Eu esperei o Edgar subir pra ver se a Alice já tinha arrumado os materiais, e fui pra sala com o celular na mão, ainda sentindo o peso do dinheiro como se fosse responsabilidade. Respirei fundo e disquei o número da Nanda antes de pensar demais, porque se eu pensasse, eu desistia. Ela atendeu no segundo toque, com voz de quem já acordou pronta pra bagunça. — Fala, minha patroa do morro da Rocinha. — Nanda... — eu comecei, meio sem graça. — Tu tá ocupada hoje? — Nunca tô ocupada quando a tua vida tá rendendo — ela respondeu. — O que foi? Eu mordi o lábio. — O Edgar... me deu dinheiro pra eu ir no salão. Silêncio do outro lado. Aí veio um grito. — EU SABIA! Eu sabia que esse homem ia virar teu patrocinador, pique s*********y! — Nanda — eu reclamei, rindo. — Não é isso. — É isso sim

