24. Edgar

1129 Words

Eu estava descendo a viela pra resolver umas coisas simples, do tipo que mantém o morro funcionando sem virar bagunça, quando vi a Dona Lurdes sentada na porta de casa com a mão no peito e a cara fechada. Ela é daquelas idosas que todo mundo conhece. Pequena, teimosa, cheia de doença nas costas e dignidade na postura. Quando me viu, levantou com esforço e me chamou com a mão, como quem não quer fazer escândalo, mas já passou do limite. O som vinha de duas casas acima, batendo grave no concreto, fazendo as paredes tremerem. Não era o paredão da quadra, era um vizinho querendo competir com o mundo. Eu parei na frente dela e abaixei o tom automaticamente, porque tem gente que merece o volume baixo. — Fala comigo, Dona Lurdes. Tá tudo bem? Ela respirou fundo, irritada, a voz saindo aperta

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