LAVÍNIA
Subi pro meu quarto ainda pensando no que a Paty disse. Fiquei olhando pro teto, as palavras dela ecoando na minha cabeça: "Tá na cara que ele gosta mais do que devia, menina."
Ri sozinha. Não fazia sentido. Tavão? Gosta de mim? De que jeito? Ele é só o ogro chato que quer mandar na minha vida. Mas, ao mesmo tempo, por que ele se importava tanto? Ele nunca ligou pras meninas do morro, nunca trouxe namorada pra casa.
Será que era porque... não, impossível, eu sei que ele transa com a Tokyo já tem uns meses e outro dia quando fui fazer um Pix pra mim vi no celular dele, a Duda mandando mensagens:
"Ontem foi maravilhoso, vem hoje?" — Ela dizia em uma das mensagens. Bom, acho que se ele fosse afim de mim ele não ficaria com outras, dei de ombros.
Mas e se fosse?
A ideia começou a crescer na minha cabeça. Quanto mais eu pensava, mais fazia sentido. Ele ficava todo vermelho quando me via com o Filipe. E aquele olhar que ele me dava quando eu vestia algo mais curto...
— Ah, quer saber? — murmurei pra mim mesma, sentando na cama. — Vou descobrir.
Nos dias seguintes, decidi testar Tavão.
No café da manhã, ele tava sentado na mesa, sem camiseta, só com calça moletom, tomando café preto. Eu cheguei toda animada, com um short curto e uma blusinha apertada, que deixava meus s***s maiores mesmo sem estar de sutiã, só pra ver a reação dele.
— Bom dia, Tavão. — Falei, me inclinando levemente sobre a mesa pra pegar o pão, sabendo muito bem o que tava fazendo.
Ele quase engasgou com o café.
— Tá calor, hein? — Ele disse, olhando pra qualquer lugar, menos pra mim.
— Pois é, né? — Sorri, pegando o copo de suco como se nada tivesse acontecendo.
À noite, quando ele voltou do trabalho, tirei sarro de novo.
— Trabalhou muito hoje, ogro? Deve tá exausto. Quer que eu faça uma massagem? — Perguntei, tentando não rir.
Ele ficou vermelho na hora, desviando o olhar.
— Para de brincadeira, Lavínia.
Eu ri alto. Tava adorando aquilo. Quanto mais eu provocava, mais ele ficava desconcertado. E cada vez mais eu tinha certeza: o Tavão gostava de mim. Não como irmão.
Na quinta a noite, a situação saiu do controle. Ele chegou em casa tarde, cansado como sempre. Eu tava na sala, usando um vestido bem colado e super curto, mostrava mais do que devia, e até meu pai já tinha mandado eu jogar fora, mas coloquei só pra ver até onde ele aguentava.
— Oi, Tavão. — Disse, me levantando devagar. — Tá precisando de alguma coisa, maninho?
Ele ficou parado na porta, me olhando como se não soubesse o que dizer. Depois, passou a mão pelo cabelo, claramente desconfortável. Ele avançou rápido pra perto de mim, e me segurou pelos braços.
— Preciso que você pare com isso, Lavínia. — Ele falou, a voz firme, mas as bochechas vermelhas como pimenta, a respiração tão próxima de mim que eu estremeci e ele notou.
— Com o quê? — Perguntei, fingindo inocência.
— Com essas provocações. — Ele deu um passo pra trás, mas não me soltou os olhos me encarando de um jeito diferente. — Cê acha que eu sou de ferro, Lavínia? — Ele passou o polegar no meu lábio de um jeito tão sexy, que minhas pernas ficaram bambas.
Meu coração deu um salto descompassado. Era isso. Eu tinha minha resposta.
— E se eu não quiser parar? — Sussurrei, desafiando.
Ele me olhou por mais alguns segundos, encostou a testa na minha e roçou o nariz no meu, mas então ele balançou a cabeça, me soltou e saiu da sala, subindo pro quarto sem dizer mais nada.
Eu fiquei parada ali, surpresa, mas com um sorriso no rosto. Finalmente tinha certeza. Gustavo gostava de mim. E agora, eu só precisava decidir o que ia fazer com isso.
