O ar ficou pesado, tenso, cheio do cheiro de poeira, sangue e ódio. A roda de gente parecia ter engolido a cena, e eu podia sentir o peso dos olhos cravados na minha pele, como se fossem dedos apontando. Mas tudo isso sumiu quando o Edgar abriu a boca de novo. Ele não gritou. A voz dele desceu, ficou baixa, áspera, carregada de um desprezo que era pior do que qualquer soco. — Para de debater, Diego. Tu tá feio. Sempre ficou feio quando choramingava. Diego tentou se levantar, mas o Edgar, com uma mão só no peito dele, manteve ele no chão como se fosse um inseto. A força dele naquela hora não era normal. Era algo frio, controlado. — Cópia barata — Edgar cuspiu, os olhos percorrendo o rosto inchado do irmão. — Tu passa a vida tentando ser o durão, botando medo em mulher e criança. Tu acha

