Edgar desligou sem despedida. Ficou parado mais um segundo olhando pro nada, como se estivesse segurando a raiva no punho. Depois voltou pra cama com passos controlados, como se não quisesse acordar a casa inteira com a energia r**m que tinha recebido. Ele deitou de lado, mas não me puxou na hora. Ficou olhando pro teto, respirando forte, tentando baixar o ritmo. Eu cheguei mais perto devagar e encostei a mão no braço dele. — Foi... alguém da tua família? — eu perguntei, baixinho, pra não parecer que eu tava invadindo. Edgar virou o rosto pra mim. No escuro, eu só via o brilho do olho dele, mas eu senti o peso. — Foi — respondeu, curto. Eu esperei. Não pressionei. Só fiquei ali. Ele soltou o ar devagar, como se a simples presença da minha mão ajudasse. — Problema — foi tudo o que ele