Acordei tarde na sexta, o sol já alto. O calor tava de matar, e o bendito ar-condicionado tinha pifado no dia anterior. Meu pai mandou eu dormi com a porta aberta, disse que mandaria um rapaz vir arrumar, e eu achando que ia melhorar alguma coisa estar com a porta aberta, mas nem o vento deu as caras.
Deitada de calcinha e sutiã, o calor ainda fazia meu corpo suar, e eu só pensava no banho gelado que ia tomar. Passei a mão no rosto, espreguicei devagar, e foi só então que percebi um par de olhos azuis me encarando da porta.
— TAVÃO?! — Sentei na cama em um pulo, puxando o lençol pra cobrir meu corpo. — Que que cê tá fazendo aí?
Ele ficou parado, parecendo uma estátua, e o rosto dele tava vermelho, mas não dizia nada.
— Eu... eu só... — Ele coçou a nuca, desviando o olhar. — A porta tava aberta e... e eu ia te chamar pra tomar café.
Meu coração batia tão forte que parecia que ele podia ouvir. Não sei se era de vergonha ou de algo mais.
— Tá bom, mas dá pra sair agora? — Tentei soar irritada, mas minha voz saiu meio falha.
Ele fez que sim com a cabeça, ainda sem olhar pra mim, e deu meia-volta, quase tropeçando no tapete do corredor enquanto saía.
Fiquei uns segundos sentada, segurando o lençol e respirando fundo. Depois, não me aguentei e comecei a rir baixinho. O jeito desajeitado dele só confirmava o que eu já tinha percebido nos últimos dias. Tavão não era só o ogro chato e mandão. Ele gostava de mim. E eu tava começando a achar que gostava disso.
Levantei, vesti um short e uma camiseta e desci pra cozinha, já imaginando como seria a próxima conversa. Talvez fosse a hora de provocar mais um pouco. Afinal, quem mandou ele me olhar daquele jeito?
Desci as escadas só com uma camiseta jogada por cima. O calor era insuportável, e, sinceramente, vestir mais alguma coisa tava fora de questão. A casa tava vazia, meu pai já tinha saído pro trabalho e Fernanda tinha ido fazer feira. Só eu e Tavão ali.
Quando entrei na cozinha, ele tava sentado na mesa, mexendo no celular. Assim que me viu, levantou o olhar, e eu notei o jeito que ele ficou imóvel, os olhos descendo rápido, mas logo desviando como se tentasse se controlar.
Fui até o balcão, passando bem perto dele, quase encostando no ombro. Senti o ar mudar. Peguei uma banana da fruteira e olhei pra ele de canto de olho, que agora tava secando o suor da testa com a mão.
— Tá calor, né? — comentei, fingindo inocência, enquanto começava a descascar a banana devagar.
— Lavínia... — Ele murmurou, mas não terminou a frase.
Me virei pra ele, encostando no balcão, segurando a banana sem morder. Passei a ponta dela pelos lábios, brincando, e vi como ele ficou tenso.
— O que foi, Tavão? Algum problema? — Perguntei, segurando o riso.
— Para com isso, Lavínia. — Ele disse, a voz mais grossa do que o normal.
— Isso o quê? — Dei mais um passo na direção dele, ainda segurando a banana, provocando.
Foi a gota d’água. Ele levantou da cadeira num movimento rápido, me segurou pelos braços e me fez ficar de pé, tirando a banana da minha mão sem cuidado. A fruta caiu no meio de nós, espremida no impacto, mas eu nem liguei. A respiração dele tava pesada, os olhos azuis fixos nos meus, como se ele tivesse travando uma luta interna.
— Cê gosta de brincar, né, Lavínia? — Ele perguntou, a voz baixa, quase um rosnado.
— Só com quem entra no jogo. — Respondi, sem desviar o olhar.
Ele hesitou por um segundo, mas não aguentou. Me puxou de vez e me beijou. Foi um beijo firme, duro no começo, como se ele estivesse descarregando toda a raiva e tensão que guardava. Mas, quando eu retribuí, ele suavizou, segurando meu rosto com cuidado, os dedos deslizando devagar pela minha pele.
O mundo ao nosso redor sumiu. O calor, o suor, a banana esmagada no chão — nada disso importava. Era só eu e Tavão. E, naquele momento, eu sabia que não tinha mais volta.
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