Eu fiquei um tempo em silêncio no sofá, encostada no Edgar, sentindo a mão dele pesada nas minhas costas. A casa parecia menor depois do que aconteceu, como se as paredes tivessem ouvido tudo. Eu ouvi o relógio bater, ouvi o barulho do vento lá fora, e ainda assim parecia que o som mais alto era o do meu próprio pensamento. Foi aí que eu falei, mais baixo do que eu pretendia. — Edgar... ele é teu irmão. Eu senti o corpo dele endurecer no mesmo segundo. Não foi agressivo. Foi instintivo. Como se a palavra "irmão" fosse um espinho que ele não deixava encostar. — Não fala isso agora — ele disse, com a voz seca. Eu respirei fundo e continuei, porque eu não queria brigar, eu queria... entender. E, no meu peito, tinha uma coisa estranha tentando nascer no meio do horror: uma compaixão que n

