Quando eu desligo o telefone, fico um tempo parado no meio da sala, com o celular ainda na mão, olhando pro nada. A casa tá limpa, silenciosa, grande demais pra mim sozinho. Sempre foi. Só que hoje esse silêncio não descansa, ele cobra. Cobra decisão, cobra responsabilidade. Eu penso na Rubi limpando a casa dela com pano na mão, penso na Alice dormindo naquele colchão fino, penso no jeito como aquela porta fecha e como aquelas paredes não seguram nada se alguém quiser entrar. E, pela primeira vez em muito tempo, uma coisa começa a me incomodar de verdade. Aquele barraco. Não por desprezo. Não por soberba. Mas porque eu sei demais sobre o mundo pra fingir que tá tudo bem. Eu sei como uma briga errada numa viela vira tiro perdido. Sei como curiosidade vira fofoca, fofoca vira perigo. Sei

