Os dias foram passando do jeito que eu sempre sonhei e nunca achei que ia ter: com rotina. Com barulho de panela, mochila da Alice encostada na cadeira, roupa girando na lava e seca enquanto eu arrumava a casa sem pressa. Com a Nanda aparecendo do nada pra tomar café e fofocar, com a Tereza perguntando se a Alice tinha comido, com os idosos me chamando na rua pra entregar marmita. E, no meio disso tudo, Edgar aparecendo como se fosse parte do relógio do morro: às vezes de manhã cedo, às vezes no fim do dia, mas sempre presente. Ele não era homem de ficar grudado. Ele era homem de constância. De chegar, olhar ao redor, conferir tranca, perguntar da Alice, beijar minha boca como se fosse certeza, e sentar na mesa pra comer junto ou só ficar ali vendo a gente existir. Eu fui me acostumando

