Narrado por Isadora
Acordei suando frio.
Dessa vez não era um sonho... era uma visão. Sentia isso nos ossos.
Estava em um campo escuro, sob a luz da lua cheia. Havia sangue. Havia uivos. E meus pés descalços corriam sobre a terra... não como uma fugitiva, mas como uma caçadora.
Mas o mais estranho?
Eu sentia o cheiro do medo.
Como um animal.
Desci as escadas do chalé em silêncio. O ar estava denso, carregado. A floresta parecia me chamar. Cada galho sussurrava algo que eu não entendia.
E então, vi algo.
Refletido no espelho da sala.
Meus olhos.
Estavam dourados.
Não castanhos. Não com reflexos. Dourados. Intensos. Lupinos.
Trinquei os dentes, sentindo uma dor subir pelas costas. Algo dentro de mim se contorcia. Como se... algo estivesse tentando sair.
Cael surgiu na porta segundos depois. Sem camisa, os olhos brilhando como prata líquida.
— Você sentiu — ele disse, como uma certeza. — Está começando.
— O que está acontecendo comigo, Cael?
Ele se aproximou e segurou meu rosto com ambas as mãos, com firmeza e carinho ao mesmo tempo.
— Você é mais do que pensa ser. Mais do que te contaram.
— Eu não sou uma de vocês — afirmei, tentando manter o controle.
— Não completamente — ele respondeu. — Mas também... não é só humana.
Cael me abraçou forte. O calor do corpo dele me envolveu, e o mundo inteiro pareceu se calar.
Mas antes que eu pudesse fazer mais perguntas, um arrepio percorreu minha pele.
Algo — ou alguém — nos observava da escuridão da floresta.
E aquele cheiro...
Não era da alcateia.