O fim de semana chegou com aquele barulho diferente no ar, como se o morro inteiro tivesse combinado de respirar mais alto. Desde cedo já dava pra ouvir música subindo de algum canto, gente arrumando cadeira na calçada, moto indo e voltando com mais pressa, e um clima de "hoje é dia" que eu não sabia se queria sentir. Eu passei a manhã trabalhando, entregando duas marmitas e lavando roupa de um senhor que me pagou com dinheiro miúdo e um "Deus te pague" que me apertou o peito. Alice ficou bem o dia inteiro, mais corada, mais falante, pedindo pra sair e brincar. E isso me deixava feliz e tensa ao mesmo tempo, porque eu ainda tinha medo de relaxar. Quando a tarde começou a virar noite, Nanda apareceu na minha porta com a cara pronta de guerra e perfume doce que chegava antes dela. — Hoje

