Faz dias. Dias que Helena desapareceu como se nunca tivesse existido. Sem aviso. Sem rastros. Fui até o prédio dela ontem à noite. Subi aqueles mesmos degraus que conheço de olhos fechados. Toquei a campainha. Esperei. Nada. A síndica disse que não a vê desde o início da semana. O porteiro evitou meu olhar , medo ou mentira, ainda não sei. Eu entro no apartamento, tenho a senha . O apartamento estava vazio. Não vazio de móveis. Vazio de presença. Helena nunca sairia sem levar certas coisas. Os documentos . Estavam todos lá. Isso não é fuga. É algo pior. Clara está preocupada. Ela tenta não demonstrar, mas eu a conheço suficiente . As mãos dela tremem quando fala o nome de Helena. — Isso não está certo, Eduardo. Não. Não está. E o problema é que meu tempo está chegando a

