LAVÍNIA Assim que entrei no quarto do hospital, senti um frio na barriga. Algo estava diferente. Pior. Meu pai estava deitado na cama, mas agora parecia ainda mais distante, mais frágil. Seu rosto estava inclinado para o lado, os olhos fixos em um ponto qualquer da parede, sem expressão. Avancei devagar, tentando entender o que estava acontecendo. — Pai…? Ele piscou. Só isso. Nenhuma palavra, nenhum sinal de que tinha me ouvido de verdade. Apertei os lábios e dei mais alguns passos, parando ao lado da cama. — Você tá me ouvindo? Nada. Meu coração apertou. Um tremor percorreu meu corpo, e eu olhei ao redor, como se procurasse uma explicação. Foi quando percebi. A outra metade do corpo dele estava ainda mais imóvel do que antes. Meu peito afundou. Levei uma das mãos à boca, sent

