A casa dele à noite é mais fria do que eu lembrava. Não de temperatura, mas de silêncio. O morro fica lá fora, vivo, mas ali dentro tudo parece pesado e organizado demais, como se o lugar só funcionasse porque ele manda. Edgar destranca, acende a luz baixa e me guia até o sofá com uma firmeza calma, a mão sempre no lugar certo pra eu não tropeçar. — Senta. Água primeiro — ele diz. Eu sentei. Ele foi até a cozinha, voltou com um copo e colocou na minha mão como se fosse regra. Eu bebi devagar, tentando fazer a cabeça parar de rodar, tentando ignorar o jeito que meu coração bate quando ele fica perto demais sem nem encostar. Edgar ficou em pé, braços cruzados, me observando como quem vigia um incêndio que ainda pode voltar a acender. — Melhorou? — Um pouco — eu respondi, e minha voz sai

