Eu voltei pra boca com o sangue quente e a cabeça fria, que é a pior combinação. Por fora eu tava calmo, andando no meu ritmo, cumprimentando quem tinha que cumprir, sem dar bandeira. Por dentro eu queria quebrar dente com a mão, queria arrancar a raiz do problema de uma vez, queria calar qualquer um que achasse que podia brincar com meu nome e ainda citar minha vida no meio, como se fosse peça de barganha. O morro tava vivo, como sempre: moto subindo, criança correndo, som de panela vindo das casas, o cheiro de fritura misturado com poeira. Tudo normal pra quem olha de fora. Pra mim, normalidade é só cenário. O que importa é o que tá por baixo. Eu entrei, sentei na cadeira de sempre, e não falei nada por alguns segundos. Deixei só o silêncio trabalhar. Os meninos ao redor entenderam na

