Yasmin
O almoço, admito, foi melhor do que eu esperava. Fazia anos que eu não comia um bom churrasco brasileiro, e enquanto a carne derretia na minha boca, lembrei-me de como sempre adorei churrasco quando era mais nova. Foi um pouco nostálgico, como um sabor de algo familiar em meio ao desconhecido. Olivia falava sem parar, enchendo o silêncio com histórias sobre sua vida gloriosa, mas pelo menos a comida compensava.
Depois do almoço, seguimos para a casa dela. Ou melhor, para a mansão. O lugar ficava em um condomínio de luxo, e a entrada sozinha já parecia um convite para algum reality show de milionários. Quando o portão abriu, quase achei que fosse um hotel de cinco estrelas.
A casa era... incrível. Não tinha outra palavra para descrever. Os detalhes exagerados, os acabamentos brilhantes, a arquitetura imponente, tudo gritava “luxo” de um jeito quase ofensivo. Não sabia se me impressionava ou se revirava os olhos.
Olivia estava animada, claro. Assim que estacionamos, ela me puxou para dentro, conduzindo-me como uma guia de turismo orgulhosa.
— E esse é o seu quarto! — anunciou, abrindo uma porta com um gesto grandioso.
O quarto era grande, impecável, com móveis que pareciam saídos de uma revista de design. Uma cama enorme, janelas de vidro do chão ao teto, e até um closet.
— É legal — respondi, dando de ombros.
O sorriso de Olivia vacilou por um segundo, como se eu tivesse acabado de jogar um balde de água fria no entusiasmo dela.
— Certo. Vou deixar você se acomodar — disse, tentando parecer indiferente, mas claramente decepcionada.
Assim que ela saiu, deixei minha mochila cair no chão e me joguei na cama. O colchão era absurdamente macio, quase me engolindo. Peguei o celular e liguei para Ariana e Suzana.
— Cheguei — anunciei quando Ariana atendeu, com Suzana ouvindo ao fundo.
— E aí, como está? — Suzana perguntou, curiosa.
— Bem. O lugar é legal, mas a companhia... nem tanto.
As duas riram.
— Já esperávamos isso — Ariana comentou. — Mas dá uma chance, Yasmin.
Revirei os olhos, mesmo sabendo que elas não podiam ver.
— Claro, vou tentar — menti, mudando de assunto logo depois.
Conversamos por mais alguns minutos antes de desligar. Permaneci deitada por um tempo, olhando para o teto. Era uma sensação estranha estar de volta ao Brasil, principalmente nessas circunstâncias. O lugar era deslumbrante, mas não conseguia me sentir à vontade. Por enquanto, só restava esperar para ver como as coisas se desenrolariam.
***
Yasmin
Acordei com a minha própria baba escorrendo pela cara. Que glamour. Devia ter apagado assim que caí na cama, porque nem percebi o sono chegando. Dei um salto ao ouvir batidas insistentes na porta e tentei limpar o rosto rapidamente, na esperança de não parecer tão desleixada.
— Já vai! — gritei, tentando soar menos irritada do que estava.
Abri a porta, e lá estava Olivia, impecável como sempre. Ela me olhou com aquele ar de superioridade que parecia natural nela, inclinando a cabeça levemente.
— Estava dormindo? — perguntou, com um tom de falsa casualidade.
— Não — respondi rápido demais.
— Hum... entendi — murmurou, claramente não acreditando.
— O que foi? — perguntei, cansada do interrogatório antes mesmo dele começar.
— O jantar ficará pronto em quinze minutos. Quero que você se arrume e desça. Tenho algo importante para contar.
Revirei os olhos assim que ela se virou, mas esperei até que ela estivesse fora do meu campo de visão para fechar a porta. Essa história de “se arrumar para jantar” era a coisa mais ridícula que eu já tinha ouvido. Quem faz isso em casa?
Tomei um banho rápido e enfiei um vestido qualquer, algo simples, mas que fosse “aceitável” para Olivia. Desci as escadas e encontrei a mesa impecavelmente arrumada, com pratos que pareciam saídos de um catálogo de revista. Olivia já estava sentada, com o mesmo sorriso ensaiado de sempre.
— Finalmente juntas, não é? — ela começou, enquanto eu sentava. — Estou tão feliz que você esteja aqui, Yasmin.
Forcei um sorriso, tentando não revirar os olhos. Em pensamento, já me convencia de que isso era só um teatro. Ela nunca quis que eu estivesse por perto antes, então por que agora seria diferente?
Comemos em silêncio por alguns minutos, até que ela deixou o garfo de lado, olhando para mim com seriedade.
— Preciso contar algo muito importante.
Levantei uma sobrancelha, mordendo o lábio para segurar algum comentário sarcástico.
— Sou todo ouvidos — respondi, fingindo interesse.
— Eu conheci um homem maravilhoso.
Olhei para ela, tentando manter a expressão neutra. Não esperava por essa.
— Nós vamos nos casar em breve — continuou. — Estou te dizendo agora porque logo você irá conviver com ele. Quero que você se acostume rápido, já que todos vamos morar aqui.
Dei um sorriso forçado, acenando com a cabeça como se estivesse animada. Por dentro, meu cérebro já estava em modo de análise crítica.
Nossa, qual será o velho que ela arrumou dessa vez?