Quando Helena entra no restaurante, meu corpo reage antes mesmo de a porta se abrir. É físico. Instintivo. Como se algo antigo e profundo reconhecesse a presença dela antes da minha mente conseguir acompanhar. O fio entre nós se estica, vibra, tensiona , quase dói. Sei, sem precisar olhar para Alice, que ela sentiu também. O ar muda. Meu maxilar se contrai involuntariamente. Não é ciúme comum, não é posse. É alerta. É aquele tipo de sensação que antecede acontecimentos que não podem ser desfeitos. Alice se mantém imóvel à minha frente, mas o olhar dela se afina, atento. Ela também percebeu o deslocamento sutil no tabuleiro. Helena não entra em um lugar sem alterar o campo ao redor , mesmo sem saber disso. — Ela veio ... Eu digo baixo, mais para mim do que para Alice. Não preciso des

