Quando deu a hora, eu saí cedo demais. Cheguei na escola e fiquei ali, esperando, como se eu fosse mãe de primeira viagem mesmo sendo mãe há cinco anos. A diferença é que agora eu tinha esperança, e esperança dá medo também. Edgar apareceu alguns minutos depois. Parou do meu lado, sem falar muito, só presente. A mão dele encostou na minha cintura como quem prende um balão pra não voar. — Tu chegou cedo — comentou. — Eu não consigo evitar — eu respondi. Ele soltou um quase sorriso. — Eu também não. O portão abriu, as crianças começaram a sair e meu coração começou a bater mais rápido. Eu procurava o laço no cabelo dela, a mochilinha, o jeito de andar. E aí eu vi. Alice saiu quase correndo, com o rosto brilhando, segurando um papel na mão como se fosse prêmio. — Mamãe!! Tio Edgar!’

