Carmen González
Acordei cedo, como já é meu costume. Dormi como uma pedra, exausta por tudo o que aconteceu. A suíte onde Matteo me instalou era um luxo e com muito conforto.
A cama king size parecia um oceano de maciez, com lençóis de algodão de fios egípcios que acariciavam minha pele. Após um banho quente e meus rituais de hidratação, apaguei.
Ao menos foi um sono restaurador; acordei sentindo-me nova, embora minha mente ainda tentasse processar o turbilhão de eventos ao meu redor. O corpo estava descansado, mas a alma permanecia em alerta.
Preparei o café da manhã dele com esmero e levei ao quarto junto com a medicação. Matteo despertou assim que cruzei o batente da porta. Minha presença parecia ser um gatilho imediato para os seus sentidos.
— Bom dia! Que bom que acordou. Aqui está o café e os remédios — saudei, tentando manter a voz firme enquanto entregava os comprimidos.
Ele ainda tinha o rosto sonolento e relaxado, o que o tornava perigosamente atraente. Seus olhos me mapeavam com uma intensidade que fazia meu estômago dar voltas.
Logo percebi o volume evidente sob o lençol. A ereção matinal dele era um lembrete vívido da nossa química. Senti meu rosto queimar ao lembrar daquele p*u perfeito em minhas mãos.
— Preciso ir ao banheiro — ele anunciou, entregando-me o copo de suco quase vazio. Sua voz estava rouca, vibrando num tom que me causava arrepios.
— Quer ajuda? — Tentei soar profissional e indiferente, posicionando-me para apoiá-lo, apesar do meu coração martelar contra as costelas.
— Hoje a mão dói menos. Vou tentar ir sozinho — ele respondeu. Percebi que ele evitava meu toque, e agradeci mentalmente por isso. Era tentação demais para um amanhecer só.
— Tudo bem, mas deixe a porta aberta caso precise de algo — exigi, retomando meu papel de médica vigilante para disfarçar a tensão que flutuava no ar.
Enquanto ele se higienizava, organizei a cama para o café. Eu pretendia trocar seus curativos logo após a refeição, mantendo o protocolo rigoroso que sua recuperação exigia.
Foi quando a campainha tocou, cortando o silêncio da cobertura. Imaginei ser a diarista e fui atender, mas o que encontrei do outro lado me deixou sem fôlego.
— Pois não, em que posso ajudar? — perguntei, deparando-me com uma mulher que parecia ter saído diretamente de uma passarela de Milão.
Ela era elegantíssima, com um corpo cirurgicamente esculpido e feições que exalavam arrogância. Seus olhos me percorreram como se eu fosse um inseto indesejado em sua vitrine de luxo.
— Onde está o Matteo? — ela questionou, o olhar reprovador caindo sobre meu rosto sem maquiagem e minhas roupas simples. Ela claramente detestou o que viu.
— O Matteo está...
— O que você faz a essa hora na casa do meu homem? — ela me interrompeu, invadindo o apartamento com uma petulância que quase me derrubou.
Fechei a porta, sentindo o impacto daquela invasão. Ela parou no meio da sala, jogando uma bolsa de grife caríssima no sofá como se fosse a dona do lugar.
— Quem é você? — ela disparou. O sotaque italiano era carregado, e ela trazia consigo uma mala de viagem, indicando que pretendia se instalar.
— Não posso nem dizer que é uma das putas que ele traz aqui, porque o Matteo jamais dormiria com uma mulher como você — destilou, medindo-me de cima a baixo com nojo.
Meu sangue ferveu instantaneamente. O dia que prometia trégua acabava de se transformar em um campo de batalha. Primeiro minha família, agora essa perua de grife me ofendendo.
Eu não ia permitir que aquela mulher me pisasse sem dar o troco. No momento em que eu ia abrir a boca, Matteo surgiu no corredor, caminhando lentamente em direção à sala.
Ele vestia apenas uma calça de moletom cinza, que pendia baixa em seus quadris. Sem camisa, o peito definido e os ombros largos eram uma visão de tirar o fôlego.
Mesmo com a cicatriz da cirurgia e os cabelos desgrenhados, ele exalava uma aura de "macho safado" que faria qualquer mulher molhar a calcinha.
— Elena! O que faz aqui? — ele perguntou, paralisado. O choque em sua voz era evidente; ele claramente não esperava aquela visita.
— Matteo, meu amor! — ela exclamou com uma voz melosa, correndo para envolvê-lo em um abraço possessivo. Ele ficou estático, como se tivesse virado pedra.
— O que aconteceu, querido? — Ela o beijava no rosto e depositava selinhos rápidos em seus lábios. — Onde você se feriu? Deixa eu cuidar de você.
Assistir àquela cena me deu náuseas. Senti-me uma i****a por ter caído no jogo desse homem. Fui usada em minhas vulnerabilidades e agora seria descartada como figurante.
Aquele papo que não tinha ninguém para comandar essa cobertura e atender as necessidades masculinas dele, era pura conversa fiada para enganar a trouxa carente aqui. Que ódio!
— Bem, senhor Matteo. O seu café está servido no quarto — assumi minha postura mais gélida e profissional. Não daria a eles o prazer de ver meu desmoronamento interno.
— Carmen... — ele tentou falar, tentando se desvencilhar da "pulga" italiana que se agarrava ao seu braço.
— O senhor pode ficar à vontade com a sua namorada — cortei, vendo-o franzir o cenho, confuso. — A auxiliar de enfermagem deve chegar em breve junto com a diarista que irá preparar o almoço. Não preciso falar pois o senhor já conhece a rotina da sua casa.
— Não preciso de nenhum auxiliar aqui! — ele retrucou, o tom de voz subindo. Vi raiva e uma ponta de decepção em seus olhos, mas meu ódio era maior.
— O senhor tem sua visita para fazer companhia e a Maria fará a troca dos seus curativos — respondi, dando as costas e me dirigindo ao corredor dos quartos.
— Onde você pensa que vai? — A voz dele estancou meus passos. De repente, o tom suave desapareceu, dando lugar ao homem de negócios implacável.
Sua postura mudou; ele se impôs no ambiente, tentando retomar o controle da situação. Mesmo seminu, o comando que ele exercia era absoluto e aterrador.