto dele.
Comecei a chorar.
Xerife: Tá bom, não chore.— o homem se comoveu.— Vou soltar o vagabundo. Mas se você aparecer novamente marcada, vou prendê-lo e mandá-lo direto pro presídio.
A autoridade policial se levantou da sua cadeira e gritou para um dos policiais ir buscá-lo na cela.
Anna: Deu certo, Mary Jane!
Abracei a minha irmã, assim que sai da sala.
Mary jane: Graça a Deus, Anna!— sorrimos.
Fiquei esperando o caipira sair, eu não tirava os olhos do final do corredor. Me encontrava ansiosa para vê-lo.
De repente ele apareceu, seus braços se abriram. Momentaneamente os seus olhos guiaram atenção à minha irmã.
Os dois se olharam e me senti sobrando, ao perceber o clima que havia.
Ela foi até ele, o abraçando fortemente.

Senti ciúmes ao vê-los juntos, uma lágrima desceu pela minha bochecha.
Enxuguei rapidamente, pois eu não era digna de ser amada por alguém como ele. Ele merecia alguém como a Mary Jane.